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Linha do Oeste na Assembleia da República

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Recomendação para Governo investir mas sem compromisso de obras O PSD, CDS-PP e Bloco de Esquerda conseguiram que o tema da Linha do Oeste chegasse ao plenário da Assembleia da República a fim de ser discutido e para que o Governo investisse na ferrovia do Oeste. Apesar desta unanimidade, o PCP, através do deputado Nuno […]
Linha do Oeste na Assembleia da República

Recomendação para Governo investir mas sem compromisso de obras O PSD, CDS-PP e Bloco de Esquerda conseguiram que o tema da Linha do Oeste chegasse ao plenário da Assembleia da República a fim de ser discutido e para que o Governo investisse na ferrovia do Oeste. Apesar desta unanimidade, o PCP, através do deputado Nuno Dias, e os Verdes, através da deputada Helósia Apolónia, criticaram este acordo, uma vez que na altura da votação do Orçamento de Estado, votaram contra aquilo que propunham, a modernização da Linha do Oeste. “É lamentável que as forças políticas que representam as populações no distrito de Leiria venham assumir compromissos de má fé. Quando chegam ao parlamento dão o dito por não dito. Quando é a altura de votar, abstêm-se. E depois vêm aqui recomendar”, afirmou o comunista. Nuno Dias considerou falta de ética política por parte do PSD, PS e CDS quando pedem para se ir estudar mais sobre a Linha do Oeste, levando-o a interrogar “o que falta estudar”. “O que falta é ética política. É dizer uma coisa às populações e depois não tomar decisões políticas. As populações podem contar com o PCP, porque não estaremos nesse comboio em que os senhores querem embarcar”, disse. Heloísa Apolónia achou que “há limites para a demagogia e hipocrisia”, porque “as verdades têm de ser ditas. Falo do PSD, CDS, PS. Os Verdes propuseram a requalificação da Linha do Oeste e o PS esteve contra, PSD contra e CDS contra. Então não há credibilidade nenhuma nas suas palavras. Descartam-se das suas responsabilidades”. Neste debate o primeiro a falar foi o deputado Heitor de Sousa, do Bloco de Esquerda, que considerou que a Linha “tem de ter uma estratégia urgente para o Oeste. Infelizmente não é a visão da CP e da Refer que argumentam a fraca utilização da linha, para os cortes na linha, até que ela deixe de existir”. Quem apresentou a proposta do PSD foi o deputado Fernando Marques, que falou em nome de Teresa Morais, Duarte Pacheco, Maria da Conceição Pereira, Paulo Batista Santos e de Jorge Costa. “A linha ferroviária do Oeste, construída em finais do Século XIX, nunca foi modernizada e a CP tem vindo a reduzir serviços a pretexto da sua fraca utilização, correndo mesmo o risco de desaparecer. A linha do Oeste é hoje uma linha obsoleta para passageiros e residual nas mercadorias”, disse. No plano de investimentos da Refer, segundo o social-democrata, “estiveram previstas verbas na ordem de 100 milhões de euros para intervir nesta linha até 2016, intervenções essas que já deveriam ter começado em 2009, mas que agora na revisão do plano de investimentos para o período 2010-2015, não são consideradas prioritárias. É inaceitável, que se assista ao estrangulamento de uma linha ferroviária que poderia e deveria ser uma alternativa às opções rodoviárias que as actuais A1 e A8 constituem”, disse. O PSD lembrou que este investimento foi considerado prioritário pelo Governo PS no âmbito das contrapartidas à região Oeste pela deslocalização da Ota do futuro Aeroporto Internacional de Lisboa. “Não deixa pois de ser curiosa a mais recente justificação do Senhor Ministro das Obras Publicas Transportes e Comunicações, que reconhece que esta linha assumiu durante décadas um papel estruturante no desenvolvimento do território, mas que devido à forte concorrência da A8 se tem assistido a um decréscimo contínuo da procura da mesma, como se hoje uma linha que proporciona uma viagem entre Caldas da Rainha e Lisboa que demora mais de 2 horas fosse alternativa a uma auto-estrada onde o mesmo percurso se faz em 45 minutos”, exclamou. No âmbito do processo de reavaliação criteriosa dos investimentos públicos, o PSD pretende que seja “considerada prioritária a requalificação da infraestrutura ferroviária da linha do Oeste” e que “sejam retomados os estudos técnicos no sentido de programar no curto médio prazo os investimentos estratégicos necessários para a revitalização desta importante infraestrutura ferroviária, definindo criteriosamente as fases de desenvolvimento do projecto”. Do lado do CDS-PP, a deputada Assunção Cristas considerou que “o Governo deve pensar o território, com sustentabilidade. O transporte ferroviário deve ser uma alternativa ao rodoviário. É um investimento com impacto económico. Pode animar o porto da Figueira da Foz, para o potencial turístico da região”. “Mais do que fazer obras megalómanas, há que potenciar o que temos. A racionalidade desta opção é gritante. O Governo deveria cortar nos investimentos grandes e apostar naquele que está mais próximo da população. É inadmissível que o Governo deite o Plano do Oeste para o lado. O Governo deve requalificar, electrificar a ferrovia do Oeste”, afirmou a deputada do CDS-PP. Na resposta o deputado João Paulo Pedrosa, do PS, começou por dizer que a petição “não é só da sociedade civil, porque foi objecto de enquadramento político ao juntar os deputados eleitos por Leiria”. O socialista declarou que “cerca de dez por cento do transporte de mercadorias nacional é feito na Linha do Oeste”. “O PSD pede para se pararem todas as obras públicas e ao mesmo tempo apresenta projectos de resolução para fazer mais despesa. O PS não chegou hoje à defesa da Linha do Oeste. O PS, com maior incidência nos distritos que a linha percorre, há muito que vem pugnar pela valorização desta infraestrutura de forma a que possa servir os cidadãos e a economia desta região”, disse. “A Linha do Oeste é vital para as empresas da região de Leiria. As grandes empresas utilizam a Linha do Oeste para o seu transporte de mercadorias, que é feito de forma eficiente e rentável. É um caminho a valorizar e a salvaguardar. Os deputados do PS vão continuar a pugnar por melhores condições na Linha do Oeste e a velar pela concretização dos compromissos assumidos, mesmo que sejam mais dilatados no tempo, como alguns autarcas da região, nomeadamente do PSD, têm concordado para que isso aconteça. Vamos continuar a fazer um caminho de debate”, afirmou. No debate deste assunto estiveram na bancada a assistir à discussão Henrique Neto, socialista e empresário, Fernando Costa, presidente da Câmara das Caldas, José Vieira, presidente da Câmara do Bombarral, dois vereadores da Câmara de Óbidos e autarcas de freguesias das Caldas da Rainha. Carlos Barroso

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