Câmara revela cartas da polícia sobre Associação Volta a Casa

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
A Câmara das Caldas apresentou finalmente algumas das razões que levaram ao encerramento da Associação Volta a Casa, revelando parte das missivas da PSP enviadas ao pelouro da acção social. As cartas, com data de 2005 e 2006, fizeram os serviços da autarquia ao longo de cinco anos tentar uma solução para o funcionamento da […]
Câmara revela cartas da polícia sobre Associação Volta a Casa

A Câmara das Caldas apresentou finalmente algumas das razões que levaram ao encerramento da Associação Volta a Casa, revelando parte das missivas da PSP enviadas ao pelouro da acção social. As cartas, com data de 2005 e 2006, fizeram os serviços da autarquia ao longo de cinco anos tentar uma solução para o funcionamento da instituição que fornece alimentação aos sem abrigo, porém, este trabalho não foi conseguido, o que levou a uma medida extrema, com o seu encerramento. “Aquele local tem sido, com um significativo incremento de frequência, local de agressões e tumultos diversos entre os seus utilizadores, vários dos quais careceram de intervenção policial, o que levou a que a zona onde se localiza possua actualmente um relevante estigma social o que, ao contrário do propósito inicial da associação, resulta num efeito estigmatizante sobre a população que pretende auxiliar”, lê-se numa das cartas enviadas à Câmara pela polícia, que também apresenta diversas comunicações relacionadas “com ruídos provocados por frequentadores da Associação Volta a Casa, situada na Rua Frei Jorge de São Paulo”. Recentemente as técnicas da Câmara foram tentar encaminhar as pessoas que têm alimentação através desta associação que funciona agora na rua, tendo as técnicas sido mal recebidas, já que Joaquim Sá proibiu que os utentes dessem qualquer identificação ou falassem com elas, denuncia a autarquia. “Numa recente visita a um dos locais onde estão a ser fornecidas refeições, com vista a contactar com os utentes e encaminhá-los para um serviço ou instituição de acordo com as suas necessidades, o Sr. Joaquim Sá impediu os utentes de dar o nome e manter diálogo com as técnicas”, lê-se num esclarecimento. A autarquia refere ainda que “sempre dialogou abertamente com a Associação de Volta a Casa, e as advertências aos problemas de funcionamento, alojamento indevido de utentes, indícios de criminalidade, falta de higiene com perigo para a saúde pública e a inexistência de corpos sociais não são recentes”. A Câmara baseia-se também no facto da Associação Volta a Casa ter sempre recusado ajudas técnicas ou de projectos de actuação “na área da toxicodependência, alcoolismo e prostituição, com equipas de rua, distribuição de alimentos, encaminhamento para tratamento”. A Câmara efectuou um levantamento onde constam 34 utentes, sendo que oito são das Caldas da Rainha, pelo que foram contactados os serviços sociais dos locais de origem para que sejam arranjadas soluções. Joaquim Sá recentemente revelou ao JORNAL das CALDAS que vai tentar fazer uma assembleia geral da associação, mas não soube dizer quando, embora a Câmara já tenha garantido dar apoio se a associação tiver corpos sociais, ou seja, um projecto sólido que possa ser apoiado. O dirigente disse que já tem autorização do Centro Hospitalar para servir as refeições na Mata, mas apenas tem essa anuência até ao final do mês. “Dizem que têm receio que fique alguém a dormir na Mata”, disse Joaquim Sá, esclarecendo que depois dessa data irão “procurar outro local”. Joaquim Sá confirmou a recente visita de duas técnicas da Câmara, tendo confessado também que as técnicas “não deram qualquer razão para estarem a pedir identificação, e contaram quantas pessoas estavam lá”. “Estão a apertar para acabar com a associação. Isto não é normal”, desabafou Joaquim Sá. Carlos Barroso

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados