Doentes no Hospital recebem companhia e carinho

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Ajuda, companhia, atenção, carinho e uma palavra amiga são alguns dos remédios que o grupo de Liga de Amigos do Oeste leva aos pacientes do Hospital Oeste Norte, nas Caldas da Rainha. Em 2011 celebra-se o Ano Europeu do Voluntariado, uma homenagem e uma forma de chamar a atenção para a importância do voluntariado. Num […]
Doentes no Hospital recebem companhia e carinho

Ajuda, companhia, atenção, carinho e uma palavra amiga são alguns dos remédios que o grupo de Liga de Amigos do Oeste leva aos pacientes do Hospital Oeste Norte, nas Caldas da Rainha. Em 2011 celebra-se o Ano Europeu do Voluntariado, uma homenagem e uma forma de chamar a atenção para a importância do voluntariado. Num ano em que a Comissão Europeia está a organizar um “tour” para promover o voluntariado em todos os países dos 27 Estados-Membros, o JORNAL DAS CALDAS visitou as protagonistas de bata amarela do hospital das Caldas, um exemplo puro do exercício da cidadania activa. Não prestam cuidados de enfermagem, mas dão o essencial ao doente para ultrapassar alguns momentos de sofrimento e solidão. À chegada ao hospital é impossível não reparar no serviço de acolhimento. Há sempre um voluntário para encaminhar as pessoas para os serviços ou consultas que procuram. A simpatia e a prestabilidade são essenciais para quem precisa. A par do acolhimento, existe ainda um outro serviço que salta à vista: o carrinho com as bolachas e o café com leite e chá. Maria José Guerreiro é voluntária há cerca de 12 anos, “por amor pelos outros”. Uma das suas tarefas é andar com um carrinho móvel a oferecer bebidas quentes e bolachinhas na zona das consultas externas. “Há um contacto muito grande com as pessoas. Algumas das que ali vão regularmente já estão tão habituadas que esperam com alguma ansiedade. Não é pelo chá ou pela bolacha. É pelo bom dia. Por dois dedos de conversa. Pela companhia. Estão à espera que a gente as oiça. Querem falar do que as preocupa. Das dores que sentem”, disse Maria José Guerreiro, que faz voluntariado porque considera que “ajudar é maravilhoso”. Maria Alice Gregório, de 60 anos, é voluntária da Liga do Amigos do Hospital Oeste Norte há 14 anos. Venceu quatro cancros. Quando tinha 26 foi-lhe diagnosticado cancro da mama e, internada num hospital em França, recebeu apoio de uma enfermeira que depois do horário de trabalho fazia voluntariado. Maria Alice Gregório prometeu a si própria que se recuperasse se dedicaria a ajudar outros doentes. Entre outros serviços de ajuda a orientar os utentes nas consultas externas dá apoio a doentes mastectomizados. Através do seu exemplo e testemunho apoia outras mulheres a quem dá “uma prova de esperança”. “Dou uma palavra amiga às senhoras que vão ser operadas à mama”, relatou esta voluntária, referindo que muitas das mulheres que apoiou vão depois de umas semanas ter com ela ao hospital às sextas-feiras para perguntar se os sintomas que estão a sentir são normais. “Nós recebemos muito mais do que damos. Vai-se daqui com a alma cheia”, apontou, satisfeita de poder ajudar os outros. Quando confrontadas com o desemprego ou com a reforma, muitas pessoas vêem no voluntariado uma boa solução para continuarem ocupadas. Apesar de não serem pagas, “é uma forma de contribuírem para a sociedade.” Assim aconteceu com Paula Vitorino, de 38 anos. É um dos elementos mais novos deste corpo de voluntariado das Caldas da Rainha. Desempregada, decidiu ocupar o tempo livre a ajudar as pessoas. Neste momento está a dar aconselhamento e apoio nas consultas externas. “As pessoas sentem-se à vontade com o nosso desejo de ajudar”, disse. Raquel Henriques está aposentada e faz parte desta equipa voluntária do Hospital das Caldas há cerca de quatro anos. Uma das suas tarefas é a ajuda no serviço de pediatria. Dá auxílio às enfermeiras e às mães das crianças que estão internadas. “Entretenho as crianças internadas para as mães irem almoçar e ajudo a dar as refeições a alguns utentes em vários serviços da unidade hospitalar”, referiu. Outra actividade desta voluntária é a distribuição de revistas. “Substituo as revistas das salas de espera e distribuo revistas aos utentes internados no serviço de ortopedia e cirurgia”, revelou, acrescentando que é “um motivo para conversarmos com os doentes”. Raquel Henriques encara o seu trabalho como uma tarefa de grande responsabilidade. “Não podemos bater nas costas das pessoas e dizer que isto vai passar, devemos antes transmitir confiança e tranquilidade”, ensina, acrescentando que “a função do voluntário no que toca ao seu relacionamento com doentes e família é ouvir o que estes têm a dizer sem curiosidade de saber para além do que é contado. Sem dar conselhos e sem interferir na questão médica”. O serviço de cabeleireiro é outra tarefa das voluntárias desta Liga. É uma forma de “aumentar o auto-estima de algumas doentes”. Ajuda às novas mães Através do voluntariado, verificou-se a necessidade de ajudar as famílias mais carenciadas dos bebés que nascem na maternidade do Hospital Oeste Norte. Segundo Manuela Paula, uma das responsáveis pela Liga, existe um baú no serviço de maternidade com roupa para recém-nascidos. “Há mães que vão para a maternidade sem nada, portanto, isto é uma grande ajuda para o hospital, que quando necessita vai ao baú tirar a roupa para vestir ao recém-nascido”, apontou. Desde 2007 que esta Liga leva efeito uma acção continuada aos doentes ostomizados, com a responsabilidade de entrega da gama de produtos, sem custos. Já estão inscritos neste serviço de entrega de material 158 utentes, abrangendo os Centros de Saúde de Caldas, Alcobaça, Peniche, Óbidos e Bombarral. Melhorar a qualidade de assistência e de atendimento hospitalar são os principais objectivos das 80 voluntárias que oferecem gratuitamente ao hospital algumas horas do seu tempo. Tempo, vontade e estabilidade emocional são as principais qualidades requeridas para quem queira colaborar nesta área. O modelo da Liga de Amigos do Hospital Oeste Norte nas Caldas baseia-se numa lógica de acompanhamento e disponibilidade. Manuela Paula tem dedicado muito do seu tempo a esta actividade. “É a solidariedade, a disponibilidade de tempo, a cooperação, a entreajuda e a preparação do próprio voluntário”, indicou esta responsável, acrescentando que este grupo de voluntariado assenta na filosofia de “perante um pedido de ajuda, dar sempre uma resposta”. Conseguir transportar um sorriso para uma criança ou dar algum calor a quem está à espera nas consultas externas é para Manuela Paulo o objectivo de todo o trabalho deste grupo de pessoas. O número de voluntários da Liga de Amigos do Hospital Oeste Norte nas Caldas tem vindo a aumentar. Prova disso é o sucesso do projecto que tem recebido novas inscrições. “Temos uma lista de espera grande de pessoas que estão à espera de entrar para a Liga”, apontou Manuela Paula. No Ano Europeu do Voluntariado e da Cidadania Activa, esta responsável explica que o objectivo para 2011 é “chamar a atenção para uma maior intervenção cívica por isso vamos fazer um curso de formação para novos voluntários para lhesa dar competências que lhes irão permitir frealizar uma actividade voluntária na área da saúde com mais qualidade e profissionalismo. O plano de formação abrange a psicologia, a ética e a legislação sobre o voluntariado. Com um voluntariado organizado desde 1995, a Liga dos Amigos do Hospital procura ajudar os utentes do Hospital Oeste Norte. É necessário os voluntários “sentirem que o seu trabalho é importante” e é nesse sentido que fala da existência de “um clima familiar” dentro da Liga e alerta para a importância de se “promover o bem-estar do voluntário”, através do apoio e motivação proporcionado pela instituição. Marlene Sousa

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