O corpo do brasileiro morto com uma facada nas Caldas da Rainha na madrugada de 14 de Novembro vai ser enviado no final desta semana para o Brasil para ser enterrado na sua terra-natal, mas todas as despesas vão ser pagas por amigos e através de contributos da população, uma vez que não foram disponibilizados apoios de organismos públicos para custear os 5500 euros da trasladação do cadáver. Luciano Correia da Silva, de 28 anos, natural de Seringueiras, no Estado de Rondônia, no Brasil, foi assassinado quando saía de um bar acompanhado da sua esposa e decidiu urinar numa esquina, tendo sido surpreendido pelo agressor, que vociferou um insulto de teor racista antes de o atingir no peito com um golpe de canivete. A viúva, Andressa Valéria, manifestou intenção de enterrá-lo na cidade de onde é natural, mas a Embaixada do Brasil em Portugal “não deu nem recursos nem respostas”, revelou ao JORNAL DAS CALDAS o tio da vítima, Eleno Silva. Para resolver o problema, três cafés e um quiosque das Caldas da Rainha associaram-se a uma campanha desenvolvida por amigos para recolher donativos para serem “empregues nas despesas do funeral e o restante entregue à viúva e filha da vítima”. O Café da Ponte recebeu neste sábado dezenas de brasileiros e portugueses que participaram numa feijoada. Ao mesmo tempo estava a ser rifado o carro do falecido. “Quem ajudou foram apenas amigos e conhecidos. Das instituições públicas ninguém ajudou. Foram só palavras”, manifestou Marcos Santos, que chegou a dividir a sua casa com Luciano Silva. “Se ainda faltar algum dinheiro, nós iremos acrescentar”, assegurou. O corpo foi autopsiado no Gabinete Médico-Legal de Torres Vedras e encontra-se em Lisboa para ser embalsamado antes da trasladação. A comunidade brasileira nas Caldas da Rainha manifestou entretanto estar em choque com este crime, mas afastou-se das acusações de xenofobia que a imprensa do Brasil fez sobre este caso. “Racismo há em todos os países. A questão está empolada”, considerou Marcos Santos. “Tem portugueses que falam mal dos brasileiros. Há na comunidade brasileira quem se envolva em álcool, e não achamos uma coisa bonita, beber e brigar, mas não são todos e não apoiamos o vandalismo”, sustentou. “A comunidade brasileira às vezes abusa e faz distúrbios e cria má imagem. Mas não podemos generalizar tudo. Se um brasileiro faz, não quer dizer os brasileiros”, disse Bruno Santos, amigo da vítima. “Estou há dez anos em Portugal e não vejo discriminação”, sublinhou. Elisabeti Rosa tem uma opinião diferente: “No Brasil, os portugueses são bem recebidos mas aqui somos muito discriminados e as mulheres são vistas como putas. Se somos países irmãos e a língua é a mesma, temos de ser unidos”, frisou. Francisco Gomes
Peça cerâmica de Mário Reis assinala início de mandato de António José Seguro
O artista cerâmico Mário Reis fez uma peça para assinalar a tomada de posse do novo Presidente da República, a que deu a designação “Segurem-me”.



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