“Desejo treinar a equipa de seniores do clube da minha cidade” JORNAL DAS CALDAS – Há um ano atrás, Sérgio Camacho deu uma entrevista ao Jornal das Caldas onde dizia que ambicionava treinar o Caldas Sport Clube. O que se passou desde essa altura? Sérgio Camacho – Bom, passou-se exactamente o mesmo que em anos anteriores, mais uma vez o Caldas tomou a sua decisão…Quem sou eu para contrariar? J.C. – O que faz actualmente? S.C. – Continuo como prospector do Sport Lisboa e Benfica, observando 4 a 5 jogos por semana no distrito de Leiria, desenvolvendo o meu trabalho tal e qual como tenho vindo a desenvolver estes últimos três anos, procurando novos talentos, mas sempre frequentando colóquios e acções de formação e mantendo contacto com treinadores da primeira liga, o que me tem permitido evoluir os meus conhecimentos a nível de treino porque pretendo que o meu futuro passe por treinar e não apenas por observar…obviamente que trabalhar para este clube é para mim motivo de grande orgulho e evoluí bastante com estas funções e vejo o meu trabalho reconhecido, mas as minhas capacidades como treinador ficam para trás…nunca se saberá se a minha vez não chegará e para mim seria um sonho treinar uma equipa da formação do Benfica, quem sabe… J.C. – E porquê a ideia de treinar o Caldas? S.C. – A ideia de treinar os seniores do Caldas partiu desde o primeiro dia que fui treinar este clube no escalão de iniciados do nacional, passando por todos os escalões até aos juniores. Ora, como caldense de gema e dada a minha ligação a este clube, é perfeitamente lógico e natural este gosto e desejo de treinar a equipa de seniores do clube da minha cidade, até porque conheço melhor a maioria dos jogadores que o próprio treinador actual, cresceram comigo…além disso, ter sido campeão distrital como jogador e mais tarde como treinador aguçou em mim esta vontade e este gosto pelo clube, pelo qual tenho o maior respeito e orgulho e sinto-o e vivo-o como ninguém. Tenho plena consciência da dedicação que tive e que ainda tenho para lhe dar, só falta as pessoas quererem. J.C. – Então a disponibilidade para treinar equipas de seniores aplica-se só ao Caldas? S.C. – Evidente que não. Tenho de facto esse objectivo mas não estou minimamente dependente do Caldas Sport Clube, estou dependente sim dos clubes que me queiram contratar e das ofertas que me façam…levo o meu trabalho muito a sério, sou muito rigoroso, pelo que para treinar uma equipa têm que me dar condições de trabalho e ter objectivos definidos e responsabilidade, para que me sinta realizado e motivado na minha tarefa. Levo o futebol muito a sério para andar a brincar com ele…e embora concorde que um jogador também aprende a ver o jogo, ir para casa em horário de treino para ver jogos da 1ª divisão não faz parte dos meus planos, faça chuva ou faça sol, os objectivos alcançam-se com treino, disciplina, rigor e capacidade de sofrimento, e claro, solidariedade entre o plantel. “Tive alguns convites, mas nenhum deles me seduziu” J.C. – Porque é que não está a treinar neste momento? S.C. – Tive realmente alguns convites, mas nenhum deles me seduziu. As condições propostas tiveram de ser ponderadas e decidi que seria mais benéfico continuar no Benfica como prospector. Agradeço os convites que me foram apresentados, mas tenho outras ambições e outra maneira de trabalhar. J.C. – Já não treina há quanto tempo? S.C. – Não estou a treinar há cerca de três anos, desde que sou prospector do Benfica. Este clube não permite acumular funções no mundo de futebol, pelo que tive de optar, que tomar decisões mediante o que me foi apresentado. J.C. – Não tem saudades de treinar? S.C. – Isso é o mesmo que perguntar a uma criança se quer um doce…obviamente tenho imensas saudades, treinar para mim é um alento, uma motivação muito grande pelo desafio de apresentar resultados, simplesmente não se tem proporcionado, mas não estou parado, tento sempre desenvolver um trabalho diário para me manter sempre actualizado, aumentando os meus conhecimentos, tenho meios à minha disposição para isso…indiscutível é que sinto uma nostalgia muito grande dada esta situação, porque foram dezoito anos seguidos a treinar e não me posso conformar, o mundo do futebol por vezes é injusto… J.C. – Não era melhor para si estar a treinar numa equipa qualquer ou voltar a treinar na formação para mostrar trabalho? S.C. – Primeiro, eu não treino uma equipa qualquer, para um treinador de nível, uma equipa de nível, e quanto à formação, tudo o que havia por explorar já explorei, para mim já não há evolução, já percorri os escalões todos e fui treinador das selecções distritais durante sete anos. Pode parecer incoerente, mas não posso baixar a cabeça e simplesmente ir treinar por treinar, não funciono dessa forma… J.C. – Sente capacidade para treinar qualquer equipa, é só uma questão de oportunidade? S.C. – Sempre reconheci as minhas capacidades como treinador, sei o meu valor, não tenho receio de objectivos a cumprir nem de obstáculos a ultrapassar e sou perito em motivar os meus jogadores até os levar ao limite, portanto sim, posso dizer com toda a certeza que sinto capacidade para treinar qualquer equipa, tem faltado é a referida oportunidade. J.C. – Mas já chegou a treinar seniores… S.C. – Eu já treinei seniores, estive um ano no Grupo Desportivo Valecovense, embora não possa comparar com a experiência que tenho a nível da formação, mas não vamos por aí…todos temos que começar por algum lado e temos vários exemplos de treinadores a nível internacional que começaram logo nos seniores, por exemplo o Guardiola, do Barcelona e em Portugal, o Domingos Paciência que tem desenvolvido um excelente trabalho no Sporting de Braga. Posso referir também o actual seleccionador nacional Paulo Bento, que começou nos juniores do Sporting e passou logo de seguida para os seniores…infelizmente como eu não fui jogador profissional de futebol da primeira divisão, não tenho a mesma sorte… “Quem não tem cunhas nem padrinhos tem mais dificuldades em singrar” J.C. – Com a formação que tem e comparado com muitos treinadores no activo, porque é que eles arranjam clubes e o Sérgio Camacho não? S.C. – Até podia dar uma resposta politicamente correcta, mas vou aprofundar esta questão e dar a minha opinião sincera. Não querendo magoar ninguém nem ferir susceptibilidades, penso que quem não tem cunhas nem padrinhos tem mais dificuldades em singrar. Infelizmente, como há mais treinadores ou aspirantes a treinador do que equipas, muitos treinadores oferecem-se para treinar e muitos clubes, pelas poucas possibilidades económicas que têm, aceitam a oferta de mais baixo custo, não olhando à qualidade, pelo que muitas vezes os objectivos não são cumpridos por este motivo. J.C. – Já alguma vez se ofereceu a algum presidente de algum clube? S.C. – Até podia mentir e dizer que não, mas já, já o fiz e custou-me muito, gosto que me procurem por reconhecerem o meu trabalho e não o oposto… J.C. – E não pode contar mais sobre…? S.C. – Penso que ele não vai levar a mal. Foi há dois anos, quando o presidente actual do Caldas, o sr. Vítor Marques, foi eleito. Visto que a política do clube na altura era apostar na formação e em jogadores do concelho, achei que seria uma oportunidade que tinha, indo contra os meus princípios. Gostaria de aproveitar a oportunidade para enaltecer a disponibilidade dele para comigo, pois realmente trata-se de uma pessoa íntegra, que sabe escutar, tem grandes valores e foi por essa razão que me dirigi a ele. Desejo a continuação do excelente trabalho que está a realizar à frente do Caldas Sport Clube… J.C. – Acha que valeu a pena ter feito os estágios nos três grandes de Portugal e no Manchester United e ter o III Nível do curso de treinadores de futebol? S.C – Nem sequer coloco isso em questão! Poucos chegarão onde eu cheguei e terão estas oportunidades que eu tive…observar o futebol ao mais alto nível, nacional e internacional foi das melhores sensações que já tive na minha vida e sou uma pessoa que acredita que nada se consegue sem esforço e aprender não ocupa espaço, nenhuma experiência deve ser desvalorizada pois aquilo que fazemos e aquilo que queremos é aquilo que nos define! É claro que por vezes me questiono como é que há no activo treinadores apenas com o I ou II Nível ou mesmo sem qualquer formação, muitos com metade dos meus conhecimentos e capacidade, e eu estou de momento parado, mas eu cheguei onde queria e esforcei-me para isso, isso ninguém me tira e muitos gostariam de estar no meu lugar. Além disso, como já referi anteriormente, muitos estão onde estão através de conhecimentos e nem sequer têm o mesmo gosto por este desporto que eu tenho, isso para mim é motivo de orgulho, não de frustração… “Desistir não faz parte do meu vocabulário, tenho que ir à luta” J.C. – Vai continuar então a evoluir na tua formação como treinador, sem desistir por aquilo que mais gosta de fazer? S.C. – Hoje e sempre! O futebol está-me no sangue, faz parte de mim e como tal vou sempre procurar saber sempre mais, conhecer, evoluir, formar estratégias e conceitos, estar sempre a par de novos métodos e técnicas de treino, bem como meios disponíveis no mercado para treinadores, tendo sempre material didáctico actualizado. Desistir não faz parte do meu vocabulário, tenho que ir à luta. Na vida temos que lutar sempre por aquilo em que acreditamos e queremos, e eu acredito muito em mim mesmo, no meu trabalho. J.C. – Como se define como treinador? S.C. – Penso que me posso definir como um treinador imparcial, que defende os jogadores até à exaustão se for o caso, mas ciente de que nenhum atleta está acima do clube e por isso bastante rigoroso e exigente com o trabalho que o mesmo apresenta tanto nos treinos como nos jogos. Defino-me também como um líder carismático, pois de uma forma subtil consigo motivar, fazendo ver as qualidades e defeitos de cada um, ou seja, definindo o que o atleta deve continuar ou não a trabalhar, ter atenção às suas dificuldades e factores externos que poderão fazer com que não esteja no seu melhor naquele momento, em suma, levando-o a mais rigor e disciplina. J.C. – O que é que gostava de dizer às direcções dos clubes para os convencer a contratarem-no? S.C. – Gostaria realmente de aproveitar esta oportunidade para fazer ver que é mais benéfico apostar na qualidade do que no mais económico ou no “porto mais seguro” que já conhecemos e sabemos o que esperar. Para se atingir grandes objectivos é preciso saber ler nas entrelinhas e ver que há pessoas que têm muita vontade de mostrar trabalho e resultados, que gostam daquilo que fazem mais do que tudo na vida. Pode parecer que sou arrogante, mas não, simplesmente não posso deixar que façam de mim menos do que aquilo que sou e quem me conhece sabe bem que sou muito humilde e procuro apenas o reconhecimento que mereço e também fazer ver que a paixão que sinto pelo futebol não nasce com todos e isso é meio caminho andado para a vitória! J.C. – Acha que com esta entrevista vão surgir convites para treinar? S.C. – Não faço ideia, não tenho expectativas em relação a isso, mas espero que tenha pelo menos conseguido passar a minha mensagem e que entendam aquilo que sinto, espero ter demonstrado o meu valor e o desejo que tenho de voltar aos relvados o mais depressa possível! Não será mais fácil dar uma oportunidade a um treinador novo e ambicioso, com vontade de triunfar, do que a um que já deu tudo de si, sem novidades? De qualquer das formas, agradeço a quem me permitiu dizer estas palavras e aos leitores das mesmas, um bem-haja a todos! Francisco Gomes
Sérgio Camacho
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