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Secretária de Estado ouve jovens acolhidos em lares

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Durante uma reunião com as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) do distrito de Leiria, a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação garantiu que as comissões têm de ouvir os jovens e estes devem dar a sua opinião. Foi exactamente isso que Idália Moniz fez no auditório do Instituto Português da Juventude, […]

Durante uma reunião com as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) do distrito de Leiria, a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação garantiu que as comissões têm de ouvir os jovens e estes devem dar a sua opinião. Foi exactamente isso que Idália Moniz fez no auditório do Instituto Português da Juventude, onde ouviu seis jovens e lhes perguntou o que eles tinham apreendido enquanto estão nos lares de acolhimento e quais os principais factores a melhorar. “É importante que as comissões interiorizem que estão a trabalhar para estes jovens, mas devem trabalhar com eles. A sua opinião é muito importante, têm sonhos e têm expectativas de vida. Quando se decide deve-se ter em conta a sua opinião”, disse. “Pedi para virem cá seis jovens que estão em instituições, porque quero ouvir as suas experiências, quero que possamos trocar impressões”, reforçou Idália Moniz, salientando que é preciso “abrir a cabeça aos grandes e aos mais jovens”, uma vez que, “os jovens devem dar a sua opinião quando se trata de decidir as suas vidas”. Na presença de responsáveis e técnicos das instituições, magistrados do Ministério Público, forças de segurança, os seis jovens estiveram à conversa com Idália Moniz, Armando Leandro, presidente da CPCJ, e Carlos Lopes, em representação do Governo Civil de Leiria. Todos falaram das oportunidades que lhes foram dadas com a entrada numa instituição, mas sem nunca “perderem o contacto com a família” biológica. “Ouvir estes jovens é uma das coisas mais gratificantes, porque quem trabalha com eles também tem emoções e sentimentos, mas tem de ter as melhores técnicas e a melhor formação para aplicar as decisões. Estes testemunhos foram muito importantes, porque todos entenderam a medida que lhes foi importante e ajudou a mudar as suas vidas”, disse a governante. Os jovens falaram ainda da importância de frequentar a escola, o que em alguns casos, e se estivessem com a família, não aconteceria, bem como com os cuidados de saúde a que têm acesso, sem esquecer as regras que, confessaram, “por vezes não são fáceis de cumprir”. David, de 17 anos, quer ser mecânico, Luís, de 17 anos, quer ser bombeiro e electricista, Saul, com 14 anos, quer entrar na área de informática, Carolina, de 14 anos, gostaria de ser psicóloga, Carina, com 16 anos, gostava de ser fotógrafa e desenhadora e pintora e Margarida, com 13 anos, gostaria de ir para a Universidade. Estes seis jovens apresentaram muitas ideias comuns, mas reforçaram a necessidade de estarem sempre presentes com a família biológica. “Não tinha muita vontade de ver e falar com a minha mãe quando vim para o Lar, mas ela é a minha mãe e tenho de ter um laço com ela”, disse uma das jovens durante a conversa com a governante. Também outros jovens afirmaram que as regras “são o mais difícil de respeitar”, mas manifestaram que devem dar a sua “opinião” quando se trata de decidir pelas suas vidas. Dos aspectos positivos de estar numa instituição de acolhimento destacaram o respeito que ganharam entre os jovens e perante as pessoas mais velhas. A forma de estar em sociedade, a necessidade de aprenderem e de estarem na escola. O facto de terem mais amigos e desenvolverem actividades com comportamentos correctos. “Sem a escola não sou ninguém. Aqui aprendo a respeitar e desenvolvo a comunidade”, disseram também os jovens, confessando que “mudaram” após a entrada no Lar de acolhimento, confessando igualmente que estão a “agarrar esta oportunidade”. Os jovens agradeceram igualmente o trabalho dos técnicos nas decisões que tomam sobre as suas vidas, apesar de pedirem para ser ouvidos. A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação revelou no final deste debate que as instituições de acolhimento de jovens e crianças em risco sem qualificação vão ser encerradas. “A nossa mensagem é muito clara. Quem não tiver capacidade para acolher crianças respeitando os seus direitos não tem capacidade para manter os acordos com a Segurança Social”, assegurou Idália Moniz. Segundo a secretária de Estado Adjunta, os responsáveis pelas instituições não podem continuar a dizer que “respeitam o superior interesse da criança, que serve para tudo menos para os respeitar, e depois quererem ter um montante fixo ao fim do mês”. Por isso, foi criado o programa Desafios Oportunidades e Mudanças (DOM) para fazer a “supervisão técnica exterior nestas instituições” e que indiciará “os caminhos que estão menos bem-feitos e onde é possível melhorar”. A governante criticou ainda quem defende que as crianças institucionalizadas devem cortar os laços com a família. “Isso é bom para quem manter jovens até aos 18 anos para ter sempre dinheiro garantido. Temos de olhar para as crianças e qualificar as instituições que as acolhem. As que não cumprirem esses requisitos terão de encerrar essa resposta social”, acrescentou, referindo que já se registaram encerramentos, embora o fecho nunca aconteça de um dia para o outro. Idália Moniz reforçou ainda que o objectivo não é o encerramento, mas garantir que “as crianças sejam acolhidas com dignidade e com o respeito integral por aquilo que são os seu direitos”. A governante lembrou ainda que, entre 2004 e 2009, se registou uma redução de 34,7 por cento no acolhimento. Neste fórum estiveram presentes técnicos e autarcas, entre outros concelhos, de Caldas da Rainha, Bombarral e Nazaré.   Carlos Barroso

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