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Homenagem a Claudina Chamiço, benfeitora das Caldas

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“Das Caldas da Rainha a São Tomé e Príncipe” é título de uma exposição que vai estar patente nos dias 24 e 25 de Setembro, no Museu do Ciclismo, nas Caldas da Rainha. Na ocasião será apresentado o livro com a mesma designação, de autoria do caldense Mário Lino. A obra, dedicada à Santa Casa […]
Homenagem a Claudina Chamiço, benfeitora das Caldas

“Das Caldas da Rainha a São Tomé e Príncipe” é título de uma exposição que vai estar patente nos dias 24 e 25 de Setembro, no Museu do Ciclismo, nas Caldas da Rainha. Na ocasião será apresentado o livro com a mesma designação, de autoria do caldense Mário Lino. A obra, dedicada à Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, releva a “riqueza da multiculturalidade, de sã convivência entre povos, de como Caldas da Rainha foi beber seiva a São Tomé e Príncipe”, ao mesmo que evoca o papel desempenhado por Claudina Chamiço nessa união, refere o embaixador de São Tomé e Príncipe, Damião Vaz de Almeida. Explica a vereadora da Cultura, Maria da Conceição que, a fim de comemorar o Centenário da República, a Câmara Municipal das Caldas da Rainha decidiu convidar a associação Património Histórico para elaborar um programa de actividades a decorrer este ano, prolongando-se até Agosto de 2011, data da publicação da Constituição. O Museu do Ciclismo, orientado por Mário Lino, apresentou propostas a realizar neste espaço, como é o caso da exposição agora a inaugurar. “É uma viagem de descoberta e de encantamento, onde a solidariedade se mistura com os cheiros e as cores de São Tomé e Príncipe”, aponta. “Quantos de nós já percorremos a Rua Claudina Chamiço [no Bairro da Ponte] e nos interrogámos sobre a sua identidade e as razões de figurar na toponímia caldense? É isto que Mário Lino nos revela nesta exposição, dando-nos a conhecer uma mulher que, contrariamente aos cânones da época, liderou e fez progredir os seus negócios em Portugal e São Tomé e Príncipe com modernidade e coragem”, indica a autarca. Maria da Conceição faz notar a “acção de solidariedade” de Claudina Chamiço para com Caldas da Rainha, ao “contemplar com uma significativa verba destinada à construção de uma leprosaria nas Águas Santas, o que originou a atribuição do seu nome à toponímia caldense”. “Esta publicação pretende contribuir para o reforço dos laços afectivos que unem Portugal e a República Democrática de São Tomé e Príncipe e também promover e aprofundar o diálogo intercultural, agora que se comemoram os 35 anos de independência daquele país africano”, descreve Mário Lino. Claudina Chamiço, nascida em 1822, viria a herdar um valiosíssimo património, por morte do marido, em 1888. Por motivo de sucessivos falecimentos de outros familiares, na qualidade de única herdeira, também tomou posse da fortuna da Casa Biester, que incluía a Roça Monte Café, em São Tomé e Príncipe. “Ao longo dos 25 anos que vestiu de negro, Claudina Chamiço soube dar continuidade aos negócios, a par da intensa e meritória actividade filantrópica a que se dedicara”, sublinha Mário Lino. “Num gesto só comparável ao da Rainha D. Leonor, fundadora do Hospital das Caldas, Claudina Chamiço foi mecenas, e com os mesmos sentimentos humanitários e com a generosidade de sempre, em defesa das causas sociais, deixou um importante legado ao albergue dos leprosos das Águas Santas”, acrescenta. O valor do legado foi de 4.147$83 em acções do Banco Nacional Ultramarino, averbadas à Câmara, para aplicar o seu rendimento ao sustento de leprosos indigentes, que fizessem uso dos banhos, nas Águas Santas. Doação que o Município aceitou, em 1914. “Foi esta verba, à época bastante avultada, que possibilitou a construção do novo e higiénico balneário, a recuperação da área envolvente e o espaço de repouso, com comprovados resultados no tratamento de doenças do foro dermatológico”, relata Mário Lino. No próximo fim-de-semana as actividades no Museu do Ciclismo começam na sexta-feira, pelas 21h, com a inauguração da exposição e apresentação do livro. Haverá uma prova de café e licores Mé-zóchi de São Tomé e Príncipe e actuação do Orfeão Caldense. No sábado, às 17h, no Largo Frederico Pinto Basto, em frente à Rua Claudina Chamiço, haverá oferta de livros às primeiras dez pessoas que se apresentem vestidas com trajes do século XIX. Será feita uma homenagem, com deposição de um ramo de flores, junto à placa toponímica da Rua Claudina Chamiço. Haverá prova de café, nos estabelecimentos do Largo, actuação do Duo Saxo y Voice da Filarmónica Louriçalense e de um grupo de música e danças de São Tomé e Príncipe. Às 21h, no auditório da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, será realizada a conferência “O Café e a Saúde”.   Francisco Gomes

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