O “PEC” e os “yes man”

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Segui com muita atenção as palavras do Primeiro-ministro sobre o PEC – Programa de Estabilidade e Crescimento e fiquei a saber muita coisa que não sabia. O Plano chama-se de Estabilidade, mas está, à partida, marcado pela contestação daqueles que se sentem lesados e com razão. Um dos jornalistas que fazia reportagem quis mostrar os […]

Segui com muita atenção as palavras do Primeiro-ministro sobre o PEC – Programa de Estabilidade e Crescimento e fiquei a saber muita coisa que não sabia. O Plano chama-se de Estabilidade, mas está, à partida, marcado pela contestação daqueles que se sentem lesados e com razão. Um dos jornalistas que fazia reportagem quis mostrar os «topos de gama» em que se faziam deslocar os intervenientes na sua elaboração: Primeiro-ministro, Ministro das Finanças, Assessores (muitos) e Secretários (também muitos), cada um no seu carro. Depois vêm pedir contenção de despesas e aperto do cinto às classes trabalhadoras. Qual o efeito? Tudo menos Estabilidade. Contestação foi o que eu ouvi. Aprovação, encómios? Só dos Yes Man, os tais que têm na carteira o cartão cor-de-rosa. Aos Partidos da Oposição o Primeiro-ministro, veio dar uma lambreta: A construção do TGV do Norte ia ser mais uma vez adiada, ficando reservada a sua construção para a zona mais rica do país – a periferia de Lisboa. O Presidente da Associação de Municípios do Norte – Dr. Rui Rio já veio reagir com indignação. O Norte continua a ser enteado e o Sul o filho bem amado. Até quando? Eu não sou separatista, mas também não sou regionalista, o sentido de desmembrar o país. Mas já agora, que levaram para Lisboa o “Red Bull”, levem também as Festa da Senhora da Agonia de Viana do Castelo, as Provas de Vinho do Porto da Região Duriense, ou as Cerimónias da Semana Santa de Braga! Diz o Primeiro-ministro, com a “veracidade” a que nos acostumou: não vai haver aumento de impostos. Pois não, só que vão ao nosso bolso por via indirecta – diminuir as deduções dos benefícios fiscais em sede de IRS, na Saúde e Educação e aumento dos referidos escalões. Quantos portugueses auferem um rendimento tributável a 45 %? Por muitos que haja, não chegam para cobrir os gastos faraónicos da AR, do CM, da máquina do Estado, etc. Reduzam por aí – com menos gente e a ganhar menos e talvez se veja algo. Deixem em paz a Função Pública, aquela que está muito abaixo da média da tabela do funcionalismo e vai ser penalizada, mais uma vez com o congelamento dos salários. Olhem para as pessoas que têm empregos que não falam: médicos que têm uma tabela com ou sem recibo; advogados nas mesmas circunstâncias; operários de pequenas reparações domésticas, como electricistas, canalizadores, trolhas, etc, que trabalham a baixo preço sem recibo, mas com recibo – upa! upa! Restaurantes e demais serviços de porta aberta, etc. Com a “obrigação” para todos, mas para todos, de passar recibo, haveria uma maior receita e uma melhor distribuição dos encargos. Assim, são sempre os mesmos a pagar as crises. E com tantos estrangulamentos, como pode haver Crescimento? Só se for da miséria e do descontentamento. Se me congelam a pensão, eu congelo as despesas, os estabelecimentos, não vendem, congelam as encomendas às fábricas e o desemprego dispara e nós passamos a ser um país de congelados. Que dirá a Comissão Europeia? Esperemos.   Maria Fernanda Barroca

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados