Q

Primeiro-Ministro visita distrito de Leiria

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Sócrates não revelou localização do Hospital Oeste Norte   O Primeiro-Ministro foi acusado pelos deputados do PSD eleitos pelo distrito de Leiria de se “esquecer dos problemas concretos que o distrito está a viver”. A crítica veio na sequência da visita de José Sócrates ao distrito no passado fim-de-semana. Os deputados lamentam que o Primeiro-Ministro […]
Primeiro-Ministro visita distrito de Leiria

Sócrates não revelou localização do Hospital Oeste Norte   O Primeiro-Ministro foi acusado pelos deputados do PSD eleitos pelo distrito de Leiria de se “esquecer dos problemas concretos que o distrito está a viver”. A crítica veio na sequência da visita de José Sócrates ao distrito no passado fim-de-semana. Os deputados lamentam que o Primeiro-Ministro tenha privilegiado “inaugurações” e “lançamentos de 1ª pedra”, em vez de ir conhecer no terreno alguns dos “cancros” por resolver. Os deputados do PSD apontaram mesmo o “esquecimento” da situação de emergência ambiental registada na Lagoa de Óbidos, lamentando que o Primeiro-Ministro, na primeira deslocação ao distrito de Leiria, não inclua a ida à Lagoa “a fim de tomar conhecimento e contribuir para a resolução deste grave problema ambiental, cuja responsabilidade de acção é da exclusiva competência do Governo”. Os social-democratas vão mais longe e interrogam: “Não considera o Senhor Primeiro-Ministro que o exercício de altas funções do Estado deve assentar em valores de solidariedade com as populações e locais em situação de emergência, como é o caso, e não apenas orientado pela política espectáculo das faustosas inaugurações?”. A crítica estende-se à ausência do Primeiro-Ministro nas rondas pelo Oeste para verificar os estragos da intempérie de 23 de Dezembro. No parlamento, o PSD reclamou a sua presença. Sócrates passou ao lado das críticas. E quando no sábado se deslocou ao Bombarral para lançar a primeira pedra da creche do Centro Social Paroquial e a Peniche para inaugurar a creche do Centro de Solidariedade e Cultura, preferiu fazer propaganda, ao dedicar largos minutos à RTP e à SIC, desprezando a restante comunicação social. No Bombarral, concelho que Sócrates escolheu para dar início à iniciativa “Governo Presente”, fez-se acompanhar da Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Maria Helena André. A obra de reconstrução e ampliação da creche do Centro Social Paroquial do Bombarral, com um investimento global de 1,5 milhões de euros, tem por finalidade a melhoria das instalações com vista a proporcionar melhores condições a utentes e funcionários e aumentar a capacidade de resposta à constante procura por parte da comunidade. As obras de reconstrução visam reconverter o actual edifício para a valência de pré-escolar, consistindo a ampliação na construção de uma nova creche. Com estas obras a capacidade do pré-escolar aumentará de 45 para 60 utentes, enquanto a da creche passará de 36 para 66 utentes. A obra de ampliação da creche, no valor de 866.970,00 Euros, foi a única a obter apoio da Administração Central, sendo a comparticipação, ao abrigo do programa PARES II, de 151.193,00 Euros. O Centro Social Paroquial conta igualmente com o apoio da Câmara Municipal do Bombarral, que disponibilizou uma verba de 70 mil Euros. O arranque da obra está previsto para o final do próximo mês de Fevereiro. “Em apenas cinco anos teremos passado de cerca de três mil lugares em creches no distrito de Leiria para cinco mil lugares”, declarou Sócrates, recordando que em 2004 o distrito “tinha uma cobertura de 20 por cento, e no final desde programa terá uma cobertura de 37,5 por cento”, ultrapassando o objectivo europeu de atingir uma cobertura de 33 por cento em todos os países membros. O primeiro-ministro salientou que ao abrigo do programa Pares serão construídas 19 novas creches no distrito de Leiria, permitindo criar “840 postos de trabalho na construção e 630 empregos permanentes”, adiantou. O chefe do Governo anunciou também a construção de 400 novas creches no país, que poderão acolher 18 mil crianças até aos três anos. “Temos de criar, como obrigação do Estado, uma rede de infra-estruturas capazes de assegurar aos jovens casais que podem ter os filhos que quiserem porque encontrarão, nas suas localidades, infra-estruturas onde podem deixar os seus filhos enquanto trabalham”, sublinhou. Em Peniche, Sócrates começou por ouvir protestos de um grupo de cidadãos, que se encontravam nas imediações da creche que ia ser inaugurada e que tencionaram chamar a atenção para irregularidades de construção em três habitações de que são proprietários, acusando a Câmara Municipal de Peniche de ser conivente no processo. O Primeiro-Ministro inaugurou depois a creche, que tem capacidade para 66 crianças e um investimento superior a meio milhão de euros. Repetiu o discurso do Bombarral e foi a ministra do Trabalho e Solidariedade Social, respondendo a um repto de António José Correia, presidente da Câmara de Peniche, quem acabaria por anunciar que o Governo está a preparar um programa de apoio financeiro para instituições sociais que se encontrem em situações “aflitivas” com dificuldades económicas. “O Governo está a trabalhar num programa de economia social para responder a momentos de maior aflição e dificuldades” das instituições sociais, afirmou a ministra. “Muitas vezes sabemos que as dificuldades destas organizações passam também por dificuldades de tesouraria e de acesso ao crédito, portanto essa vertente fará parte do nosso programa de apoio”, referiu Maria Helena André. Sócrates almoçaria na Batalha com os autarcas dos 16 concelhos do distrito, que aproveitaram para expor as suas preocupações. Mas já antes no Bombarral, o presidente da Câmara local tinha apelado aos governantes “para que não se esqueçam das dificuldades que passamos aqui no Oeste”. “Importante para a minimização dessas dificuldades será o apoio na requalificação da Linha do Oeste. A remodelação da rede eléctrica no nosso concelho reveste-se também como sendo da maior importância, pois somos alvo de frequentes cortes no fornecimento de energia eléctrica. A agricultura faz parte da nossa matriz económica e tem vindo a passar por maus momentos, por isso pedimos a atenção da administração central”, manifestou José Manuel Vieira, que aproveitou para convidar o Primeiro-Ministro a deslocar-se ao Bombarral por ocasião do Festival do Vinho Português ou da Feira Nacional da Pêra Rocha. Na Batalha, os autarcas aproveitaram a presenças de ministros e secretários de Estado para expor problemas concelhios. Segundo o presidente da Câmara de Óbidos, Telmo Faria, a ministra do Ambiente reconheceu a necessidade de mudar a abordagem na Lagoa de Óbidos, tendo anunciado “que as grandes dragagens do canal central seriam, por isso, antecipadas e que seriam iniciadas até ao fim deste ano”. Telmo Faria revelou também que o novo ministro das Obras Públicas “olha para o Oeste como um território de investimento” e disse esperar que “o seu anúncio de investimentos na Linha do Oeste a começarem já este ano possam, de facto, fazer da Linha uma estrutura de transportes moderna e competitiva”. Desilusão foi o dossiê de construção de um novo Hospital Oeste Norte. “Está ainda dependente de uma resposta adequada. Depois do seu anúncio há mais de 18 meses, começa a ser insustentável não haver uma decisão quanto à sua localização e quanto ao lançamento da obra”, manifestou.   Francisco Gomes

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados