“Temos medo”. A confissão é de Danielle Vieira Lino, moradora no Bom Sucesso, em Óbidos, povoação que nas últimas semanas foi palco de dois assaltos que envolveram grande violência sobre as vítimas. “Estou muito preocupada porque há 20 anos que vivo no Bom Sucesso e nunca houve nada do género, apenas assaltos normais. Agora metem pancada e temos de chamar a atenção das autoridades que nós estamos em perigo e que isto não pode continuar assim”, afirma. Gonçalo Eloy, da associação de proprietários, reconhece sentir “algum pânico entre os moradores”, na faixa entre o Covão dos Musaranhos até ao Gronho. Daí que encetou conversações com a Câmara para obter colaboração na contratação de vigilantes, como complemento do reforço imediato do policiamento. Em finais de Junho, moradores no Bom Sucesso apanharam um assaltante em flagrante, mas a 30 de Julho, M.M., de 60 anos, seria vítima, em conjunto com a esposa, do primeiro assalto com violência. “Era de noite e encontrámos dois assaltantes no quarto, que nos atacaram logo, mostrando armas de fogo. Não sei como entraram, porque não havia nada partido. Fomos sequestrados, ficámos com pés e mãos atados durante duas horas. Procuravam dinheiro e exigiram 10 mil euros senão matavam-nos”, recorda. “Como não tínhamos, começaram a dar pontapés e a bater-nos com a pistola. À minha mulher partiram-lhe a cabeça e a mim o braço”, relata. M.M. diz que havia um terceiro comparsa que “se encontrava na duna para dar sinais de movimentos”. “Eram romenos e disseram que pertenciam a uma máfia”, revela. A dada altura, enquanto M.M. estava no primeiro andar com os larápios, a esposa, que foi deixada no rés-do-chão, conseguiu libertar-se e pedir socorro aos vizinhos. Quando se aperceberam, os indivíduos puseram-se em fuga. Levaram quatro mil euros em ouro. O casal teve de receber assistência hospitalar e M.M. foi sujeito a uma cirurgia por causa do braço partido. “Foi uma noite de verdadeiro terror”, manifesta. Também actuando de cara tapada e com o mesmo método, supondo-se por isso que seja o mesmo grupo, na noite de 3 de Agosto as vítimas foram M.C., de 67 anos, e J.C., de 70 anos, ambos franceses. Conta M.C. que “quando entrámos no quarto saltaram para cima de nós três homens muito grandes e muito fortes”. “Devem ter entrado na casa durante a tarde”, aponta. “Ficaram sempre às escuras, apenas com uma luz de uma pilha. Tinham luvas e máscaras, e aparentavam ter menos de 20 anos”, acrescenta. “Foi uma selvajaria. O meu marido tentou pará-los mas não conseguiu. Colocaram fita adesiva nas nossas mãos e pés e ao meu marido derrubaram-no e puseram-se em cima dele durante uma hora. Um deles tinha um revólver e iam-nos batendo à medida que nos pediam dinheiro. Reviraram a casa do avesso, à procura de cofres atrás de quadros e no chão. Abriram todos os armários, até o frigorífico, e atiraram tudo para o chão. Cada vez que passavam eram violentos para o meu marido, como não encontravam dinheiro”, relata M.C.. Os larápios acabaram por levar um carro do casal, jóias e uma pistola, tudo avaliado em cerca de dois mil euros. O casal recebeu assistência no hospital (J.C. ficou com o ombro deslocado e duas costelas partidas) e veio a recuperar o veículo, encontrado num parque de estacionamento em Óbidos. “Estamos há 3 anos em Portugal. Era um paraíso morar no Bom Sucesso. Agora é inabitável. Tornou-se um inferno morar aqui”, lamenta M.C. A PJ de Leiria está a investigar os dois assaltos. Francisco Gomes
Moradores no Bom Sucesso com medo de assaltos violentos
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