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Prevenir um Acidente Vascular Cerebral (AVC)

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As pessoas vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), sobretudo as portadoras de uma diminuição da força (hemiplégia), manifestam deficiências e incapacidades que fomentam com frequência alterações nas relações com aqueles que lhes são mais próximos e com a comunidade em geral. A parésia (paralisia) de um dos lados do corpo traz consigo a perda da […]
Prevenir um Acidente Vascular Cerebral (AVC)

As pessoas vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), sobretudo as portadoras de uma diminuição da força (hemiplégia), manifestam deficiências e incapacidades que fomentam com frequência alterações nas relações com aqueles que lhes são mais próximos e com a comunidade em geral. A parésia (paralisia) de um dos lados do corpo traz consigo a perda da capacidade motora, funcional e sensitiva, e também alterações da compreensão, linguagem que se tornam responsáveis pela alteração destas relações. O AVC é umas das doenças que traz consigo uma elevada taxa de hospitalização, morbilidade, mortalidade e também incapacidade. Em números, o AVC afecta 2 pessoas a cada hora e é responsável por mais de 20 mil mortes por ano! Esta patologia pode definir-se clinicamente como um desenvolvimento rápido e dramático de défices neurológicos focais, resultantes da diminuição do fluxo sanguíneo ao cérebro que se pode instalar durante um período de 24 ou mais horas. Quando o acidente vascular ocorre de uma forma momentânea e os sinais neurológicos estão presentes durante um curto espaço de tempo designa-se por Acidente Isquémico Transitório (AIT). Estes são um sinal de aviso, uma vez que do total de doentes com AIT 25 a 51% vêm a ter um acidente vascular no prazo de cinco anos. De uma forma muito generalista podemos falar em 2 tipos de AVC: AVC Isquémico e o AVC hemorrágico. Em termos gerais o AVC Isquémico é provocado por isquemias (a perda de oxigénio e nutrientes das células cerebrais) resultando da obstrução de um vaso sanguíneo. Cerca de 85% dos AVC são isquémicos. O AVC Hemorrágico acontece quando algum vaso do cérebro se rompe e extravasa sangue para dentro do cérebro. A hemorragia pode ocorrer de várias formas, sendo as principais: O aneurisma (um ponto fraco ou fino na parede de uma artéria. Com o tempo estes pontos aumentam com a elevada pressão arterial, acabando por rebentar) e a ruptura de uma parede arterial. As paredes arteriais encrostadas de placas (provocadas pela arteriosclerose) perdem a sua elasticidade, ficam rígidas, finas e podem “rebentar”. Cerca de 15% dos AVC são de origem hemorrágica. A hipertensão arterial, as doenças cardíacas, o colesterol, o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, a diabetes, a obesidade e o sedentarismo são alguns dos principais factores de risco Não nos podemos esquecer que uma das primeiras causas para sofrer um AVC é já ter sofrido outro! Cerca de 25% dos doentes repetem o AVC! Também não nos podemos esquecer que cerca de metade dos doentes que sofrem um AVC podem sofrer limitações a nível motor. A prevenção é, então, a melhor arma para combater este flagelo do século XXI. Para isso, os doentes devem ir ao médico de família periodicamente, controlar a tensão arterial e o colesterol, fazer exercício físico, ter uma alimentação saudável e cessar os hábitos tabágicos e alcoólicos. O passo seguinte é reconhecer os sinais de um AVC e contactar rapidamente o 112 para que o doente chegue ao hospital o mais depressa possível. Alguns dos sinais de alertam são: Dor de cabeça intensa e súbita sem causa aparente; Formigueiro nos braços e pernas; Dificuldade em falar; Diminuição ou perda súbita da força; Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna; Perda súbita de visão; Vertigem súbita e intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vómitos. O AVC é uma emergência médica e possui tratamento se o doente for rapidamente encaminhado para um hospital adequado. A recuperação pode ser um processo moroso que depende em muito da área afectada, da rapidez de acção para diminuir os riscos e do apoio familiar que o doente tiver. O AVC é um problema com elevada prevalência. A forma como o AVC deve ser abordado tem sido alvo de muita investigação. Surge então o conceito de UAVC – Unidade de AVC. Estas Unidades têm como finalidade a prestação de cuidados a doentes com AVC, com vista à redução do internamento em hospital de agudos, à incapacidade funcional e as complicações decorrentes do AVC. Para estas unidades, devem ser encaminhados todos os doentes com diagnóstico de AVC. Esta Unidades tem demonstrado uma grande melhoria da qualidade de vida destes doentes. Paralelamente à criação de UAVC surgiu também o conceito de Via Verde do AVC, que se define como um contínuo de prestação de cuidados. A Via Verde engloba os meios pré-hospitalares e intra-hospitalares. O meio pré-hospitalar diz respeito com o reconhecimento do AVC fora do hospital e a sua rápida orientação para as Unidades de AVC. A Via Verde passa pela identificação dos sintomas, pedido de ajuda (112), contacto com o hospital e a rápida triagem. Para o bom funcionamento da Via Verde é essencial que a população seja devidamente informada dos sinais de alerta do AVC e do tratamento precoce. A correcta activação da Via Verde e o precoce encaminhamento para as Unidades de AVC, têm possibilitado uma abordagem atempada, que permitem um aumento das oportunidades de tratamento e reabilitação contribuindo para um melhor prognóstico destes doentes. Enfermeiro Carlos Pinto Enfermeira Cândida Mineiro

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