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Câmara investe na ampliação do Call Center para mais 350 postos de trabalho

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A Câmara das Caldas da Rainha vai investir cerca de 700 mil euros na ampliação das instalações do Call Center Contact para permitir que venham a ser criados mais 350 novos postos de trabalho. A decisão foi aprovada na Assembleia Municipal pela maioria de 31 dos deputados do PSD, PS e CDS-PP, com uma abstenção […]
Câmara investe na ampliação do Call Center para mais 350 postos de trabalho

A Câmara das Caldas da Rainha vai investir cerca de 700 mil euros na ampliação das instalações do Call Center Contact para permitir que venham a ser criados mais 350 novos postos de trabalho. A decisão foi aprovada na Assembleia Municipal pela maioria de 31 dos deputados do PSD, PS e CDS-PP, com uma abstenção da CDU, tendo o presidente da autarquia, Fernando Costa, revelado o interesse da empresa em expandir as instalações, onde emprega actualmente cerca de 700 pessoas, descrevendo que “as actuais instalações estão a rebentar pelas costuras”. Na carta endereçada ao autarca a empresa informa que a capacidade das actuais instalações está esgotada e por isso “para minimizar efeitos de economia de escala em custos operacionais de gestão e manutenção, a Contact tem interesse em obter uma instalação o mais próximo possível das actuais, num raio de 500 metros, sendo que preferencialmente vê os espaços devolutos das antigas instalações da fábrica F. A. Caiado como a hipótese naturalmente mais eficaz”, mas também refere que “está disposta a avaliar um contrato de arrendamento de instalações com o Município, em moldes semelhantes aos que actualmente detêm com a empresa dona das actuais instalações, ou seja, dois anos de carência na renda e o pagamento de uma renda anual equivalente a 4,5% do valor da aquisição do edifício e respectivas obras de adaptação”. Com esta missiva a Contact não descarta a hipótese de “crescimento noutro município” e por isso apresenta o documento após uma conversa com o presidente da Câmara, alegando “a relevância da criação de mais postos de trabalho no momento de crise económica e desemprego”, razão que levou à aprovação por unanimidade na reunião de Câmara e sujeitou aos deputados a sua ratificação. Por estas considerações o presidente da Câmara, Fernando Costa, não deixou de reconhecer que se tratou de “abrir um precedente complicado” em relação a outras empresas que pretendem instalar-se no concelho, mas defendeu a participação da autarquia na expansão da empresa que garantirá “150 mil euros de ordenados por mês”. Fernando Costa alegou que “o Call Center é a tábua de salvação para muitas famílias que ali trabalham a tempo interior ou em part-time”, descrevendo que em quatro horas por dia auferem cerca de 400 euros mensais ou por outro lado se trabalharem as oito horas ganham cerca de 700 euros mensais. O autarca lembrou que “outras autarquias da região estão interessadas” em terem aquela unidade, dando exactamente as mesmas condições do que as Caldas. O presidente da Câmara considerou que manter o Call Center nas Caldas “é uma medida de combate ao desemprego e de meter dinheiro nas Caldas”, num concelho onde existem cerca de 2.500 desempregados inscritos. Mário Pacheco, da bancada do PS, apresentou dúvidas quanto à forma de aceitação das contrapartidas, admitindo que “a Câmara está a entrar no ramo imobiliário” e por isso apelou para a negociação de outra contrapartida. “As instalações, a empresa é que se deveria de preocupar com a questão, porque considero que a contrapartida deveria de ser outra, apesar de reconhecer que o número de postos de trabalho seja significativo”, comentou. António Barros, da bancada da CDU, alegou que a empresa “não cria postos de trabalho, mas sim trabalho precário”, dando como exemplo o grande número de estudantes que lá estão. O deputado comunista, que se absteve nesta votação, declarou que “se a Câmara garantir que vai dar às outras empresas as mesmas facilidades quando se quiserem instalar no concelho, nós até poderíamos estar de acordo, agora o Call Center pode deslocalizar-se a qualquer momento”, dando o exemplo do Call Center da PT que estava em Lisboa e passou para Évora. Já Jorge Sobral, do PS, mostrou-se “disponível para encontrar soluções para ultrapassar a crise, nem que estas soluções sejam temporárias”, julgando que “esta medida é excepcional e se garantirmos o património, vamos ter 300 novos postos de trabalho, não me chocando se são jovens ou menos jovens, porque postos de trabalho são postos de trabalho, eu não tenho outra visão se não estruturar a proposta e avançar”. António Cipriano, deputado do PSD, considerou que “não faz sentido estar a desperdiçar uma oportunidade quando o risco é reduzido”. O jovem deputado considerou que “se a Câmara tiver de dar benefícios a outras empresas, não me parece mal, porque o importante é trazer novas empresas e trazer riqueza e emprego”. Fernando Costa voltou a intervir para declarar que “se qualquer empresa vier às Caldas com as mesmas condições que assina de cruz, nem que se tenha de suspender outro tipo de equipamentos, porque quando é criado um posto de trabalho por dois mil euros e em dez anos reavemos o investimento, então venham dezenas de empresários, porque valeria a pena a Câmara endividar-se”. Da votação na Assembleia saiu ainda recomendação de que a concretizar-se o alargamento da empresa terá de ser tida em conta a criação de estacionamento para os futuros 300 e actuais 700 funcionários e a garantia de que o equipamento permanecerá nas Caldas por dez anos. Carlos Barroso

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