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Trabalhador no viaduto da A15 confirma falta de segurança Um trabalhador da construção civil sobrevivente do colapso de um viaduto durante a construção da A15 (Caldas da Rainha-Santarém) disse na semana passada em tribunal, que não houve compactação dos materiais usados na fundação das cofragens de suporte do tabuleiro, segundo refere a agência Lusa. “Nunca […]
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Trabalhador no viaduto da A15 confirma falta de segurança Um trabalhador da construção civil sobrevivente do colapso de um viaduto durante a construção da A15 (Caldas da Rainha-Santarém) disse na semana passada em tribunal, que não houve compactação dos materiais usados na fundação das cofragens de suporte do tabuleiro, segundo refere a agência Lusa. “Nunca vi um cilindro em cima da fundação do cimbre [parte metálica provisória de suporte do tabuleiro do viaduto] ou uma máquina a calcar o terreno”, em cima da brita e das vigas de madeira colocadas, disse Rui Ribeiro, na sessão do julgamento, que foi retomado após as férias da Páscoa no Tribunal de Peniche, devido à realização de obras no de Caldas da Rainha. Rui Ribeiro foi uma das vítimas do acidente, ao ficar ferido com gravidade, trabalhando na altura como pedreiro na construção do viaduto, ao serviço da empresa Novopca. O trabalhador disse também que nunca lhe explicaram “a que normas de segurança deveria obedecer”, sendo a primeira vez que participava numa operação de betonagem do tabuleiro de um viaduto de auto-estrada. O julgamento, iniciado em meados de Março, envolve treze técnicos da obra, a maioria engenheiros civis, acusados do crime de infracção das regras de construção, cerca de 200 testemunhas e 17 advogados. Os arguidos, que trabalhavam em três das várias empresas do consórcio contratado para a empreitada, são acusados pelo Ministério Público (MP) de irregularidades de construção, que causaram a morte a quatro trabalhadores e deixaram outros doze feridos, na sequência do colapso do viaduto, que estava em construção sobre o Rio Fanadia, em São Gregório, Caldas da Rainha. De acordo com a acusação, o acidente ocorrido a 19 de Janeiro de 2001 foi provocado por “assentimentos diferenciais” na montagem das estruturas da parte metálica provisória de suporte do tabuleiro do viaduto (cimbre), as quais apresentavam “desníveis em relação ao solo”. Foram também detectados problemas com a “ausência de cuidados de compactação” de materiais nesta fase, nomeadamente betão e areia, desnivelamento das cofragens e o uso de vigas de madeira “apodrecidas”, o que, associado à carga de betonagem e à existência de “níveis de água no subsolo”, levou ao colapso do viaduto. Segundo o MP, na origem destas “deformabilidades” estiveram erros de cálculo das fundações do “cimbre” por parte dos técnicos das empresas Mecanotubo (assegurava os trabalhos de fornecimento, montagem e desmontagem do «cimbre») e Novopca (construção do viaduto), que violaram as regras de construção “quer legais quer técnicas, referentes à robustez, boa execução da obra e adequada qualidade dos materiais”. As alegadas irregularidades de construção punham em risco a segurança da obra, a cargo da empresa “Kaiser”, cujos responsáveis técnicos não só aprovaram o projecto, como também “nunca suscitaram qualquer problema relativo à construção” nas 23 reuniões realizadas pelas equipas de fiscalização, sendo também acusados de violação das regras de construção.

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