“Há pobreza e fome nas Caldas da Rainha” As hostes estão abertas para uma luta que se prevê bastante intensa durante os próximos seis meses, a calcular pela apresentação da candidatura de Delfim Azevedo à Câmara das Caldas, no passado sábado, no edifício da Comunidade Intermunicipal do Oeste. Os discursos foram intensos, directos e em alguns casos ofensivos para com Fernando Costa e a maioria PSD. Mas do lado do PS veio também uma vasta imagem de independentes, desde professores da ESAD, EBI de Santo Onofre e do Colégio Rainha D. Leonor, trabalhadores da Bordalo Pinheiro, da ROL, do Museu de Cerâmica, industriais, arquitectos. entre outros campos, que o candidato do PS quis classificar de “alguns socialistas com uma grande maioria de independentes”. “Esta é a família das Caldas”, afirmou. Após um discurso de quase meia hora, Delfim Azevedo revelou que durante o mês de Maio “vamos pedir às pessoas para participarem no programa da campanha da candidatura. Durante os próximos três meses, escolhendo as melhores propostas e ideias, apresentaremos essas propostas ao eleitorado. Vamos ter tempo, calma, porque temos seis meses para fazer campanha, apresentar ideias, projectos e estudá-los adequadamente”. O candidato garantiu que vai ter “candidatos em todas as freguesias”, desvendando que “há uma grande preocupação da candidatura, que é resolver problemas, ter propostas e projectos para o futuro, mas há que resolver o problema das pessoas no dia-a-dia. Não serão as minhas propostas, mas de toda a equipa que está a trabalhar”. Já durante o seu discurso Delfim Azevedo atacou a maioria, começando por afirmar que “há mais e mais desemprego. Há pobreza. Há fome nas Caldas da Rainha”, indicando que “entramos na política é para resolver os problemas da comunidade”. Voltando-se para os independentes num discurso escrito de palavras fortes, o socialista apontou que “o concelho tem demasiadas pessoas com talento e diligência para que possamos dar ao luxo de as não escutar. Não estou disponível para voltar à política com um projecto que traga as mesmas pessoas de sempre, as mesmas caras de sempre, as mesmas rotinas de sempre, as mesmas soluções de sempre, os mesmos silêncios de sempre, as mesmas cumplicidades de sempre. Novas soluções é mesmo aquilo que este município precisa”. “O independente é alguém que não depende senão de si mesmo. Das suas mãos e das suas ideias. Os partidos precisam deste envolvimento como pão para a boca. Abrimos as portas porque sabemos que a razão nunca está de um lado só”, sublinhou. Apontando baterias a Fernando Costa, Delfim Azevedo declarou que “o centralismo unipessoal não é solução. Esse centralismo, seca. É quase medieval. Isto não é governo”, disse, antevendo que os próximos meses “sejam uma soma de ataques pessoais que procurem denegrir os que se lhe oponham. Já conheço este meio muito bem. Isso é característico das políticas centralizadas no poder de uma pessoa só. Secam tudo em seu redor. Secam o decoro, secam a iniciativa, secam a imaginação, secam o sentido de cidadania”. Referindo-se a má relação das Caldas com os concelhos vizinhos, Delfim Azevedo disse que não aceita “um concelho resignado e fechado no seu umbigo”, questionando “se não seria mais fácil conciliar os interesses de toda uma região, em vez de cada um puxar o cobertor para o seu lado”. Porém, o candidato frisou que “a unidade de apoio de gestão do Agrupamento Oeste Norte tem que se fixar em Caldas da Rainha, porque o município não está a fazer o seu trabalho, mas nós já o estamos a fazer”. Delfim Azevedo apelou ainda ao voto, frisando que “cada voto vale a pena e vale agora mais a pena do que nunca. Porque a situação exige que todos, mas todos, arregassem as mangas”. Já dos seus vastos convidados, realce para duas intervenções. A primeira para João Paulo Pedrosa, o presidente da federação socialista distrital, que em poucas palavras disse que “Delfim Azevedo tem a condições para dar às Caldas da Rainha o estatuto e a consolidação que tem e que nunca souberam explorar”. A segunda e a mais crítica de todas, foi protagonizada por António Galamba que começou por classificar de “suplício as reuniões de Câmara das Caldas”. O antigo candidato do PS à Câmara das Caldas comparou ainda de “completo surrealismo em qualquer ponto do Mundo as reuniões de Câmara em que se discute o acessório e não o essencial. A maioria do PSD não tem a capacidade de apresentar propostas estruturadas. Temos pela frente um poder esgotado, mas um poder à moda da Madeira. Os elementos do PSD quando falam em claustrofobia poderiam vir às Caldas e ver o que é, porque só não é maior graças ao sentido cívico dos caldenses”. “Temos pela frente o desafio de mobilizar os descontentes, aqueles que nunca votam, aqueles que não se sentem motivados”, vincou. António Galamba disse ainda que “a maioria do PSD não tem sensibilidade para o envelhecimento e problemas demográficos, porque estão a ser construídos um conjunto de equipamentos sociais sem que haja uma perspectiva de qual vai ser a evolução da população das Caldas”, anotou, lembrando ainda “as alterações climáticas e a eficiência energética”. “Quando falamos disto em reunião de Câmara, parece que estamos a falar como um boi para um palácio”, afrontou António Galamba. Intervieram como mandatários, como militantes ou simplesmente apoiantes o secretário de Estado da Protecção Civil, José Miguel Medeiros, Jaime Neto arquitecto, Catarina Paramos, deputada municipal, Luísa Arroz, professora da ESAD e João Bonifácio Serra. Apesar de não estar presente fisicamente António José Seguro enviou uma mensagem gravada que foi visionada pelos presentes. Carlos Barroso
Delfim Azevedo
22 de Abril, 2009
“Há pobreza e fome nas Caldas da Rainha” As hostes estão abertas para uma luta que se prevê bastante intensa durante os próximos seis meses, a calcular pela apresentação da candidatura de Delfim Azevedo à Câmara das Caldas, no passado sábado, no edifício da Comunidade Intermunicipal do Oeste. Os discursos foram intensos, directos e em […]
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