Como manter uma alimentação cuidada quando se janta ou almoça fora de casa? Se um restaurante não tiver uma opção saudável às suas ofertas tradicionais então peçam uma, esta é uma forma de começar a mudar as opções que os estabelecimentos de restauração oferecem aos clientes. São dicas de “Como Comer Fora de Casa”, dadas por Maria Paes Vasconcelos (Nutricionista), Virgílio Gomes (Gastrónomo) e Maria de Jesus Graça, representante da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN), numa conferência que decorreu a 12 de Março na Escola Superior de Biotecnologia em Caldas da Rainha. Comer fora por vezes é uma necessidade, outras vezes é um simples prazer. Mas manter uma alimentação cuidada quando se janta ou almoça fora pode ser difícil. Foi num ambiente descontraído, com algum humor, que os oradores falaram sobre alternativas saudáveis nos restaurantes. O abuso no sal, a falta de legumes e a dose certa foram alguns temas debatidos pela nutricionista. “Quando vamos comer fora e a comida está salgada devemos comunicar porque depois de algumas reclamações, a cozinheira começa a utilizar menos sal”, disse Maria Paes Vasconcelos, referindo que os legumes são sempre o que há menos no prato quando é servido. “Se o acompanhamento de um prato for batatas fritas e arroz então peçam para substituir uma por legumes ou salada”, apontou. Quanto à sobremesa a nutricionista aconselhou fruta. “A fruta nas cartas de sobremesa nos restaurantes é cara porque raramente é pedida”, sublinhou, acrescentando que o comportamento das pessoas tem de mudar. “Porque é que o consumidor na época das cerejas não pede cerejas?”, questionou. “Os princípios para comer em casa ou fora de casa são sempre os mesmos”, sustentou. “Cuidados com o pão, que em Portugal é feito com muito sal, pedir para cozinhar sempre com pouco sal, pedir sempre molhos à parte”, foram alguns conselhos dados por esta técnica de saúde. “O consumidor deve ser exigente quando vai comer fora”, disse o gastrónomo, acrescentando que apenas “30% dos clientes insatisfeitos é que reclama”. “A reclamação de um cliente deve ser assumida como uma ajuda, podemos responder às suas questões fazendo com que ele volte ao nosso estabelecimento”, comentou. “Eu muitas vezes faço o papel do cliente simpático, que não está satisfeito, não reclamo, mas não volto. Só costumo reclamar quando me parece fácil corrigir e é um local onde me apetece voltar”, referiu. Virgílio Gomes falou do autor de livros ligados à gastronomia, Anthony Bourdain, que dedicou o primeiro capítulo “Where Food Comes From”, da sua obra “A Cook’s Tour”, à sua experiência efectuada em Portugal. De origem francesa e radicado em Nova Iorque com o famoso restaurante “Les Halles”, decidiu viajar pelo mundo à procura do prato perfeito. Segundo Virgílio Gomes, este livro é o relato do seu encontro com a comida não sofisticada, pelos vários países visitados, entre os quais Portugal. “O autor revela que um dos pratos perfeitos é a tradicional portuguesa matança do porco e o seu ambiente familiar”, indica. A origem da canja, foi outro tema focado por Virgílio Gomes. Segundo este responsável, “o seu consumo sempre esteve associado ao equilíbrio alimentar e a regenerador de saúde. Doentes e parturientes eram tratados pelos supostos benefícios da canja. Mas não só. D. Pedro II, Imperador do Brasil, não abdicava de consumir diariamente a sua canja, até nos intervalos de espectáculos. Temos também registos curiosos no Palácio da Ajuda, em cuja cozinha teria que haver, sempre, canja fresca confeccionada para a Rainha Dona Maria Pia, pois acreditava que a canja era fundamental para a manutenção da saúde e, portanto, a consumia diariamente”. De acordo com o gastrónomo, o consumidor actual gosta de um serviço rápido, simpático e com alguma inovação. “Só é caro quando não valeu a pena”, concluiu. Este evento inseriu-se no ciclo de conferências que a APN está a promover durante este ano, um pouco por todo o país. O objectivo é incentivar a discussão de diversos temas ligados à alimentação e à nutrição, de modo a chegar de forma consistente à população geral, profissionais de áreas técnicas e científicas. Marlene Sousa
Conferência nas Caldas
25 de Março, 2009
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