Carlos Elias em nome dos trabalhadores das Faianças Bordalo Pinheiro, foi à Assembleia Municipal das Caldas da Rainha sensibilizar os deputados para os problemas vividos naquela unidade. “Nas Faianças trabalham 170 pessoas, entre elas estão cerca de 20 casais, mas acima de tudo, existem munícipes que lamentavelmente estão a ser alvo de pressões por parte da entidade patronal para que suspendam os seus contratos de trabalho. Se hoje nos querem colocar na prateleira, esquecem-se realmente que em muitas circunstâncias fomos nós trabalhadores que subsidiámos a empresa através do trabalho suplementar não pago, sob pressão das encomendas não saírem, ou do combustível gasto nas deslocações para instalações da empresa, durante horário nocturno ou mesmo durante o fim-de-semana, mas nunca ficou por entregar uma única encomenda por culpa directa dos trabalhadores”, começou por dizer. O porta-voz dos trabalhadores, que foi acompanhado por colegas, afirmou que “há revolta” entre os trabalhadores. “Por favor ajudem-nos a manter os nossos postos de trabalho e acima de tudo a não deixar morrer o que é de todos nós, as Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro”, apelou. António Barros, deputado da CDU, reforçou que “a união dos trabalhadores tem sido um bom exemplo”, apresentando de seguida uma moção que foi aprovada por unanimidade. “A Assembleia Municipal das Caldas exorta o Governo a que intervenha activamente na manutenção deste incomparável património e da sua identidade cultural e artística, salvando a fábrica, os seus postos de trabalho e reforçando a sua projecção nacional e internacional” e que “disponibilize meios financeiros para a viabilização da empresa mediante a elaboração de um plano, caso tal se justifique, exercendo o controlo da sua aplicação”, lê-se no documento. Antes da votação também o deputado Manuel Isaac, do CDS-PP, considerou que “a Bordalo Pinheiro não pode encerrar pelo que significa para a cidade e para o país. Tem de haver excepções e o problema pode ser resolvido, nem que a Câmara crie uma empresa municipal para que a fábrica não fique sem rumo”. Manuel Isaac foi mesmo mais longe ao afirmar que o problema da fábrica está em Jorge Serrano, o administrador. “Enquanto ele não abandonar a fábrica aquilo não anda para a frente. A solução da Bordalo passa pelo abandono do engenheiro Serrano. Ele é o grande culpado da fábrica estar como está. Ele fazia um grande favor às Faianças e as Caldas se fizesse parte de uma solução ao abandonar a fábrica”, afirmou. O deputado popular pediu ainda para que “os donos das Faianças vendam a quem a quer comprar, porque acredito que ela até vai aumentar o número de trabalhadores”. Manuel Isaac considerou por outro lado que a ajuda da Câmara não deve ser apenas na atribuição de cabazes, mas que devia aproveitar a verba do IRS para aplicar em situações de empresas que estão em risco ou a fechar. “O dinheiro deveria ser distribuído e o fundo seria uma boa ajuda a esses trabalhadores”, declarou, sugerindo ainda que a Câmara deva ser solidária e empregar mais pessoas, porque precisa em muitos departamentos de pessoal. Jorge Sobral, do PS, apresentou também uma proposta de moção que foi aprovada por unanimidade. “A Assembleia deve reunir conjuntamente com associações empresariais, indústria, comércio e agricultura, assim como representantes das duas centrais sindicais, com o propósito de tentar encontrar soluções que possam ajudar a atalhar dificuldades de maior monta”, sustentou. Outros deputados fizeram intervenções em defesa da manutenção da fábrica, e Fernando Costa, presidente da Câmara, lamentou que a compra efectuada pelo Município de parte da unidade não tenha resolvido o problema da fábrica. “Infelizmente as oportunidades que a Câmara apresentou, com a verba de 900 mil euros, não foram aproveitadas. Quero que a empresa continue com o maior número de trabalhadores. Se algum tiver que sair, o mínimo que se deve de pedir à administração é que sejam devidamente indemnizados”, explanou. O presidente da Câmara disse também que está “do lado dos trabalhadores”, apelando no entanto para que haja bom senso. O autarca aproveitou ainda o tema para anunciar que tem várias empresas que se querem instalar nas Caldas. “Queremos que elas se instalem o quanto antes no concelho. Vamos apresentar brevemente uma proposta para se rever algumas áreas e de modo a que seja mais apelativa a criação e fixação de empresas no concelho”, anunciou. Carlos Barroso
Deputados caldenses sensibilizados para a luta dos trabalhadores da Bordalo Pinheiro
20 de Fevereiro, 2009
Carlos Elias em nome dos trabalhadores das Faianças Bordalo Pinheiro, foi à Assembleia Municipal das Caldas da Rainha sensibilizar os deputados para os problemas vividos naquela unidade. “Nas Faianças trabalham 170 pessoas, entre elas estão cerca de 20 casais, mas acima de tudo, existem munícipes que lamentavelmente estão a ser alvo de pressões por parte […]
Deputados caldenses sensibilizados para a luta dos trabalhadores da Bordalo Pinheiro
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