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Operação de protecção das dunas no Baleal

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A “Construção do Sistema de Estabilização do Cordão Dunar Norte” é a operação ambiental que está em curso na costa de Peniche, numa iniciativa coordenada pelo Departamento de Energia e Ambiente do Município de Peniche. Os trabalhos desenvolvidos pelo município pretendem minimizar a erosão costeira e ocorrem numa extensão de costa de cerca de três […]
Operação de protecção das dunas no Baleal

A “Construção do Sistema de Estabilização do Cordão Dunar Norte” é a operação ambiental que está em curso na costa de Peniche, numa iniciativa coordenada pelo Departamento de Energia e Ambiente do Município de Peniche. Os trabalhos desenvolvidos pelo município pretendem minimizar a erosão costeira e ocorrem numa extensão de costa de cerca de três quilómetros, mais concretamente entre a Praia de Peniche de Cima e a Praia do Baleal–Campismo. Segundo a Câmara, as causas da erosão das dunas no concelho de Peniche passam pelo “efeito conjugado da acção das marés, do vento e do caminhar sobre a vegetação, provocando recuos da base e descontinuidades nos taludes da duna primária, com a criação de aberturas de grande extensão, bem como a destruição do coberto vegetal que suporta a duna secundária”. Os trabalhos em curso nesta fase do projecto, entre a Praia de Peniche de Cima e a Praia da Cova de Alfarroba, numa extensão de 1000 metros, consistem na recuperação e reforço do sistema de retenção dunar, construído nos anos anteriores, que se baseou na colocação de barreiras de canas nas dunas primária e secundária, em fileiras paralelas à linha de costa. O caniço, colhido no concelho, é um elemento natural, abundantemente disponível e de fácil manuseamento, constituindo-se como um material adequado para este tipo de trabalhos. Por outro lado, entre a linha de maré cheia e a base da duna primária, foi colocada uma estrutura de retenção dunar constituída por uma rede fixada a troncos de madeira tratada, que, nalguns locais, já elevou a mais de 1,5 metro de altura a areia, permitindo compatibilizar a promoção da retenção de areia e a utilização da praia por parte dos banhistas. Na primeira fase de intervenção, que decorreu entre Dezembro de 2004 e Maio de 2005, e na segunda fase que começou em Outubro de 2005 e decorreu até Maio de 2006, verificou-se que os resultados obtidos eram muito positivos, com a estabilização das dunas primárias, optando-se pela continuação do trabalho nos anos seguintes, mas reforçando o sistema de retenção de 1ª linha. Complementarmente a estas acções, procurou-se intervir nos acessos às praias, construindo dois passadiços sobrelevados, proporcionando maior comodidade de deslocação para a frente de praia aos banhistas, e protegendo o sistema dunar de usos indevidos. Também se investiu na sensibilização dos utilizadores do espaço, para a importância de contribuir, através de comportamentos adequados, para a preservação do sistema, colocando painéis informativos junto dos principais acessos às praias e distribuindo um desdobrável sobre o assunto. Pretende-se reforçar este tipo de sensibilização, de forma especial, durante a próxima época balnear. Este projecto contempla, também, ao longo do cordão dunar, a promoção do crescimento de espécies vegetais típicas dos sistemas dunares, tais como o estorno, a arméria e a sabina-da-praia, entre outras, para consolidação das dunas. Aliás, já é visível o desenvolvimento destas espécies nas zonas em que a duna já iniciou o processo de estabilização. “Com este projecto, através da promoção da retenção da areia nas dunas primária e secundária e do crescimento de espécies vegetais próprias deste ecossistema, estão a ser dados passos fundamentais para a estabilização e preservação das dunas da costa norte de Peniche, minimizando-se os efeitos da erosão costeira”, sublinha a Câmara. Segundo a autarquia, “desde que foi iniciado este projecto nunca mais houve dificuldades de circulação rodoviária na Av. Monsenhor Bastos, próximo do sistema dunar, devido à acumulação de areias na estrada, resultante dos ventos norte, habituais na nossa costa”. “É um trabalho nunca acabado e sempre sujeito à força da natureza, mas acreditamos que sem estas intervenções estaríamos actualmente confrontados com problemas muito mais sérios de destruição do sistema dunar”, refere o Município. Nestas intervenções, considerando o material instalado ao longo destes últimos anos, a construção dos acessos e o investimento em novos estrados de praia colocados durante a época balnear, a autarquia já investiu cerca de 50 mil euros, sem considerar os custos com o pessoal afecto a estas actividades. Porque é necessário continuar a intervir tomando em consideração os aspectos técnicos e científicos associados a este fenómeno, também foi a autarquia que tomou a iniciativa de, em 2008, encomendar um “Estudo para a recuperação Biofísica do cordão dunar Peniche-Baleal”, a uma equipa de especialistas na matéria. Francisco Gomes

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