As urgências do Hospital das Caldas da Rainha, até ao passado dia 17, atenderam cerca de 73 mil doentes, mais 20 mil utentes do que em 2004 e mais três mil do que em 2007. Os dados foram revelados pelo director clínico do Hospital das Caldas, que comentou o facto deste serviço ter recebido desde o final do mês de Novembro um anormal afluxo de pessoas às urgências. Manuel Nobre referiu que “há uma procura demasiado grande para os recursos que temos e uma procura muitas vezes indevida”. Para “ajudar” a este afluxo foi implementado o sistema Alert, que “aumenta o tempo de tomada de elementos dos doentes, porque os profissionais ainda não estão familiarizados com o sistema novo”, explicou o director clínico. Por outro lado, o director clínico disse que “muitas pessoas não têm conhecimento dos cuidados de saúde primários e por isso não recorrem aos serviços dos Centros de Saúde, ou então dizem que não têm médico. Por isso as pessoas recorrem onde há uma porta sempre aberta. Nós não podemos recusar o atendimento a qualquer pessoa, mas ao deixarmos doentes crónicos, de alguma idade, corremos algum risco”. O director clínico revelou que as urgências do Hospital das Caldas “tiveram um enorme aumento do número de reclamações por causa do tempo de espera”, dando a sua opinião de que “também considero que há tempos de espera exagerados. As pessoas têm razão, mas nós não temos um médico para cada pessoa”. O médico lembrou que os doentes que não deveriam estar no serviço de urgência “sofrem as consequências de estar muitas horas à espera”. “Estamos a estudar a possibilidade de aumentar o número de profissionais médicos durante uma parte do dia, mas isso é difícil porque não há médicos”, indicou. “Há muitos médicos a reformarem-se e muito poucos a entrarem no activo. Vamos passar ainda tempos muito mais difíceis e preocupantes na assistência médica em Portugal. A maioria dos médicos de hoje tem entre os 50 e 60 anos e vão-se reformar no espaço de dez anos”, alertou. “Se os doentes forem encaminhados ao serviço de internamento não dão tanto trabalho aos médicos que tratam a fase aguda da doença. Estou farto de alertar que o serviço de internamento do Hospital das Caldas é extremamente deficitário, mas continuamos a aguardar que algo seja feito para alterar essa situação, porque compete à tutela resolver”, declarou. O cenário no serviço de urgência “é de doentes a aguardarem em locais menos próprios”, como são os corredores em macas ou camas, até que sejam resolvidas as suas situações que têm passado pelo encaminhamento para o Montepio Rainha Dona Leonor e para o Hospital Casimiro da Silva, no Bombarral. Manuel Nobre assumiu que as macas dos bombeiros que levam os doentes ficam retidas no serviço “mais tempo do que o desejado em alguns casos pontuais” por falta de capacidade de resposta do Hospital. Este afluxo anormal às urgências deve-se também ao facto de “muitas famílias trazerem os seus idosos para o Hospital nesta época do ano, porque deste modo podem passar um Natal e a Passagem de Ano descansados”. Manuel Nobre é defensor de um novo Hospital para Caldas da Rainha em detrimento de uma ampliação das actuais instalações, tendo em conta que o tempo para esta obra já passou. “O Centro Hospitalar tenta adaptar-se o melhor que pode, mas a zona Oeste merece uma nova unidade hospitalar. Há ideias para a utilização das actuais instalações e por isso sou defensor, hoje, de um novo hospital, porque a segunda fase não foi feita na devida altura. Prefiro uma coisa nova a uma quase nova, porque ficaremos sempre com um hospital remendado. Nós queremos ter condições para tratar os nossos doentes. E se não for feito nada a breve trecho, o hospital das Caldas não vai conseguir responder à procura. Só em casos de urgência há uma afluência crescente de doentes e nós temos praticamente o mesmo número de profissionais”, comentou. Rui Faria, comandante interino dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha, instado a comentar a anormal afluência às urgências, recordou que “este é um período nada atípico ao normal funcionamento dos bombeiros”, embora aceite que “tem havido mais trabalho nas emergências”. O responsável apontou que os doentes entregues nas urgências do hospital “são logo ’triados’”, embora seja da opinião de que as urgências do hospital “deveriam ter mais um enfermeiro a fazer o serviço de triagem, devido ao aumento de doentes” que recorrem aquele serviço, e por existirem mais corpos de bombeiros a drenarem agora directamente para a unidade das Caldas. Rui Faria descreveu ainda que “pontualmente as macas demoram a ser entregues”, mas justificou este “pequeno atraso por causa do novo sistema de consulta, o Alert”. O bombeiro aconselhou também as pessoas para antes de recorrerem ao Hospital “esgotarem todos os serviços anteriores”. “O hospital é um bom local para curar as pessoas, mas também, e estas alturas são propícias a isso, porque há muitos vírus de gripes, as pessoas devem ir primeiro ao médico de família e ao Centro de Saúde antes de recorrerem a estes serviços, que são só de urgências”, disse. A voz dos utentes Uma mulher que acompanhava um bebé descreveu que aguardava atendimento “há cerca de três horas”, queixando-se de que o filho tinha “febre há quatro dias”. “Tenho de esperar, mas ninguém nos diz nada. Todos têm febre”, lamentou. Um homem que acompanhou a mãe queixou-se, porque agora o serviço de informações passa pelo preenchimento de um papel em vez do atendimento ao balcão que anteriormente acontecia. “A minha mãe está lá dentro há quatro horas e há duas horas que espero por uma informação. Não sei o que se passa com ela. Preenchi um papel e há duas horas que não sei nada”, manifestou. Uma senhora que se queixou de dores abominais que a faziam urinar com hemorragias, lamentava que esperava há quatro horas para ser chamada para ser vista por um médico. “Estou aqui com pensos, toda urinada. Fui à triagem ao 12h12. Não tenho outra hipótese se não recorrer a este serviço, porque para apanhar consulta no posto médico tenho de me levantar às seis da manhã. O SAP do Centro de Saúde de Óbidos estava fechado à hora que vim para aqui, porque abre apenas às 16 horas. Eu estou cansada de estar aqui”, desabafou. Carlos Barroso
Hospital das Caldas com anormal afluxo de pessoas às urgências
23 de Dezembro, 2008
As urgências do Hospital das Caldas da Rainha, até ao passado dia 17, atenderam cerca de 73 mil doentes, mais 20 mil utentes do que em 2004 e mais três mil do que em 2007. Os dados foram revelados pelo director clínico do Hospital das Caldas, que comentou o facto deste serviço ter recebido desde […]
Hospital das Caldas com anormal afluxo de pessoas às urgências
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