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“Que boa sensação estar de novo vazia…”

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“Mariana esteve quase todo o dia sem comer porque se sente com excesso de peso (…) Ao fim da tarde chega a casa. Não está ninguém (…).Entra na cozinha, abre o frigorífico. Que se dane a promessa de resistir! Mariana acha que a sua vida é feita de frustrações (…) Ao menos comer dá gozo. […]
Que boa sensação estar de novo vazia…

“Mariana esteve quase todo o dia sem comer porque se sente com excesso de peso (…) Ao fim da tarde chega a casa. Não está ninguém (…).Entra na cozinha, abre o frigorífico. Que se dane a promessa de resistir! Mariana acha que a sua vida é feita de frustrações (…) Ao menos comer dá gozo. Come um iogurte (…) outro, papa cérelac (…) Hoje é a última vez. Descobre (…) uma taça de mousse (…) Come-a toda. Começa a ficar louca porque nada daquilo chegou para a sua “fome”. Pega num leite achocolatado e bebe. Come uma banana. Vai à caixa das bolachas e come umas atrás das outras…Começa a sentir-se mal disposta, o estômago muito cheio, o coração a bater apressadamente. Sente uma enorme culpa (…) Vai à casa de banho (…) mete os dedos à garganta…Que alívio vomitar (…) Que boa sensação estar de novo vazia…” A Bulimia é um transtorno alimentar no qual as pessoas ingerem grande quantidade de comida e, depois, fazem uso do vómito, de laxantes, diuréticos, exercício físico excessivo com a finalidade de não ganhar peso. Após uma perda inicial de peso conseguida através de uma dieta restritiva, o indivíduo entra num ciclo bulímico: Ou faz jejum prolongado seguido da ingestão compulsiva de alimentos altamente calóricos, a que se segue um novo período prolongado de jejum (que normalmente demora um, dois ou três dias); Ou provoca o vómito após a ingestão compulsiva de grande quantidade de alimentos em curto período de tempo, com o objectivo de eliminar todas as calorias ingeridas ou pela intolerância/dor do enfartamento gástrico. Ao contrário das pessoas anorécticas, as bulímicas não deixam de comer nem fazem restrições dos alimentos tão drásticas nem progressivas. Contudo, o seu comportamento alimentar é mais caótico e desorganizado. Cerca de 90% dos indivíduos bulímicos são do sexo feminino. A taxa de prevalência da bulimia nervosa é de 2 a 4% entre mulheres adolescentes e adultas jovens. O início dos sintomas vai dos últimos anos da adolescência até os 40 anos com idade média de início por volta dos 20 anos. Existem ainda algumas profissões em particular que parecem apresentar maior risco, como é o caso dos jóqueis, atletas, manequins e pessoas ligadas à moda, onde o rigor com o controle do peso é maior do que na população em geral. Normalmente, este distúrbio surge em classes económicas mais elevadas. As causas da Bulimia são desconhecidas. No entanto, existem vários factores que contribuem para o surgimento desta doença, nomeadamente aspectos socioculturais, psicológicos, biológicos e familiares. Os indivíduos com Bulimia podem apresentar os seguintes sinais e sintomas: peso normal, excessivo ou obesidade; diarreia; sede excessiva; aumento da frequência urinária, depressão, ansiedade, ou ideação suicida; irregularidades menstruais ou amenorreia (falta de menstruação); lacerações do palato e faringe posterior; calosidades ou escara entre a articulação entre o 2º e 3º dedos; pode ainda surgir hipotensão e bradicardia (diminuição da frequência cardíaca). Uma das consequências mais graves da Bulimia Nervosa é a Morte! O tratamento da Bulimia consiste numa abordagem multidisciplinar, incluindo psicoterapia individual, terapia de grupo, terapia familiar e com fármacos. “Dizem que o que vemos ao espelho é uma mentira… Não! Não é mentira!!! O meu reflexo mostra-me uma figura gorda, disforme. Tenho medo. Tenho muito medo de ver surgir os fantasmas que tanto me atormentam. No entanto, sei que a minha verdade não corresponde à verdade dos que me rodeiam. Estou a um passo de cair no abismal desconcerto da fantasia lacónica… Não posso mais… Gostava de poder aproveitar cada momento de vida… É-me impossível. 99%do dia é passado a pensar no quão gorda sou, no quão desinteressante demonstro ser. Este comportamento é plenamente aceitável se confrontado com as nossas mentes repletas de insegurança masoquista. Quero desaparecer. Não pensem que é fácil ser-se anoréxica ou bulímica. Agora, eu que era uma jovem alegre, transformei-me numa deprimida anti-social. Estou fraca, quer psicologicamente quer fisicamente. Posso morrer em breve, eu sei. Mas, não suporto a ideia de ser gorda.” (Ana Paula, 2005) Enfermeira Cândida Mineiro Enfermeiro Carlos Pinto

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