Os proprietários dos postos de combustíveis, entrevistados pelo JORNAL das CALDAS, são unânimes em aceitar o programa do Ministério da Administração Interna (MAI), “Abastecimento Seguro”, que será assinado com cerca de mil proprietários, apesar de nenhum deles abranger as Caldas da Rainha. “Queremos sentar os operadores principais de segurança privada no nosso grupo de trabalho. Pretendemos somar ao trabalho da polícia a sinergia da segurança privada”, afirmou José Magalhães o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, depois da reunião de Segurança Interna. Na sequência da reunião, destinada a fazer um balanço das medidas que têm vindo a ser tomadas e preparar novas acções para evitar a criminalidade praticada em postos de abastecimento de combustível, o secretário de Estado anunciou ainda ter sido determinado “o reforço do patrulhamento visível ou descaracterizado”. Os empresários caldenses aguardam a implementação desta nova directiva do Governo mas afirmam que não querem pagar este serviço. “Não temos margens para pagar a polícias. E começa a ser assustador estar com uma porta aberta, quer para os clientes, quer para os funcionários, porque de um momento para o outro pode aparecer alguém e fazer um assalto”, afirmou Luís Gomes, proprietário do posto da Repsol nas Águas Santas. Da mesma opinião é Paulo Domingos que considera que “a polícia deveria fazer mais vezes o que fez aos assaltantes do Bes”. Este empresário dos postos de abastecimento da Galp acha mesmo que “a Lei deveria mudar porque embora a policia prenda os criminosos, muitos deles volta para a rua”. Também Bruno Sousa do Grupo Auto Júlio acha que qualquer medida para melhorar a segurança “é bem vinda”, apesar de ter algumas criticas à forma de actuação das autoridades. “Tivemos roubos a garrafas do gás por exemplos. Entregamos às autoridades imagens da vídeo vigilância e até agora ninguém foi chamado à razão. Demos à matricula, contacto do assaltante e nome e até agora não obtivemos nenhum retorno”, lamenta. “Uma coisa são aqueles assaltos que não sabemos quem são e outra coisa são aqueles que sabemos quem são e não se consegue fazer nada. É uma sensação de impunidade em que vivemos”, reforça. Os restantes empresários também evidenciam o mesmo lamento, e descrevem que “participamos sempre à polícia, seja cinco euros, seja cinquenta euros, porque chegamos a apanhar carros com matrículas falsas e isso ajuda a resolver outros crimes”, adiantou Luís Gomes. No entanto, os postos de combustíveis não sofrem só de assaltos de grupos organizados. Ultimamente tem vindo a aumentar o número de roubos por fuga de abastecimento. Bruno Sousa declara perante este outro tipo de roubo que se “vive numa impunidade e falta de respeito total”. Já Paulo Domingos e Luís Gomes reafirmam que os sistemas de vídeo vigilância gravam todos esses crimes que acontecem especialmente no final do mês e durante o dia, mas depois que os dados estão nas mãos das autoridades, “nunca sabemos se são apanhados ou não, porque até hoje não obtivemos qualquer retorno”. Perante este facto há empresários que pensam em contratar pessoas especializadas em cobranças difíceis para reaver algum do dinheiro deste crime que acontece cada vez mais. Muitos destes furtos de abastecimentos com fuga são pessoas referenciadas e bem conhecidas das autoridades, mas que até agora, nenhuma foi detida, ou foi pagar pelo crime que fez, a não ser por esses serviços paralelos dos proprietários das gasolineiras. Bruno Sousa é da opinião que deveria de existir “uma ligação mais directa” entre este tipo de comércio e serviços e as autoridades, sabendo à partida que não pode haver um polícia à porta de cada cidadão. “Sei que eles fazem uma ronda pelos postos de abastecimento, mas não sinto nada disso, a não ser que passem à civil”, descreve, aguardando como será esta recomendação do MAI colocada em prática nas Caldas. Paulo Domingos acha mesmo que esta recomendação do MAI seria resolvida “se houvessem mais polícias nas Caldas” e mais meios com viaturas e armas equiparadas às dos ladrões para que haja uma luta igual. Para ajudar a este sentimento de insegurança, há a ressalvar que durante a noite nas Caldas da Rainha não se pode abastecer a viatura. Os dois únicos postos que se mantinha abertos 24 horas já não o fazem. O representante do Grupo Auto Júlio que não abre há muitos anos os postos 24 horas, pensa mesmo em reduzir o horário de funcionamento actual, porque o movimento assim o aconselha, “porque para além do sentimento de insegurança, também as pessoas deixam de ir abastecer as viaturas à noite”. Luís Gomes que anteriormente mantinha o posto aberto durante toda a noite, também já não o faz porque “apareciam vários clientes alcoolizados e a provocavam distúrbios”. Já Paulo Domingos não abre no período nocturno, porque “a insegurança é um obstáculo difícil, que aliado ao facto de ser cada vez mais difícil arranjar pessoas para trabalhar neste tipo de serviço, não deixa espaço de manobra”. Algumas medidas a tomar por estes empresários para tentar minimizar os prejuízos dos assaltos e fugas de abastecimentos, passam por sistemas de vídeo vigilância cada vez mais modernos e com optimização de imagens, mas também no serviço de pré pagamento. O proprietário do posto da Repsol nas Águas Santas está a estudar mesmo na hipótese de “colocar barreiras à saída do posto” como existe em alguns postos, em especial nos hiper mercados. Já o responsável pelos postos de abastecimento do Grupo Auto Júlio aposta na segurança possível de modo a que nenhuma pessoa seja atingida pelos assaltantes. “O único receio que tenho é que façam mal aos funcionários ou aos clientes”, desabafa, apostando por isso numa política interna de formação e de segurança e de vídeo vigilância. Confrontada a PSP das Caldas da Rainha sobre as dúvidas dos gasolineiros, o comandante da Divisão da polícia do sul do distrito lembra que “a existência de provas carecem sempre da autorização da entidade competente”, que vai nestes casos validar as imagens fornecidas pelos responsáveis dos postos de abastecimento, para se “respeitarem os procedimentos legais”. Carlos Barroso
Insegurança nos postos de abastecimento nas Caldas
10 de Setembro, 2008
Os proprietários dos postos de combustíveis, entrevistados pelo JORNAL das CALDAS, são unânimes em aceitar o programa do Ministério da Administração Interna (MAI), “Abastecimento Seguro”, que será assinado com cerca de mil proprietários, apesar de nenhum deles abranger as Caldas da Rainha. “Queremos sentar os operadores principais de segurança privada no nosso grupo de trabalho. […]
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