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PS diz que FDO facilitou derrocada e exige investigação

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Não foi nenhuma surpresa para os elementos do Partido Socialista das Caldas da Rainha o colapso de parte da fachada do Hotel Lisbonense no passado dia 10. O PS exige agora uma investigação credível para apurar a causa do acidente e vai convocar uma assembleia municipal extraordinária de carácter urgente para discutir o incidente. Numa […]
PS diz que FDO facilitou derrocada e exige investigação

Não foi nenhuma surpresa para os elementos do Partido Socialista das Caldas da Rainha o colapso de parte da fachada do Hotel Lisbonense no passado dia 10. O PS exige agora uma investigação credível para apurar a causa do acidente e vai convocar uma assembleia municipal extraordinária de carácter urgente para discutir o incidente. Numa conferência de imprensa realizada no dia seguinte à queda da fachada, Jorge Sobral, presidente da Comissão Política do PS, levantou várias questões que entende ser urgente discutir, como o facto de existir ou não uma caução que a Câmara poderá accionar tendo em conta o que aconteceu. Outra questão foi a empresa responsável pela fiscalização das intervenções no antigo hotel ter rescindido o contrato unilateralmente há dois meses. Há também dúvidas sobre se a obra está devidamente licenciada. O vereador António Galamba está angustiado com aquilo que aconteceu e preocupado com o futuro do Hotel Lisbonense, pondo em dúvida a sua reconstrução. “Nada do que ocorreu foi novidade para nós. Nas nossas posições sobre o projecto da FDO (empresa responsável pela reconstrução do Hotel Lisbonense) sempre sublinhámos que a atitude da maioria PSD era laxista e lesiva do interesse dos caldenses”, afirmou, acusando o executivo do PSD de ter criado condições para esta derrocada, com as sucessivas cedências à FDO. Para o vereador, os responsáveis pela queda da fachada são a FDO e a Câmara Municipal. “Os dois pressupostos que estiveram na base da aprovação do centro comercial da FDO pela maioria do PSD, a recuperação do antigo Hotel Lisbonense e a requalificação urbana daquela zona, deixaram de existir”, afirmou. Segundo o vereador do PS, “a FDO criou condições para que a derrocada que se verificou ocorresse, porque manifestou sempre ao longo de todo o projecto uma reserva mental sobre a recuperação do hotel lisbonense. A FDO aceitou que a aprovação do centro comercial fosse feita com esses pressupostos e depois da aprovação começou a questionar a consistência do edifício e fez propostas de deitar tudo abaixo, e de derrubar paredes e isso acabou por se concretizar com o voto da maioria PSD e o nosso voto contra”, explicou. O vereador criticou a falta de transparência de todo o processo, sem que a autarquia tivesse negociado melhores contrapartidas pela aprovação do projecto da FDO. O deputado municipal Mário Pacheco afirmou que não foi uma surpresa porque nos últimos meses viu a obra evoluir no sentido de proporcionar a queda da estrutura que restava do edifício porque as escavações para o centro comercial foram feitas muito perto das fachadas do hotel. Sublinhando a felicidade do facto de não ter havido maiores consequências humanas, o deputado salientou que só por sorte isso não aconteceu e lembrou que chamou a atenção para os perigos que existiam há um ano na Assembleia Municipal das Caldas. “Não era possível trabalhar em segurança quando se demoliram paredes principais”, disse. Outra questão focada por Mário Pacheco, “é que o Centro comercial não pode estar a uma distância inferior à altura do hotel. Tinha que ter pelo menos 14 a 15 metros de distância, quando na realidade tem 7,5 metros, o que significa que o desaterro para fazer a cave foi muito próximo das estruturas de alvenaria de pedra e desestabilizou toda aquela zona. Pode ter sido um dos motivos que os obrigou a demolir a parede toda do tardoz. E ao demolir perdeu-se aquela estrutura homogénea de canto e tudo aquilo ficou instável”, explicou. Segundo este técnico a Câmara não se pode demitir de fiscalizar se os projectos estão ou não a ser cumpridos. “Deve haver um projecto de escavação e contenção periférica, que define as fases todas como o projecto deve ser feito. A câmara deve ter esse projecto e devia acompanhar do ponto de vista do controle”, disse. Para Delfim Azevedo é essencial que sejam feitas duas auditorias: uma técnica e outra administrativa, para que tudo seja esclarecido. “Há aqui um acto de negligência muito grave e um golpe no património das Caldas da Rainha”, acusou o presidente do PS caldense, recordando que os socialistas sempre chamaram a atenção para as cautelas que deveriam ter existido e apontando o dedo para as autoridades que deveriam fiscalizar aquela obra. Jorge Sobral lembrou que houve vários empreendedores que quiseram comprar aquele espaço, mas com a exigência que houve sempre da recuperação do Hotel levou a que muitos empreendedores não tivessem concorrido, porque não estavam preparados para isso. Segundo este responsável, a administração da FDO nunca escondeu a vontade de que aquele hotel não tivesse de ser reconstruído. Isto apesar da empresa ter sido beneficiada pela Câmara Municipal em troca de fazer essa reconstrução. O socialista salienta que fazer um hotel igual não é o mesmo do que recuperar património, criticando a forma como todo o processo foi conduzido. Exemplificou com o Mosteiro de Alcobaça. “Se estiver a estorvar ali naquele sítio e houver um sítio melhor, pode perfeitamente deitar-se abaixo e fazer noutro sítio, não é isso que é recuperação de património. Virem agora dizer que vão fazer uma fachada igual, isso é perder toda a história que existia à volta do Hotel Lisbonense”, declarou. O deputado municipal Mário Tavares lembrou que o Hotel Lisbonense tinha cerca de 150 anos e marcou uma época nas Caldas da Rainha, que foi decisiva para esta cidade. “Veio complementar uma lógica de termalismo, que é ter na mesma sequência o hotel, o parque as termas”, disse. Segundo Mário Tavares, o edifício foi considerado várias vezes um dos melhores hotéis do país e teve um papel importante também no acolhimento aos refugiados da Segunda Guerra Mundial. Marlene Sousa

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