Visito-o. De vez em quando. Duma vez era Natal. Aquele. O asfixiante, o do “toma lá dá cá”, o dos homens atafulhados de preconceitos, códigos e tabús. Dos que se proclamam livres. Mas não se ensaiam nada para mergulharem nos lagos conspurcados do que legalmente nos parece exacto… Desejei antecipar esta minha visita nesta época festiva. Não foi possivel e doeu-me. Fui a sua casa precisamente no dia 23. Imagine-se, eu que cada vez mais venho dando ao Natal a conotação que ele me merece, arremessando-o para a leitura que mais se coaduna com os meus sentimentos éticos. Natal compromisso, fraternidade alargada, a dimensão espiritual dum quotidiano que exige Fé em todos os homens. Claro que não falámos de Natais. Levei-o ao Café, o mais próximo de sua casa, ele cansa-se, e está de costas voltadas pra os ruídos incómodos duma cidade provinciana e etc…etc… Agradeceu o “Fernão Capelo Gaivota” que não conhecia. Há muito que lhe apetece pôr os olhos em qualquer tipo de serenidade? Nem sim nem não. Fez silêncio num sorriso ambíguo. Não deu para traduzir qualquer tipo de emoção. Pensei: -Talvez me esteja a ouvir dum longe imponderável. Como o remetesse de novo para o fundo do túnel, seu lugar de todas as horas. Dias depois o telefone toca, atendo de imediato. – Obrigado pela oferta, Fernão Capelo Gaivota é um livro de Paz que mexeu com a minha Guerra. Sustentei o diálogo de minutos. Disse umas coisas. E deixei que a propósito ele vagabundeasse a partir dos atalhos da sua imaginação. Carregando as suas próprias maselas. Que o redimem, deixemo-nos de “estórias”. É verdade, este meu amigo nunca se deixou deslumbrar por corridas de cavalos num hipódromo… E desta guiza vai crescendo na arriscada posição incansável demolidor do que lhe parece arrumadinho, certinho, etc,etc,etc… Penso que nunca o perderei de vista. É um dos poucos amigos a mostrar o rosto e a voz. Todos os meses vamos almoçar juntos. Á média Luz. Para falarmos também das coisas fundas da Vida. E estes nossos “encontros” num restaurantes castiço arremessam-nos para os longes que nos convidam a olhar o mundo sem a crueza das horas… Julieta Fatal
Leonel, o “outro”
23 de Abril, 2008
Visito-o. De vez em quando. Duma vez era Natal. Aquele. O asfixiante, o do “toma lá dá cá”, o dos homens atafulhados de preconceitos, códigos e tabús. Dos que se proclamam livres. Mas não se ensaiam nada para mergulharem nos lagos conspurcados do que legalmente nos parece exacto… Desejei antecipar esta minha visita nesta época […]
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