Estamos a assistir ao triste espectáculo (daquilo que eu, como muitos, há muito previram) que é sem dúvida o início do fim de um ciclo político, que inequivocamente não aguenta uma legislatura (se a aguentar passará, como já está, a arrastar-se e, consequentemente, a arrastar o país, se não para o abismo, para a auto-estrada que para ele se dirige). E poderemos perguntar como e porquê aqui chegámos. Em minha opinião, em primeiro lugar, chegámos a este beco (cuja saída para a frente está logicamente tapada) porque, como povo, em 2005, nas legislativas, nos deixámos, mais uma vez, ludibriar, fazendo guindar ao lugar cimeiro da política portuguesa o oportunismo e o embuste político (que fabrica líderes políticos à imagem de detergentes, sabonetes e pastas de dentes, com técnicas mais ou menos sofisticadas da mais reles publicidade enganosa). Aliás, sempre que um político se fica pelas “meias-tintas” (deixando a ideologia de lado, renegando-a ou não indo ao fundo das coisas), meus caros leitores, desconfiem. Só quem tem convicções e sem sofismas ou truques as afirma, em política, é sério, como em tudo na vida. Contrariamente à ideia de que o cinismo é inerente e é a chave do êxito da política e dos políticos, ele só consegue sucessos temporários, porque, como diz o ditado, “é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo”, ou se não o é, em política, a negação deste ditado popular português (que a minha avó, professora primária, com quem aprendi a ler, me ensinou) só tem sentido para distraídos ou ignorantes. Chegámos aqui, também, porque, de princípio, uma parte significativa do povo português “engoliu o isco” do discurso dos pseudo privilegiados (os funcionários públicos,os professores, etc,etc.). Engoliram, como se papa fosse, o discurso da diabolização de vários grupos profissionais, transformando-os em “bodes expiatórios” das más políticas, que em muitos sectores da nossa vida colectiva se arrastam (não por muitas das razões geralmente apontadas, mas por outras, onde estão à cabeça a falta de estratégia, o clientelismo político e a corrupção). Más políticas, essas, cuja principal, quando não única responsabilidade é do nosso “centrão” político (PS e PSD que no poder se alternam). Explicadas as principais razões do desastre, direi que o paradigma do toque a finados desta política foi a gigantesca manifestação de protesto dos professores, que, cansados de terem sido “vergastados” e humilhados, souberam a uma só voz (com toda a pluralidade, sindical e sócio-profissional), gritar basta, exigindo que esta política e quiçá estes políticos recolham a “tábuas”, porque a arena já não é delas e (se alá fôr grande) deles. O país começa a estar cansado (para além dum certo amorfismo que grassa) de tanta arrogância e demagogia. De tanta prepotência, oportunismo e incompetência e oxalá que saiba, para a próxima (que abreviada pode ser se o Cavaco, Sua Excelência, quiser ou se para isso o soubermos empurrar), não voltar a pôr a bola ao centro (o tal “centrão), que não passa de um “buraco negro”, igual aos do universo, que tudo trituram e devoram, até a luz que dá calor e cor à vida! E eu cá por mim, que prezo a luz, o calor e o pensamento, com memória, seguirei, mais uma vez sentido da estrela com cabecinha. P.S – Posteriormente a ter escrito esta crónica ocorreu, em Espanha, a vitória do PSOE, de Rodriguez Zapatero, que na noite da sua vitória eleitoral, perante a euforia de milhares de apoiantes, declarou, no tradicional discurso de vitória, que a sua vitória era contra a crispação, que era a vitória da tolerância e do diálogo, que na sociedade espanhola iria prosseguir. Ora não deixa de ser curioso que o líder dos socialistas espanhóis, a braços com o terrorismo da ETA, faça um discurso contra a crispação e pelo diálogo, quando por cá os nossos “socialistas”… Em democracia, sobretudo em políticas não referenciadas pelos cidadãos, tem de haver como que uma negociação permanente. Se assim não fôr e o mandato eleitoral se confundir com um cheque em branco, poderemos estar em presença de uma espécie nova de ditadura (que independentemente da liberdade de expressão) vai a votos de 4 em 4 anos. Saí do PS em 1999, estando à sua frente, então, António Guterres. Este por alguns (ou muitos) defeitos que se lhe possam ter achado, comparativamente com esta “gajada” era (é) na política e também no carácter, um Senhor. Fernando Rocha
O Colapso
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