Tal como António José Seguro é um “caldense por adoção” e explicou que “sendo as Caldas da Rainha uma cidade da cerâmica nas suas várias vertentes, das quais uma tradição tão conhecida é em torno da chamada cerâmica de malandrice, de caricatura e de intervenção política e social, que teve o seu expoente máximo em Bordalo Pinheiro, não resisti à tentação de assinalar o momento”.
Mário Reis disse ao JORNAL DAS CALDAS que “quando fiz esta peça não foi com o intuito, ou pelo menos não tive a preocupação se seria vendida, mas já tive diversos contactos de pessoas interessadas, pelo que eventualmente irei fazer mais”.
A peça é feita em grés e mede 22 centímetros de altura. Contém a inscrição “Qual é a pressa?!”, lembrando a famosa resposta de António José Seguro em 2013, quando na função de secretário-geral do PS foi questionado pelos jornalistas sobre a data do congresso nacional do partido, que poderia ditar eleições internas, perante alguma contestação à sua liderança que se vinha observando.
Na altura, o partido vivia um debate intenso sobre a antecipação do congresso nacional. Figuras críticas da sua liderança pressionavam para que ocorresse o mais cedo possível. “Qual é a pressa?” foi resposta em jeito de interrogação, vista como uma tentativa de desvalorizar a urgência dos seus opositores e manter o controlo sobre o timing político do partido.
Apesar da sua resistência inicial, o calendário acabou por ser acelerado, levando à realização de eleições diretas em abril de 2013, as quais António José Seguro venceu, antes de ser desafiado novamente, agora por António Costa em 2014, que culminaram na saída da liderança do PS.
A expressão foi recentemente recordada, sendo descrita como a frase que definiu o seu estilo político moderado e paciente, e faz parte da peça “Segurem-me”.
“É uma peça em jeito de malandrice, de cartoon, mas positiva, e que é no fundo uma mensagem de, com pressa ou sem pressa, que seja um bom mandato”, descreveu Mário Reis.
O autor expressa um desejo para o mandato de António José Seguro: “Em tempos difíceis em Portugal e no mundo, que guie o nosso país pelo melhor caminho”.
Descendente de uma antiga e respeitada família de ceramistas (entre outros, Armindo Reis, seu tio, considerado um dos últimos grandes mestres da olaria tradicional caldense e uma figura incontornável do património vivo da cidade, e João Reis, seu avô, oleiro de renome e mestre fundamental na transmissão do saber), Mário Reis, nascido em Luanda, Angola, tem 55 anos. Travou contacto com a arte do barro desde muito cedo. Hoje, trabalha na criação de peças de cariz inovador e linhas modernas, onde coloca todo o saber acumulado.


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