Empresa caldense e parceiro ibérico mobilizam mais de cem profissionais no debate de soluções regenerativas para solos fatigados

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Um encontro em Aveiro reuniu mais de cem produtores, agricultores e técnicos agrícolas no evento UNICOS 2026, promovido pela empresa caldense NutriField e pela Cosmocel Ibérica, empresa dedicada ao desenvolvimento de bioestimulantes, nutrição vegetal e biossoluções para o campo, para uma ação formativa em que em análise esteve um tema bastante atual: os solos saturados (cansados), que consequências têm na agricultura e como melhorar o desempenho do cultivo.

 

Tratou-se do sétimo encontro anual da NutriField, empresa sediada na Lagoa Parceira, nas Caldas da Rainha, especializada na nutrição das plantas e fisiologia vegetal, que recomenda técnicas na área da fruticultura, viticultura, horticultura, viveiros e enxertia.

O UNICOS 2026, que teve como ponto alto a reunião no Centro de Congressos de Aveiro, no dia 27 de fevereiro, foi um momento dedicado à formação técnica e à partilha de soluções para um dos principais desafios da agricultura atual: os solos fatigados.

Sob o mote “Formar para agir, com resultados”, o UNICOS 2026 reuniu mais de uma centena de participantes, provenientes de vários pontos do país, contando ainda com a presença de representantes da Cosmocel de Espanha e do México.

Com o tema “Solos fatigados: causas, consequências e soluções regenerativas”, o encontro reforçou a importância da compreensão dos processos de degradação do solo e da adoção de estratégias técnicas orientadas para a sua regeneração e para a melhoria da produtividade agrícola.

Angel Zardoya, diretor da Cosmocel Ibérica, manifestou que o UNICOS “permite partilhar conhecimentos e experiência e é uma ferramenta da nossa estratégia global de procurar melhores resultados para o agricultor e tentar ajudar a rentabilidade com práticas sustentáveis”. “No campo cada decisão é importante”, foi a mensagem passada.

Durante a sessão técnica, Edgar Espinosa, coordenador de negócio da Cosmocel México e investigador, destacou que “a Nutrifield e a Cosmocel construíram uma sinergia sólida para responder aos problemas atuais da agricultura em Portugal”. “Sabemos que, em Portugal, tal como noutros países, enfrentam situações adversas que limitam a produção agrícola. Entre elas estão as alterações repentinas e cumulativas no solo, com impacto nas suas propriedades físicas, químicas e biológicas, que atualmente condicionam o desempenho das culturas. Em conjunto com a NutriField, estamos a desenvolver uma estratégia para mitigar estes efeitos e apoiar os agricultores com ferramentas tecnológicas e bioestimulantes que permitam uma melhor adaptação das culturas a estas alterações”.

Eugenio Ruiz, coordenador técnico da Cosmocel Ibérica, reforçou a abordagem prática do encontro, referindo que a ideia da sua apresentação foi “explicar os mecanismos que as plantas têm para se adaptarem a diferentes tipos de solo e quais são as ferramentas da Cosmocel que ao serem aplicadas tornam o processo mais eficiente, permitindo maximizar o rendimento das culturas e o benefício do agricultor”.

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Edgar Espinosa e Eugenio Ruiz, responderam às perguntas dos participantes

Para Luís Marques, sócio da NutriField, e Pedro Almeida, diretor comercial da empresa, “o UNICOS é hoje uma referência na formação técnica do setor agrícola em Portugal. Acreditamos que é através da partilha de conhecimento aplicado e da proximidade com os profissionais do terreno que conseguimos gerar impacto real. Esta parceria com a Cosmocel permite-nos oferecer soluções concretas e sustentáveis para os desafios atuais da agricultura”.

Foram apresentados produtos melhoradores orgânicos do solo, como o Interaktor, para desbloquear o potencial das plantas com o poder dos sinais ao nível das raízes, o Progress SLX, para imprimir o progresso na cultura, mesmo em solos altamente salinos, o HolobiON, que regula o microbioma e otimiza a adaptação, a linha Ferti-G, que completa as diferentes etapas de crescimento e desenvolvimento de uma cultura, entre outros como Rootex Sense, que ativa os mecanismos de adaptação da raíz a solos limitantes, ou o Advance FG+, bioestimulante que permite que a cultura acelere os processos metabólicos de desenvolvimento.

Para além da componente técnico-científica, o programa integrou momentos de convívio e partilha entre os participantes, reforçando a rede de contactos e a proximidade com quem labora no setor agrícola.

 

O que acharam os participantes no UNICOS 2026?

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José Manuel, viticultor, Torres Vedras

José Manuel, viticultor, Torres Vedras

“É muito interessante as pessoas terem conhecimento dos produtos que são apresentados neste evento, porque vai trazer-nos bem-valias para termos produções melhores, para todos os agricultores, seja qual for o setor em que trabalhem. Cada um vai à sua vida com uma perspetiva muito melhor do que aquela que trouxeram. E esses produtos complementam-se uns aos outros, para que os agricultores consigam produzir melhor, no resíduo zero e na parte biológica.

Há uma partilha de conhecimentos e aprende-se sempre coisas novas todos os anos.

Ao mesmo tempo é um convívio que faz com que os agricultores se sintam bem. É uma boa camaradagem e ninguém sai daqui triste, portanto, bem-haja à NutriField por fazer estes encontros”

nutrifield reacoes Virgilio Noronha

Virgílio Noronha, empresa Noronha & Ribeiro, Caldas da Rainha

Virgílio Noronha, empresa Noronha & Ribeiro, Caldas da Rainha

“Eu já gasto alguns produtos desta gama, mas é sempre bom aprofundar o conhecimento e ver produtos novos, que foram também apresentados. São produtos bastante estudados antes de irem para o mercado e têm mesmo efeito, cada um para a sua especificidade, visando melhorar a produtividade. Têm uma gama boa.

Só falhei um ou dois encontros, e tenho acompanhado porque cada ano é um tema diferente. Este ano é bastante adequado, porque a fadiga dos solos é um problema que estamos a ter”

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Zélia Dionísio, central fruteira Frutus, Cadaval

Zélia Dionísio, central fruteira Frutus, Cadaval

“É a terceira vez que acompanho. Nestes encontros há sempre coisas novas. Para mim é uma mais-valia conhecer um bocadinho mais estes produtos. Vou assumir uma nova exploração, que pelos vistos já tem em prática este tipo de produtos NutriField, com resultados, e vamos aumentar essa área.

Por outro lado, é o convívio, é a oportunidade de conhecermos outras realidades, é a partilha, é um momento agradável”

 

Pedro Almeida, diretor comercial da NutriField: “Sem uma boa assistência técnica, não se consegue ter sucesso no campo”

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Pedro Almeida, diretor comercial da NutriField

JORNAL DAS CALDAS: Este é o sétimo evento e numa auscultação aos participantes eles dizem que há sempre produtos novos que são apresentados e que implementam com sucesso no terreno. Portanto, há aqui um grande caminho que ainda se pode percorrer, uma vez que há sempre novidades?

Pedro Almeida: Sim, o UNICOS serve principalmente para apresentar as novidades. A agricultura está a mudar, como se sabe. Há uma grande mudança a nível mundial. Sobretudo, o consumidor está a exigir alimentos mais saudáveis, uma agricultura regenerativa, com mais cuidados ao nível do planeta. E nós, com os nossos fornecedores, estamos a estudar e a lançar produtos mais amigos do ambiente, mais amigos do planeta e com uma agricultura mais rentável para o agricultor.

JORNAL DAS CALDAS: Neste caso foi com a Cosmocel, mas todos os anos têm vários parceiros?

Pedro Almeida: Trabalhamos com várias multinacionais, o que nos permite ter no mercado diversas opções, porque na agricultura cada caso é um caso.

E nós, com uma gama tão ampla, estamos sempre prontos a resolver os problemas que surgem ao agricultor no campo, no dia a dia.

JORNAL DAS CALDAS: O sucesso desta propagação dos produtos é também a assistência, o aconselhamento, a presença e a explicação, sobretudo, porque isto requer que os agricultores, os produtores e os técnicos percebam a forma de aplicá-los para terem êxito…

Pedro Almeida: O sucesso da NutriField depende muito do acompanhamento presente junto ao agricultor, porque a agricultura depende muito do carinho que o técnico dá ao agricultor, à cultura e, também, transmitir o conhecimento e o saber é muito importante. O sucesso do agricultor é, muitas vezes, o sucesso do técnico que lhe dá o acompanhamento. Os dois complementam-se. Sem uma boa assistência técnica, não se consegue ter sucesso no campo.

O agricultor já o sabe e o sucesso da Nutrifield depende muito disso. Nós estamos muito presentes junto ao agricultor.

JORNAL DAS CALDAS: Há alguma resistência ao conhecimento destas novas realidades? É difícil que adiram ou o passa-palavra e vendo os exemplos no terreno já facilitam?

Pedro Almeida: A resistência que existe não é muita, porque o consumidor está a exigir ao agricultor que os seus produtos sejam mais amigos do ambiente, sejam mais saudáveis, e, daí, o agricultor sentir a necessidade de trabalhar connosco, porque nós transmitimos-lhe esse conhecimento, para essa nova agricultura regenerativa e mais amiga do ambiente.

Por incrível que pareça, a maior resistência é, verdadeiramente, ainda da engenharia agrícola presente, porque aprendeu nas universidades conceitos antigos, porque os professores universitários pertencem a uma geração que ainda não deu o salto para esta nova agricultura. E a engenharia agrícola ainda tem alguma resistência a esta evolução. O agricultor, como sente a necessidade do seu cliente, e como o cliente lhe pede produtos mais limpos, mais amigos do ambiente, adere com facilidade, não dá resistência.

O agricultor pede para que nós estejamos com ele, para lhe transmitir o conhecimento desta nova agricultura.

 

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Pedro Almeida, diretor comercial da NutriField, e Luís Marques, sócio

 

Luís Marques, sócio da NutriField: “Não somos obrigados a vender o produto porque o temos em stock, queremos é vender a melhor solução”

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Luís Marques, sócio da NutriField

JORNAL DAS CALDAS: Como é surgiu a NutriField?

Luís Marques: A NutriField nasceu em janeiro de 2007, com o sonho de dois colegas que trabalhavam em empresas por conta de outrém e que decidiram fazer mais pelo setor primário, quisemos ir mais além. E optámos por iniciar por conta própria.

JORNAL DAS CALDAS: Na altura já se falava em bioestimulantes?

Luís Marques: Falava-se muito pouco. Eu estava a trabalhar numa empresa multinacional de bioestimulantes, uma das empresas mais evoluídas nesse sentido, e depois o bichinho ficou. E pela necessidade de querer fazer mais e melhor, optámos por arrancar com a NutriField.

Começámos com uma administrativa e um colega no norte. Depois desenvolvemos por todo o país. Tenho que salientar que a empresa nasceu numa câmara frigorífica dos meus pais, na Quinta do Bravo, nas Antas, nas Caldas da Rainha.

Tínhamos um armazém dos meus pais, que antes tinha sido um curral. Ou seja, nós não tínhamos recursos para nada. Depois, passados uns quantos meses, percebemos que isto tinha pernas para andar. Arranjámos aquilo que conseguimos e continuámos aí durante dez anos.

Depois fomos para a Lagoa Parceira. Aos dias de hoje somos uma equipa de dezasseis pessoas técnicas. Temos bons parceiros de negócios e distribuidores, e sempre com a audácia de querer fazer mais e melhor. No ano passado tivemos um volume de negócios de cerca de quatro milhões de euros.

JORNAL DAS CALDAS: Neste mercado há outras empresas mas a NutriField tem uma implantação baseada muito no passa-palavra, na mostra da realidade no terreno…

Luís Marques: Tivemos a sorte de conseguir trabalhar com seis multinacionais diferentes, das melhores do mundo.

Costumo dizer, e com muita certeza, que temos a melhor equipa técnica do país, porque vai absorver o know-how de seis multinacionais que têm investigação e desenvolvimento.

A primeira de todas foi uma empresa em Itália, que surgiu numa viagem com agricultores. Eu, muito curioso, entrei numa casa de rega e vi lá um produto que um agricultor italiano falava muito dele. Retirei o rótulo, liguei para lá e eles responderam.

Entretanto, o Pedro Almeida também tinha fortes ligações com outra empresa em Espanha, com quem ainda hoje trabalhamos. E arrancámos por aí.

Depois, nós temos esta atitude, de ao longo destes anos agarrarmos nos agricultores e ir visitar feiras aqui e acolá. Nós tínhamos um problema, que era controlar o vigor das plantas e encontrámos uma empresa que dizia como controlar as culturas. Entrámos em contato e começar a trabalhar em conjunto.

A partir daí começámos a perceber que a nossa atitude de ao trabalhar com várias empresas conseguimos ter o melhor de cada uma delas para oferecer a melhor solução ao agricultor. Ou seja, nós não somos obrigados a vender o produto porque temos o produto em stock. Nós queremos é vender a melhor solução.

Temos um departamento só para realizar estratégias técnicas. Para uma situação, para um problema, uma estratégia, em que por vezes ou entra uma empresa, ou entra outra, ou entram ambas.

Creio que seja esse um dos fundamentos que nos faz crescer e as pessoas querem viver connosco porque sabem que precisamos de vender para ganhar a vida, como é claro, mas se estamos a recomendar aquela solução é porque, efetivamente, somos idóneos e honestos nessa recomendação.

Por exemplo, temos sete tipos de cálcio para sete tdiferentes de situações e chegámos ao ponto de recomendar um que não temos em stock. Se esse cálcio é o que é mais recomendado, então tem que ser é esse que mandamos vir. Normalmente, pelo que eu conheço, não se gerem empresas assim, porque quando se tem em stock é esse que se tem de vender. Não é o nosso caso.

O que desejo é deixar um legado, em que um dia mais tarde digam aos meus filhos: O vosso pai foi uma pessoa que nos ajudou muito e sempre fez um trabalho na honestidade, querendo fazer mais e melhor pelo setor primário.

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