Gui Caldas termina coordenação da Proteção Civil com balanço positivo de dez anos de missão

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Após dez anos em que assumiu a coordenação do Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) de Caldas da Rainha, Gui Caldas chega ao fim da sua missão, ao atingir a idade em que pôde reformar-se.

 

Aos 67 anos, licenciado em engenharia da proteção civil, com pós-graduação em higiene e segurança no trabalho e mestrado em riscos em incêndios urbanos, Gui Caldas faz um balanço positivo das funções que exerceu. “Ao olhar para trás, não vejo apenas dez anos de serviço. Vejo rostos, vejo sacrifícios e, acima de tudo, vejo a força de um coletivo que nunca recuou perante a adversidade. A Proteção Civil para mim nunca foi um cargo, mas sim uma vocação de entrega ao próximo”, manifestou.

“Durante a minha comissão de serviço, enfrentei vários desafios e ocorrências diversas, designadamente na Covid-19, onde consegui criar doze “covidários”, devidamente preparados para receber pessoas, quer em isolamento, quer em recuperação. E criou-se também dois hospitais de campanha, onde conseguimos garantir a presença de médicos e enfermeiros para receber os cidadãos de toda a região”, relatou.

Lembrou também que “em termos de valências, criámos um Centro Coordenador Operacional Municipal de Proteção Civil, munido de todas as ferramentas e valências, quer para tomadas de decisão, quer para dar resposta a situações de emergência, sendo que, durante a Covid-19, este foi o centro nevrálgico e estratégico de toda a decisão”.

“Nas comunicações de emergência, para além do Siresp e da ligação à Radioamadores do Centro Oeste, estamos também dotados de outro sistema municipal de comunicação via rádio, que é o único na região e que une todas as freguesias e agentes de proteção civil. Assim, conseguimos garantir eficiência e eficácia”, transmitiu Gui Caldas.

O coordenador cessante indicou que foram criadas doze Unidades Locais de Proteção Civil, uma em cada freguesia, por forma a garantir a proximidade às populações. Foram igualmente criadas duas Zonas de Concentração e Apoio à População, das quatro existentes no distrito, ou seja, dois locais de emergência, destinados a oferecer apoio e abrigo temporário a pessoas na sequência ou iminência de acidente grave ou catástrofe.

Foi implementado “um serviço de piquete de 24 horas para podermos dar respostas no imediato, independentemente do horário da ocorrência, pensando no bem-estar e nas necessidades dos munícipes”, referiu Gui Caldas, adiantando que foram adquiridas quatro viaturas de socorro.

Em relação a atividades, foi desenvolvido o projeto “Protege-Te”, dirigido à comunidade escolar, com o objetivo de dar a conhecer as várias valências da Proteção Civil.

Quanto à presença da vespa velutina no território, “além das inúmeras ações de sensibilização, com distribuição de armadilhas, o SMPC mantém um serviço regular de apoio à população, bastando um telefonema para ativar uma equipa especializada no combate a esta espécie invasora”.

Ainda nas atividades desenvolvidas pelo Centro Coordenador Operacional Municipal, “quero destacar que foram promovidos vários simulacros, coordenados pelo SMPC, com o objetivo de criar rotinas entre os vários agentes de Proteção Civil e aperfeiçoar procedimentos, nomeadamente, o primeiro exercício em Portugal de um atacante ativo em escola, um exercício de carjacking, envolvendo ameaça, um exercício de inativação de engenho explosivo, exercícios de incêndio florestal e de incêndio urbano, um exercício de naufrágio e outro de resgate em falésia, na Foz do Arelho”.

“Importa referir que, em todos estes exercícios, tivemos sempre a colaboração empenhada de todos os agentes de Proteção Civil, ou seja, a PSP, GNR, INEM, Unidade Local de Saúde, Cruz Vermelha Portuguesa, Polícia Marítima, Autoridade Marítima, Exército, Força Aérea Portuguesa e Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha”, descreveu.

Sobre os bombeiros, Gui Caldas deixa “uma nota muito especial de apreço e respeito”, vincando que “estiveram sempre presentes de corpo e alma em todas estas atividades, participando e dando contributos muito positivos para o sucesso dos exercícios”.

Deixando um agradecimento aos agentes de Proteção Civil pela cooperação, fez uma referência em particular aos seus operacionais, por serem “o coração desta organização”. Por último, mas não menos importante, uma palavra à família: “Peço desculpa pelas ausências, pelos jantares interrompidos e pela preocupação que, tantas vezes, levei para casa”.

Ao seu sucessor deseja “a maior das sortes e resiliência”. “Recebe uma equipa de excelência. Que as suas decisões sejam guiadas pela prudência e pela coragem”, expressou.

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