O almoço integrou a Unidade de Competências de Cozinha Internacional e juntou alunos dos cursos de nível 4 e 5, nomeadamente da turma de Gestão e Produção de Cozinha (GPC), composta por dez alunos. O projeto nasce da coincidência de unidades curriculares ligadas à cozinha internacional e pretende aproximar os estudantes de diferentes culturas gastronómicas através do contacto direto com profissionais convidados experientes em cozinha estrangeira, mas que habitam a região.
Segundo Daniel Pinto, diretor da EHTO, a iniciativa tem como principal objetivo trazer à escola “chefes, cozinheiros, pessoas do país que nos venham trazer esse conhecimento”. A ideia passa por transformar o restaurante pedagógico num “laboratório de ensaio e experimentação”, onde os alunos possam contactar com outras técnicas, ingredientes e formas de trabalhar.
O “Cozinha sem Fronteiras” arrancou este ano com a gastronomia da Geórgia, seguindo-se França e agora Ucrânia. Nas próximas semanas estão previstas sessões dedicadas a Itália, Nepal e Egito, entre outras.
Para os docentes, a mais-valia está na experiência prática. O chefe Ricardo Ferreira, da EHTO, explicou: “Eu consigo ensinar, faço o meu trabalho de pesquisa e ensino, mas a experiência é outra quando vem alguém que conhece efetivamente mais aprofundado o tema”, destacando que o contacto com profissionais externos é “estimulante” para os alunos e traz “outras maneiras de comunicar e mostrar as coisas”.
Tetiana Kuznietsova regressou à escola onde se formou para apresentar um menu composto por três pratos tradicionais. A entrada consistiu num paté de fígado de galinha com coulis de groselha e couve fermentada. O prato principal foi varéniki, uma massa recheada com puré de batata e cogumelos, acompanhada por molho de natas de cogumelos. Para sobremesa, serviu crepes recheados com requeijão e passas.
Durante a apresentação a chefe explicou também algumas tradições gastronómicas do seu país, como o uso de sementes de papoila em sobremesas e a preparação de compote, uma bebida feita a partir de fruta seca cozida, consumida quente ou fria, especialmente nos meses de inverno, que os presentes tiveram a oportunidade de provar, tal como alguns doces tradicionais ucranianos, comprados num minimercado ucraniano nas Caldas da Rainha.
Contou ainda tradições ucranianas antigas, como as mulheres oferecerem uma abóbora aos homens como maneira de rejeitar propostas de casamento e os “Motanka”, bonecos de pano que servem como taslimãs de proteção. Recordou também que o prato principal servido “é muito antigo” e é confecionado em várias regiões da Ucrânia, passando de geração em geração.
Os almoços do projeto “Cozinha sem Fronteiras” são abertos à comunidade, mediante reserva prévia junto da escola, e têm um preço fixo de 12,50 euros. A escola prevê continuar a dinamizar novas sessões ao longo das próximas semanas, mantendo o restaurante pedagógico como espaço de partilha entre alunos, profissionais e público.




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