90 anos da Revolta Popular de Peniche

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No dia 15 de novembro, dois dias depois do 90º aniversário da Revolta Popular de Peniche, terá lugar uma concentração, seguida de roteiro pelos locais desse evento, também conhecido por “Motim de Peniche” ou “Guerra das Espoletas”, uma das grandes lutas da resistência ao fascismo contra a repressão, a miséria e a fome.

 

Em novembro de 1935 houve um levantamento popular motivado pela perspetiva de prisão de 62 mestres de barcos e proibição de pesca durante um ano. Se as condições de vida eram sempre difíceis, sem trabalho, os pescadores, as conserveiras e suas famílias encaravam o agravamento da miséria: “Sem pesca, não há pão!” foi a palavra de ordem.

Concentrados na Praça Jacob Rodrigues Pereira, quando as camionetas se encontravam prontas para transportar os mestres para a cadeia das Caldas da Rainha, os sinos começaram a tocar a rebate, chamando a população à rua. O comércio e as escolas fecharam, as conserveiras aderiram à luta. A população invadiu os carros destinados ao transporte dos mestres na tentativa de impedir a sua transferência. A massa humana seguiu para o Portão de Peniche de Cima, barriu a estrada, cortando o trânsito, para impedir a saída das camionetas.

Na zona da Prageira (antigo Juncal) foram derrubados postes telefónicos e de telecomunicações, e cortados os fios. A GNR, reforçada com mais forças, vindas de outras localidades, reprimiu ferozmente estas acções, começando a disparar, matando a tiro o pescador Francisco Sousa e ferindo outros.

Após estes acontecimentos, a vila foi invadida por forças militares e outras forças da repressão (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado – PVDE, antecessora da PIDE), sendo decretado o “estado de sítio”. A PVDE realizou 45 prisões, sendo os presos enviados para a prisão do Limoeiro, em Lisboa.

Os presos foram os seguintes: Acácio Vagos Varina; Álvaro Ambrósio; Antero Pereira Teixeira; António Ceia; António Domingos Guincho; António Heitor; António Nobre “O Arsénio”; António Valnove Carvalho; Asselino Ginga; Augusto Santana Veloso; Carlos Leiria Júnior; Custódio Ramizo Soisinha; Domingos Mesquita “O Marreco”; Eduardo Vieira Simões; Francisco de Castro Gonçalves “O Farruca”; Francisco Leonardo Franco “O Carélia”; Idalino Gomes “O meia mão”; Inácio Eusébio; João Cupertino da Silva “João Vareia”; João Francisco Serpa “O João Vitória”; Joaquim André dos Santos; Joaquim de Jesus Godinho “O Guerra”; Joaquim Lares Couto; Joaquim Moura; Joaquim Nunes Carveiro; José Alves da Cruz “O Vienês”; José Amandio “José Mendonça”; José André Godinho “José da Gata”; José do Carmo Homem; José Domingos da Costa; José João; José Jaime da Cruz Varela; José Joaquim de Sousa Varela; José Luís Ferreira Brilha; José da Luz; José Madeira de Campos; José Maria Francisco; José Maria Ribeiro Borges; José do Rosário Serafim “José Catarino”; Luís de Sousa “O Lio”; Manuel Eusébio Serrano “O mala preta”; Manuel Eustáquio; Marcolino Eustáquio; Norberto Mota; Umberto Narciso.

Nos dias posteriores, o regime foi obrigado, pela força dos acontecimentos, e pela luta incessante da população, a libertar os mestres e os outros detidos e a permitir que os barcos pudessem ir ao mar. Foi também com esta jornada de resistência que se conseguiu que uma reivindicação antiga dos pescadores de Peniche fosse realizada: a construção do molhe Oeste.

Toda esta importante luta popular será comemorada no dia 15, a partir das 15h00. com organização da URAP – União dos Resistentes Antifascistas Portugueses e da Associação dos Amigos do Museu Nacional da Resistência e Liberdade.

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