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Mulheres da Dinastia de D. Leonor

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Somos as “Aventureiras da Leitura”, da associação Olha-Te, das Caldas da Rainha, e o nosso objetivo é relembrar a vida de mulheres que marcaram a história de Portugal, no âmbito da celebração do quinto centenário da morte da rainha D. Leonor.

Iniciamos esta aventura com D. Filipa de Lencastre (1360-1415), a bisavó. A princesa era loura de olhos azuis e pele pálida, disciplinada e religiosa, com uma veia de arquiteta, interessada em política internacional, relações comerciais, com conhecimentos em astronomia (trouxe o astrolábio para Portugal), boa diplomata, generosa e amada pelo povo.

Vem a Portugal para se casar com D. João I, Mestre de Avis e filho bastardo rei D. Pedro I. Eleito pelo povo, com a aliança luso-inglesa contra França e Castela, consegue o reconhecimento como rei de Portugal pelas casas reais europeias. Aconselhado a escolher esta princesa, já com 27 anos, pelos seus valores e qualidades, o casamento selou esta aliança.

A chegada da princesa não é fácil. O rei não a recebe de imediato, ocupado em guerras com Espanha, sendo o casamento realizado por procuração. Só passados seis meses, após a premissa do papa, libertando o rei das obrigações de Mestre de Avis, é que acontece o casamento real.

Os casamentos eram arranjados por questões políticas, mas este rei demonstra respeito e cuidado pela sua rainha, construindo uma base familiar segura, proibindo que a corte assistisse à noite de núpcias e dedicando três dias de passeio a sós com Filipa, para se conhecerem melhor.

O rei volta para as suas guerras e a rainha assume as tarefas dos palácios, alterando os locais a seu prazer, de acordo com os seus hábitos e confortos.

Foi uma rainha independente, com rendimentos importantes. Instalou lareiras em todas as divisões dos palácios, exigiu que as salas fossem usadas por todos sem distinção de sexos e que as refeições fossem sempre servidas quentes, encurtando distâncias entre cozinha e sala de refeições. Responsável pela constante mudança de palácio, o que permitia ao rei executar justiça em vários pontos do país, arrasta consigo haveres e corte.

Foram abençoados com oito filhos, sobrevivendo seis distintas personalidades da nossa história. Cultos, educados e respeitados:

– D. Duarte ajudou o pai a reinar desde os 18 anos, subiu ao trono aos 42 anos e morreu aos 47 anos;

– D. Pedro reinou enquanto o sobrinho era criança;

– Infante D. Henrique, “o Navegador”, a quem D. Filipa ofereceu o astrolábio, que tanto ajudou nas navegações e descobrimentos;

– D. Isabel casa com o Duque de Borgonha e irá influenciar muito a história de Portugal.

– D. João que será o avô materno da rainha D. Leonor;

– D. Fernando morre capturado em Tanger.

Filipa só se deslocou duas vezes ao seu país natal: pela morte de seu pai e coroação do novo rei. Morre aos 58 anos com peste negra em Lisboa e é sepultada no Mosteiro da Batalha.

Rainha querida do povo, impôs novos hábitos de trabalho à nobreza e uma educação mais abrangente para as meninas. Liderou os seus palácios sem temer a voz do rei.

Esta grande rainha deixou um exemplo e legado genológico importantíssimo que se verá exibido na sua bisneta, rainha D. Leonor, fundadora de Caldas da Rainha.

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