Os corpos dos três pescadores que estavam desaparecidos da embarcação que naufragou ao largo da praia do Samouco, no concelho da Marinha Grande, foram encontrados na sequência das operações de reflutuação da traineira, na manhã de dia 10 de julho, debaixo de diversas dornas (recipientes de grandes dimensões onde se coloca o peixe) no convés.
Os tripulantes da Estação Salva-vidas da Nazaré removeram os cadáveres do local, transportando-os para o porto da Nazaré, onde ambulâncias dos Bombeiros Voluntários da Nazaré e de Alcobaça fizeram o transporte do Instituto de Medicina Legal de Leiria, para a realização da autópsia.
A descoberta dos corpos de Filipe Julião, de 31 anos, de Paião, Figueira da Foz, José Jacinto, de 58 anos, e Eugénio Pata, de 62 anos, naturais da Praia da Leirosa, na Figueira da Foz, encerrou um capítulo nesta trágica ocorrência, permitindo às famílias realizar os funerais dos entes queridos, tal como já tinha acontecido com os outros três pescadores mortos, retirados do mar logo no primeiro dia de buscas – Joel Reboca, de 42 anos, de Lavos, José Garcia, de 52 anos, de Buarcos, e Jorge Evangelista, de 54 anos, da Figueira da Foz.
O naufrágio ocorreu na madrugada do passado dia 3, entre São Pedro de Moel e a Praia da Vieira. Os restantes onze tripulantes foram salvos.
O alerta foi recebido pelo Comando-local da Polícia Marítima da Nazaré às 04h33, dando conta que a traineira “Virgem Dolorosa”, com 24 metros de comprimento e oriunda do porto da Figueira da Foz, tinha virado, ficando com o casco voltado para cima, a cerca de uma milha náutica da costa (perto de dois quilómetros).
Começaram então as operações de busca e salvamento, através de cinco embarcações de pesca que se encontravam nas proximidades, que recolheram os tripulantes, menos três, que desapareceram. Os pescadores que seguiam no barco, com idades compreendidas entre os 23 e os 65 anos, são da Figueira da Foz, havendo dois tripulantes da Indonésia, que foram resgatados com vida. Alguns dos tripulantes resgatados tiveram de receber tratamento hospitalar. O ferido mais grave no naufrágio, de 57 anos, foi levado para os Cuidados Intensivos do Hospital da Universidade de Coimbra, com problemas respiratórios.
Foram empenhados diversos meios, como o navio de patrulha oceânico Setúbal e a lancha de fiscalização rápida Cassiopeia, ambos da Marinha Portuguesa, embarcações da Estação Salva-vidas da Nazaré, Peniche e da Figueira da Foz, uma equipa de vigilância aérea com drone da Polícia Marítima da Nazaré e duas aeronaves da Força Aérea Portuguesa (o avião C295 e o helicóptero Koala).
No local estiveram ainda elementos do Projeto “SeaWatch”, da Autoridade Marítima Nacional, apoiados por duas viaturas Amarok, o Grupo de Mergulho Forense da Polícia Marítima e o Destacamento de Mergulhadores Sapadores n.º 2 da Marinha Portuguesa, cada uma destas duas equipas com seis mergulhadores, elementos da Polícia Marítima da Nazaré e dos bombeiros.
Foram feitas pesquisas intensas ao longo da costa e foram igualmente visionados quase todos os compartimentos no interior da embarcação, mas os três pescadores desaparecidos só acabariam por ser encontrados no dia 10, quando houve acesso total. Está a decorrer um inquérito de sinistro marítimo para apurar o que provocou o naufrágio.




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