A notária Carla Serra, proprietária do CrossFit Lusíadas, que está situado na Rua da Indústria, foi no passado dia 20 à sessão da Assembleia Municipal (AM) das Caldas da Rainha em representação de todos os proprietários de empresas naquela rua expor os “constrangimentos devido àquele troço não estar alcatroado”.
Segundo apontou, as empresas encontram-se fortemente condicionadas pelo “troço de terra batida que por coincidência ou não, o mais curto e rápido a ligar a Estrada Atlântica à estrada velha da Foz, é consequentemente aquele que, com toda a lógica, os GPS indicam como o melhor caminho a utilizar pelos condutores”.
“Ora, quem se dirige à Rua da Indústria pela Estrada Atlântica, atravessando o referido troço e aí arriscando a viatura em buracos e pinhais sinuosos que convidam ao cair da noite a que se juntem carros em transações menos recomendáveis, não suspeita nem imagina à partida que na Rua da Indústria estão sediadas pelo menos mais de 10 grandes empresas da cidade e que juntas empregam algumas centenas de pessoas”, disse a porta voz dos empresários.
Carla Serra revelou os nomes das empresas que têm a suas instalações na Rua da Indústria, “como a Lealmat, Aki Del Mar, ConserCaldas, Cofralusa, Secil Betão/Unibetão, Inspeções Auto Caldense, Crossfit Lusíadas, Pragosa Betão, IMM-Indústria Mobiliário Metálico, Obiperfil, entre outras, e só aqui nomeei 10”.
“A maioria destas empresas dedica-se nas suas áreas de atuação à exportação/importação e diariamente recebe nos seus espaços veículos pesados de mercadorias internacionais para carregar ou descarregar”, declarou.
A notária disse que sem exceção os “motoristas são orientados pelos seus GPS a dirigirem-se à Rua da Indústria pela Estrada Atlântica e aí virarem pelo troço de terra batida porque, afirmou, “é o troço mais curto”.
“Variadas vezes, não continuam e circulam às voltas perdendo tempo e dando tempo a perder às empresas que necessariamente acabam por ter de os ir buscar a algum lado”, adiantou.
A representante dos empresários da Rua da Indústria referiu ainda que quando aí chegam, pelo troço de terra batida, “fica desde logo a apresentação da cidade feita e não no bom sentido, o que muito nos entristece”.
“Não é este o cartão de visita que pretendemos dar aos nossos clientes e fornecedores”, salientou.
Acresce que “somos todos empresas fortes e a maioria líderes nos respetivos setores e juntos faturamos e produzimos muito valor que deixamos na cidade”, referiu.
Carla Serra afirmou que querem acreditar que o Município “não considera que o facto de termos sido capazes de produzir e gerar valor com uma estrada batida seja sinal de que não precisamos sequer de uma alcatroada”. “É que pudéssemos nós ter condições mínimas, quanto não faríamos”, acrescentou.
A proprietária do Crossfit Lusíadas referiu ainda que querem acreditar que o Município “não se esqueceu que o saneamento ficou esquecido e parado no n.º 31 da Rua da Indústria e que o n.º 33 diariamente serve mais de trezentos atletas em instalações acima da média para o concelho, apesar de não ter ligação à rede pública”.
“Não pedimos nem solicitamos qualquer favor ou subvenção. Não, porque não sabemos trabalhar assim”, mas “pedimos as infraestruturas básicas de uma sociedade civilizada, uma estrada e saneamento”.
A responsável realçou que fizeram esta exposição “enquanto cidadãos e empresários livres, apartidários, sem qualquer agenda e muito menos com qualquer intenção que não seja a de resolver o nosso assunto específico, que já é, aliás, largamente conhecido de anteriores executivos municipais e que nunca logrou obter qualquer solução”.
Carla Serra deixou um especial “reconhecimento e agradecimento à sra. presidente da Junta de Freguesia do Nadadouro, que incansavelmente tenta remediar os buracos e melhorar o pavimento do troço, ainda que a duração seja efémera”.
Resposta da Assembleia Municipal
Em resposta a Carla Serra e a todos os empresários que veio representar, o vice-presidente da autarquia, Joaquim Beato, que na AM substituiu o presidente Vitor Marques (por estar doente), disse que a Rua da Indústria tem um problema que está em estudo, que é um traçado que tem que ser alterado e que tem um “problema de cotas”. “Tem um obstáculo de enquadramento de projeto do traçado do perfil longitudinal e estamos a tentar encontrar soluções”, explicou o autarca, acrescentando que “o estudo está em curso”.
Segundo Joaquim Beato, é também um problema de enquadramento orçamental, porque é um investimento superior a 1 milhão e 200 mil euros.
O vice-presidente garantiu que é “uma situação premente”, comprometendo-se “a marcar uma reunião com os empresários da Rua da Indústria e os técnicos no local para perceberem o problema”.
“Fica aqui o compromisso de estudar a melhor situação e desafio a presidente de Junta do Nadadouro, Alice Gesteiro, no sentido de conjuntamente nos comprometermos a encontrar uma relação de identificação dos proprietários e conversarmos para termos o melhor traçado”, adiantou.
Jaime Neto, do PS, lamentou que a Zona Industrial tenha “uma rua que não serve ao trânsito de veículos pesados”.
Considerou que o comércio e serviços das Caldas têm que ter “uma base Industrial forte para que tenhamos indústrias que contribuem para o nosso desenvolvimento social e económico”, pelo que “merece uma resposta rápida”.
O deputado municipal António Curado, do Vamos Mudar, recordou que da Rua da Indústria já anteriormente foi “aqui discutida” e espera que possa vir a ter uma “resolução rápida”.
Paulo Espírito Santo, do PSD, disse que o anterior executivo estaria a avaliar “uma solução de saneamento, mas não o concluiu”. “Estaria também agilizar a aquisição de terrenos para conseguir finalizar o traçado e por força das eleições também não conseguiu concluir”, contou, acrescentando que a Zona Industrial “precisa de requalificação”.
“O facto do GPS mandar veículos pesados para aquele traçado leva depois os mesmos para zona de residências”, concluiu.




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