Do debate organizado pela Associação de Estudantes em colaboração com a subdiretora do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, Teresa Mendes, resultaram respostas a temas como o da habitação, racismo, casas de banho mistas na escola, falta de professores, combate à discriminação, entre outros, levantados pelos jovens.
O debate, que teve a duração de duas horas, foi para a maioria “esclarecedor” e os alunos perceberam que “em democracia o diálogo, o debate, é a premissa primeira”.
Segundo Teresa Mendes, a iniciativa surgiu porque “os alunos têm demonstrado muitas dúvidas e muitas questões relativas à atividade política e aos partidos”.
Antes das questões a moderadoras que fazem parte da Associação de Estudantes pediram aos políticos para se apresentarem e contarem com que idade entraram no partido e porquê essa escolha.
O primeiro a responder foi o deputado Gabriel Mithá Ribeiro, natural de Moçambique, que vai voltar a ser o cabeça-de-lista do Chega pelo círculo eleitoral de Leiria, distrito pelo qual foi eleito nas legislativas de 2022.
Contou que entrou no partido já acima dos 50 anos. Revelou que teve um percurso pelo PSD e que entrou no Chega por achar que havia uma necessidade de “uma reforma profunda da sociedade portuguesa”.
Mithá Ribeiro desafiou os jovens a não se inibirem e a fazer perguntas “puras e duras relacionadas com o racismo e xenofobia”. “E digo isto porque há um problema identitário que atinge o Partido Chega porque foram os outros que decidiram que o Chega é um partido racista, antidemocrático e fascista e nós não temos tido espaço para explicar pela nossa própria voz aquilo que somos”, manifestou.
Miguel Silvestre, natural de Alcobaça e diretor do Parque Tecnológico de Óbidos, é o cabeça-de-lista da Iniciativa Liberal (IL) pelo círculo de Leiria.
Entrou na IL há cerca de quatro anos, porque foi neste partido que encontrou o “enquadramento político, pessoal e social no qual eu me revejo”. “Para sermos um país ao nível dos melhores da Europa, no ponto de vista de desenvolvimento económico, precisamos de libertar a nossa sociedade e a nossa capacidade de tomar decisões”. “Temos uma visão menos paternalista do Governo, que não é a entidade que vai resolver todos os nossos problemas”, contou.
Do lado do PS esteve o bombarralense Jorge Gabriel Martins, advogado e deputado no parlamento eleito pelo círculo eleitoral de Leiria. A sua participação política iniciou-se há mais de 30 anos a nível local. “Quando foi o 25 de Abril eu tinha 8 anos mas já tinha noção daquilo que se passava e fui sempre criado na representação dos valores humanistas de uma sociedade fraterna, de liberdade, de solidariedade e de afirmação do individuo, e foi no Partido Socialista que encontrei estes valores”, contou.
Luís Caixeiro, natural do concelho de Alcobaça, membro do Comité Central do PCP, disse que é do partido desde os vinte anos. “Quando aderimos a um partido de forma consciente, aquilo que estamos a fazer é tomar uma parte maior ou menor da sociedade e lutar por princípios mais justos”, afirmou.
“O Partido Comunista foi o que se empenhava mais na defesa dos meus interesses enquanto jovem, que era uma escola pública, estabilidade no posto de trabalho, médico do Serviço Nacional de Saúde”, vincou.
O PCP juntava ainda um projeto de “uma sociedade mais justa, liberta da exploração do homem pelo homem”.
O caldense Carlos Ubaldo, professor de filosofia, foi o candidato pelo Bloco de Esquerda (BE) à Câmara das Caldas da Rainha nas últimas eleições autárquicas.
“Foi por dizer e defender sempre a verdade que já um pouco tarde decidi associar-me ao BE”, indicou. “Esse é o valor mais importante para se estar na política. Olhar as pessoas nos olhos e dizer a verdade. Eu não faço política pelas redes sociais e porque há televisões que só mostram aquilo que é conveniente”, referiu. “O compromisso para com os outros e com o futuro”, foi o que o incentivou mais a entrar na política.
O docente considerou que esta geração “é muito menos progressista e aberta do que aquelas que já existiram”. No entanto, alegou que a sociedade “é cada vez mais inclusiva, sem estigmas, sem preconceitos, onde verdadeiramente todos têm lugar”.
Do PSD foi convidado o caldense Hugo Oliveira, que é deputado na Assembleia da República e presidente da Distrital de Leiria do PSD e novamente número 2 da lista de candidatos a deputados da Aliança Democrática pelo círculo eleitoral de Leiria.
Contou aos alunos que se licenciou em direito e que está a tirar o doutoramento em Ciência Política. Iniciou na política aos 14 anos depois de ler alguns programas eleitorais que o fez enveredar pelo PSD. Foi também a visão social-democrata de Francisco Sá Carneiro que o fez ser militante do PSD.
Como autarca há mais de vinte anos nas Caldas da Rainha e deputado no Parlamento desde 2019, alegou que “todos fazemos política de alguma forma”. “A diferença que qualquer um de nós tem convosco é o sentido de responsabilidade que nós temos ao assumir a função”, sublinhou.
A importância do “humanismo” é o valor que o leva a estar na política, revelando que “o respeito e sentido crítico é fundamental”.
Discriminação foi um dos temas discutidos
Mithá Ribeiro foi questionado sobre como vai defender o direito às minorias e combater a discriminação. O candidato do Chega respondeu que “é discutir estes fenómenos abertamente e não aceitar ideia pré-fabricadas”. Defende que a questão racial é “um fenómeno grave de alienação mental que anda por aqui”.
Também ao elemento do Chega foi pedido para comentar as acusações racistas, nomeadamente contra a etnia cigana, feitas pelo partido. “Nós assumimos que somos liberais porque a crítica social livre regula melhor as nossas vidas do que o Estado através das leis. Temos que ter liberdade de criticar os outros com toda a liberdade e é nesse sentido que a comunidade cigana entra no discurso do Chega”, salientou. “A crítica social livre é a melhor forma de nós regularmos os nossos comportamentos e é a fonte do nosso progresso”, adiantou.
Sobre o tema da discriminação Miguel Silvestre disse que “somos todos iguais perante a lei e isso é que deve ser aplicado”. Considera que os problemas preocupantes são “estes jovens aqui que estão condenados emigrar”.
O elemento do PS referiu que defende “uma sociedade mais justa com mecanismos de justiça social que ajudem a resolver esses problemas”.
“No PCP somos contra as minorias dos grandes grupos económicos e somos a favor da maioria que vive com menos de mil euros por mês”, afirmou Luís Caixeiro.
O elemento do BE clarificou que foi divulgado um estudo em que o Chega é um dos partidos com mais tempo de antena. Criticou a ideia de Mithá Ribeiro que a “livre crítica é possível, independentemente da lei”.
Já o candidato do PSD disse discordar com a intervenção do candidato do Chega. “A discriminação existe em tudo que nos rodeia e temos que ter bom senso para criar uma sociedade justa”, salientou. Considerou que uma política correta de imigração é dizer que “é possível e precisamos desses imigrantes em Portugal mas têm que vir com condições”.
Quanto à crise da habitação, Miguel Silvestre defendeu uma diminuição dos impostos, redução do IVA da construção e tornar o mercado de arrendamento mais interessante.
Jorge Gabriel Martins recordou o orçamento do Governo, que “contempla um reforço nos apoios ao arrendamento”.
Luís Caixeiro criticou a “prestação da casa a aumentar sem fim à vista” e os lucros dos bancos.
Carlos Ubaldo disse que o BE apresenta um pacote de 14 propostas para combater a crise na habitação.
Já Hugo Oliveira disse que o PSD defende um pacote de propostas que “cria oportunidades e incentivos à construção e dá estabilidade e segurança às famílias, jovens e idosos”.
Mithá Ribeiro declarou que o partido defende um aumento da construção de novas habitações e incentivos fiscais.




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