Incluir a Língua Gestual Portuguesa ao currículo escolar obrigatório e tornar disponível a disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM) a todos os alunos provenientes de países lusófonos são duas das principais propostas apresentadas por uma lista de alunos da escola secundária Rafael Bordalo Pinheiro ao “Parlamento dos Jovens”.
A lista P (pela pluralidade) promoveu no dia 9 uma sessão de apresentação da sua candidatura, no auditório Professor Paulo Vasques, para o qual foram convidados vários palestrantes a falar sobre a sua experiência, nomeadamente ao nível do ensino especial e da inclusão.
O programa “Parlamento dos Jovens” é uma iniciativa da Assembleia da República dirigida aos jovens dos 2º e 3º ciclos do ensino básico e secundário.
Os seus objetivos passam pelo estímulo pelo gosto pela participação cívica e política, promover o debate democrático e proporcionar a experiência de participação em processos eleitorais, entre outros.
Para este ano letivo, no ensino secundário, foi proposto que os jovens trabalhassem o tema: “Viver Abril na Educação: caminhos para uma escola plural e participativa”.
Os três candidatos da lista P são Martim Rocha, Manuel Monteiro e Francisco Rêgo.
Segundo Martim Rocha, presidente da lista, apesar de serem só três candidatos, foi constituído um grupo de dez alunos que abordou o tema proposto e entendeu que seria importante falar não só da inclusão dos migrantes, mas também dos que têm necessidades especiais.
“Penso que há muitas listas a falar sobre a questão dos migrantes, o que é importante, mas também quisemos falar dos alunos com necessidades especiais”, referiu o candidato.
Querem agora passar todas as etapas deste programa para poderem apresentar as suas propostas, em maio, no Parlamento dos Jovens que irá ter lugar na Assembleia da República.
Numa das sessões deste dia, o professor Daniel Mendes contou sobre a sua experiência enquanto migrante a dar aulas em Portugal.
Professor de filosofia, Daniel Mendes decidiu sair do Brasil quando Bolsonaro venceu as eleições para a presidência daquele país e vir para Portugal fazer um doutoramento. O docente acabou por ficar a dar aulas e está atualmente na Bordalo Pinheiro.
Depois de ter abordado o seu processo de adaptação em Portugal, Daniel Mendes salientou que ao estar fora do seu país sentiu-se mais brasileiro do que antes.
Está a tentar conseguir aprender a falar o português de Portugal para entender e fazer-se entender melhor. No entanto, “isso não significa que vou abdicar da minha cultura”.
No início da sessão foi apresentado o filme “Salgueiro Maia: o Implicado” sobre o capitão de Abril e o seu papel na revolução de 1974.
Houve ainda uma sessão com a professora Joana Rosa, que é surda e aprendeu a falar. Perante uma plateia atenta, a professora contou a sua experiência desde a infância. O tema da inclusão continuou a ser discutido durante a tarde com Diana Costa, professora de Língua Gestual Portuguesa, a aluna Ana Catarina e Estela Morgado, coordenadora do Ensino Especial no agrupamento.




0 Comentários