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Última alfaiataria de Peniche fechou com exposição após 60 anos de atividade

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A última alfaiataria de Peniche encerrou após 60 anos de atividade, uma vez que o proprietário, Eduardo da Silva, aos 84 anos decidiu despedir-se do ofício, tendo sido realizada uma exposição do seu percurso no ateliê que tinha na Rua José Estêvão, nº50, na esquina com a Rua Elias Garcia, próximo do centro da cidade.
O alfaiate Eduardo da Silva despediu-se do ofício ao qual dedicou mais de 70 anos da sua vida

A última alfaiataria de Peniche encerrou após 60 anos de atividade, uma vez que o proprietário, Eduardo da Silva, aos 84 anos decidiu despedir-se do ofício, tendo sido realizada uma exposição do seu percurso no ateliê que tinha na Rua José Estêvão, nº50, na esquina com a Rua Elias Garcia, próximo do centro da cidade.

A mostra, que decorreu nos dias 21 e 22 de outubro, foi dinamizada por Carolina Trindade, designer de moda que passou alguns meses na sua alfaiataria a aprender esta arte, com a colaboração de Pedro Mourinha na exposição multimédia.

Foi uma forma de homenagear a sua arte, em que se dedicou a fazer roupa por medida para homem, mulher e criança.

Eduardo da Silva deixa a atividade “por motivos de saúde”, os mesmos que o levaram ao centro de dia, onde desde há umas semanas passa os seus dias, relatou a agência Lusa.

Um acidente aos 7 anos afastou Eduardo da Silva do sonho de ser pescador, como o pai, e aos 11 anos fez “a vontade à mãe”: ser aprendiz de alfaiate e seguir a profissão do irmão mais velho, contou.

Aos 15 anos começou a trabalhar, passando por mais uma outra alfaiataria e, 10 anos depois, deu seguimento ao negócio do então patrão e abriu a sua alfaiataria, empregando quatro costureiras e duas aprendizes.

“Naquela altura havia umas 4 ou 5 em Peniche”, disse, acrescentando que nesse tempo “havia muito trabalho”.

A dedicar-se de início a confecionar calças e casacos para homens, “chegou a fazer 14 calças por semana”.

Quando as mulheres começaram a usar calças, na década de 60 do século passado, acompanhou a evolução dos tempos e alargou o negócio à moda feminina, confecionando calças, saias e casacos para elas.

“Quando me apareceu a primeira mulher a querer mandar fazer umas calças, fiquei apreensivo, mas tirei-lhe as medidas como se fosse um homem e comecei a ter ainda mais trabalho”, recordou o alfaiate.

A publicidade ia de boca em boca, os clientes traziam outros clientes e o negócio foi florescendo.

Mesmo depois de reformado, foi mantendo aberta a sua alfaiataria, que agora a idade e a saúde o obrigaram a encerrar há poucas semanas.

Carolina Trindade, que tem vindo a pesquisar sobre métodos de fabrico de vestuário antigos e mais sustentáveis, conheceu o alfaiate nesse contexto.

Segundo relatou, no decorrer deste ano trabalhou com Eduardo da Silva e sem que estivesse à espera, em setembro, o alfaiate fechou as portas do seu ateliê.

“Em homenagem aos seus 70 anos de ofício, criámos uma instalação como gesto de celebração. Um convite a entrar no seu mundo, um lugar que parou no tempo e que se mantém intacto há 60 anos”, vincou.

Com a exposição procurou “homenagear o senhor Eduardo, chamar a atenção para os ofícios que vão desaparecendo e mostrar todo o trabalho por detrás de uma peça de roupa”.

A mostra foi composta por fotografias da vida profissional deste alfaiate, peças de vestuário por si confecionadas, um documentário alusivo à sua vida, desenhos dos modelos das peças de vestuário, anotações, máquinas de costura, vídeos e áudios das muitas histórias que viveu.

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