Q

Autista escreveu livro sobre a sua condição

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
A vida como autista é o tema do livro que Sérgio Silva, funcionário do Centro de Apoio Social (CAS) do Nadadouro, escreveu e para o qual precisa de apoios para poder publicar.
Sérgio Silva ladeado por Diana Martins e Alice Gesteiro, respetivamente, diretora técnica e presidente do Centro de Apoio Social do Nadadouro

A vida como autista é o tema do livro que Sérgio Silva, funcionário do Centro de Apoio Social (CAS) do Nadadouro, escreveu e para o qual precisa de apoios para poder publicar.

O transtorno do espectro autista (TEA) uma perturbação do neurodesenvolvimento que se carateriza por dificuldades na comunicação e interação social. No caso do autor, o seu grau é considerado “muito leve”.

“Não influencia ou é um impedimento para o tipo de trabalho que realizo, pois faço as mesmas tarefas que as outras pessoas ditas ‘normais’”, salientou.

Há uns anos, foi entrevistado num programa de televisão e uma amiga incentivou-o a escrever o livro sobre a sua experiência. Sérgio Silva já tinha um blogue onde escrevia sobre autismo. Deu início a essa missão, mas após algum tempo acabou por desistir. Só durante a pandemia, voltou a escrever.

“Durante esse tempo fui incentivado por um grupo de amigos do autismo de que faço parte através da internet. Comecei a reescrevê-lo. Com motivação, satisfação, bastante interesse e concentração, finalmente consegui acabá-lo”, indicou.

Na sua opinião, “este livro vai fazer toda a diferença e ajudar muita gente que passa ou passou pelo mesmo”. É também direcionado para aquelas pessoas que desconhecem esta realidade, “não sabendo lidar connosco e a quererem ‘arrumar-nos num canto’”.

Natural da África do Sul, Sérgio Silva foi viver para Mirandela com nove anos e saiu de lá com 37 anos, tendo vindo morar para Óbidos em 2014.

No CAS do Nadadouro, onde é auxiliar dos serviços gerais, encontrou um local de trabalho que o faz feliz.

Nem sempre foi assim, porque quando vivia em Mirandela, a sua condição não era compreendida. “Tornou-se num fardo muito pesado para carregar sozinho, o que me obrigou a deixar tudo para trás. Vim à procura do meu sonho, que era arranjar um trabalho onde me sentisse completamente integrado e feliz”, contou.

“Ao contrário de algumas pessoas, que no passado não me compreendiam, aqui consegui uma abertura numa instituição onde fui acarinhado por todos e onde me sinto completamente integrado em todas as atividades, quer nas laborais ou mesmo pós-laborais”, revelou.

Ainda recentemente, quando celebrou os 46 anos, os seus amigos e amigas prepararam-lhe uma festa.

Sérgio Silva faz ainda parte de um rancho folclórico, “que funciona como uma espécie de terapia para mim, onde me são proporcionados momentos de grande alegria e descontração” e também é voluntário de entidades como o Banco Alimentar do Oeste.

Quer agora sensibilizar as pessoas para que seja feito um trabalho de preparação “para nos aceitarem e acolherem”, sem que sintam qualquer complexo de culpa. Nas Caldas da Rainha, teve a sorte de ser apoiado pelo Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor. “Foi lá onde fui formado para trabalhar nesta área e confesso que fui bem preparado por uma vasta equipa durante três anos”, afirmou, salientando que é importante que isso aconteça também durante o período escolar.

O livro pretende contar a sua vida e “as vitórias que conquistei, as derrotas, enfim, aspetos bons ou menos bons na vida de uma pessoa que sofre de autismo”.

Sérgio Silva procura agora patrocínios para que possa avançar para a publicação da sua obra, para depois poder também percorrer o país a divulgá-lo.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados