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Saúde mental: uma pandemia invisível

Catarina Santos, militante da JSD Caldas da Rainha

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A pandemia veio ajudar a desmistificar um tema que, infelizmente, sempre foi tratado como um tabu na nossa sociedade. Esse tema é a saúde mental, e é importante falar abertamente sobre ela pois são muitas as pessoas que cada vez mais sofrem em silêncio, talvez por vergonha, por medo de serem alvo de exclusão social, preconceito, por considerarem que as suas emoções são um sinal de fraqueza. Tudo isto dificulta a procura de ajuda, pelo que é crucial combater desde já o estigma que a doença mental tem inerente.
Catarina Santos, militante da JSD Caldas da Rainha

A febre, a tosse seca e a falta de ar são sintomas que todos conseguimos “ver” e associar a este novo vírus, no entanto, a depressão, a ansiedade e a angústia são alguns dos sintomas “invisíveis” associados a perturbações da saúde mental que não devemos ignorar. É inegável que o confinamento, o distanciamento físico, a incerteza no futuro e o medo que a pandemia trouxe, teve e tem repercussões na saúde mental de todos pois, obrigados a ficar confinados em casa, fomos também obrigados a reajustar a vida. Muitos jovens viram os seus sonhos e planos adiados, outros perderam os seus empregos, e o isolamento já tão presente na vida dos mais idosos aumentou em consequência de muitos dos serviços dos quais dependiam serem interrompidos. E, além de todos estes, é importante mencionar os que estão na linha da frente, que, sujeitos a longos turnos de trabalho, lidam ao longo dos dias com a pressão, o medo, o cansaço e a solidão por estarem afastados das suas famílias.

Todo este aumento de mortes a que temos vindo a assistir torna essencial abordar o luto, pois se em circunstâncias normais já seria traumático passar pela perda de um ente querido, em tempos de Covid todo este processo é ainda mais avassalador. O isolamento a que a Covid-19 nos obriga faz com que muitos não tenham com quem partilhar a sua dor, algo que é essencial para quem passa por esta situação. Não há missa, não há velório, o caixão vai fechado, não há palavras de despedida, não há abraços, e só resta um nó na garganta por não ter estado presente naqueles que foram os últimos dias de vida dos familiares. Tudo isto cria sentimentos de culpa, angústia e desespero, pelo que é fundamental ter o acompanhamento devido nestas situações.

Com o início da vacinação surgiu um sentimento de esperança, como se esta vacina fosse “uma luz ao fundo do túnel”, no entanto, não existe uma vacina que salve a crise económica em que o país está a mergulhar, pelo que devemos estar conscientes de que a pandemia vai deixar um longo rastro de destruição a diversos níveis, e que para que a economia recupere é necessário que as pessoas também recuperem a nível psicológico. Existem, assim, para o efeito e adaptadas à situação pandémica, várias linhas telefónicas dispostas a prestar auxílio a quem se sente mais perturbado, ansioso, aflito ou assustado nesta fase, pelo que apelo à pesquisa, ao diálogo e à procura de ajuda por quem a necessita pois estamos todos “no mesmo barco”.

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