As pessoas com diabetes são consideradas um grupo de pacientes de alto risco para Covid-19, com um risco aumentado de hospitalização e de tratamento intensivo com resultados graves e maior mortalidade.
Os dados dos primeiros meses de 2020, que resultam, maioritariamente, de populações de doentes hospitalizados, sugerem que a maioria das pessoas com Covid-19 têm outras doenças associadas, sendo as mais frequentes a diabetes, a doença cardiovascular e a hipertensão. Sabe-se, também, que o risco de um resultado fatal da infecção por Covid-19 é 50% mais elevado em pacientes com diabetes, do que naqueles que não têm diabetes.
Mas porque aumenta a incidência e a gravidade da infecção por Covid-19 em diabéticos? Em geral, as pessoas com qualquer tipo de diabetes, apresentam um risco aumentado de infecção devido a defeitos na imunidade inata que afetam a fagocitose (principal mecanismo celular para remover as bactérias e vírus), a quimiotaxia (movimentos direcionados das células contra os agentes agressores) de neutrófilos e a imunidade mediada por células. A hiperglicemia cronica, ao prejudicar estes mecanismos de defesa imunitária, torna as células vulneráveis ao efeito inflamatório e prejudicial do vírus, entre múltiplos outros mecanismos. No entanto, a alta frequência de diabetes em casos graves de Covid-19 pode, também, refletir a maior prevalência de diabetes tipo 2 em pessoas mais velhas. Além disso, a diabetes na idade avançada está associada a doenças cardiovasculares, o que por si só, poderia ajudar a explicar a associação com maior número de desfechos fatais da Covid-19.
Os estudos também mostraram que a Covid-19 está associada à hiperglicemia, particularmente, em idosos com diabetes tipo 2. Sabemos que as tomadas de decisão clínica na gestão diária da diabetes já são complexas, mesmo em circunstâncias normais, pelo que é, fortemente, recomendável que as orientações das autoridades de saúde (Direção Geral de Saúde) e das instituições representativas dos doentes (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, Ordem dos Médicos, entre outras), sejam seguidas, de forma a assegurar a prevenção primária da doença no contexto comunitário.
O comportamento preventivo das pessoas com diabetes deve ter como foco o melhor controlo possível da glicemia, representando, atualmente, um maior imperativo, face ao crescimento do número de novos casos que se tem verificado a nível nacional.
Há evidências de que os níveis de adesão dos doentes crónicos aos seus planos de tratamento, que incluem a tomada das medicações e a manutenção dos hábitos de vida saudáveis, foram reduzidos, significativamente, durante e após o confinamento. Esses fatores trouxeram consequências para as pessoas que vivem com diabetes, bem como para pessoas com outras doenças crónicas. Por exemplo, de acordo com uma avaliação do CDC – Centros e Controle e Prevenção de Doenças, nas 10 semanas após a declaração da emergência Covid-19 nos EUA, as visitas aos Serviços de Urgência diminuíram 10% para as descompensações hiperglicémicas. Uma vez que os pacientes diabéticos têm maior risco de desenvolver complicações, caso sejam infectados pelo coronavírus, e que a diabetes, principalmente se descontrolada, aumenta o risco para formas graves da Covid-19, manter o acompanhamento médico é extremamente importante para conseguir um melhor controlo da doença. Um bom controlo da diabetes, literalmente, significa uma redução do risco de contrair a doença e, no caso de a contraírem, de terem uma evolução mais favorável.
Estas evidências, destacam, pois, a necessidade dos profissionais de saúde encorajarem os pacientes com diabetes a não descurar os comportamentos saudáveis e a tomada regular das medicações e a não adiarem as suas consultas/teleconsultas, para garantirem o controlo ideal da glicose no sangue e reduzirem a incidência de complicações. Também não devem hesitar em recorrer aos Serviços de Urgência em caso de sintomas agudos como dor no peito, diminuição da força muscular nos membros, ou queixas de outros órgãos que não resolvem espontaneamente.




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