Situada próximo da ESAD.CR (Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha), a “Casa da Coruja” surge da vontade de duas sócias, Mónica Marques e Ana Ferreira, “em querer fazer algo diferente” da área que estavam a trabalhar. Nesse sentido, “começámos a procurar espaços nas Caldas que tivessem uma dinâmica e um espaço exterior para desenvolver o nosso projeto, que inicialmente estava direcionado apenas para o comércio de produtos didáticos. Então pensámos nesta casa, que era de um familiar e que tinha tudo isso que ambicionávamos”.
O espaço foi todo remodelado durante um ano e meio e abriu portas há cerca de dois meses, apesar de estar pronto desde abril. “Com a pandemia não deu para inaugurar antes a casa”, confessou Mónica Marques, adiantando que decidiram abrir o espaço apenas em setembro, porque “sabemos que o regresso às aulas significa novas rotinas, mudanças e muitas vezes “ginástica” de horários, e nós estamos cá para ajudar”.
A habitação foi transformada numa “típica casa da aldeia” e agora conta com três salas de apoio ao estudo, equipadas com materiais recicláveis, e uma copa, “onde os miúdos podem trazer a comida e aquecê-la”. Também o espaço exterior foi “todo criado de raiz”. Esse “espaço polivalente” alberga um telheiro com churrasqueira interior, jardim com árvores de fruto, um campo de futebol, baloiços, e futuramente, ”quem sabe, uma horta e um espaço para animais”.
Os muros do espaço exterior também foram alvo de uma intervenção de dois amigos, Sabina Louro e Marcos Martos, do Magos Studio, “que não podiam entender melhor o que nos ia na alma quando lhes lançámos um desafio”. “Apesar de ainda não estar terminado, devido à pandemia, o mural conta a história do nascer do dia numa floresta imaginária”, explicou.
Neste momento, a “Casa da Coruja” presta apoio diariamente ao estudo “after e before school” a cinco crianças do concelho. “Podemos escolher entre deixá-las dentro da bolha, e ainda que o façamos querendo protegê-las, fragilizar ainda mais os seus sistemas imunitários, ou podemos procurar lugares e pessoas que nos ofereçam o melhor que a comunidade nos pode oferecer: acolhimento, acompanhamento, natureza e a possibilidade de construir a rotina com base em hábitos de vida saudáveis e animadores”, explicou Mónica Marques, adiantando que “isto não é nenhum ATL, mas sim uma casa aberta para apoiar e ajudar as crianças a construir a rotina com base em hábitos de vida saudáveis e animadores”.
Outra das vertentes desta “casa de campo na cidade” é comercialização de diferentes produtos didáticos, que são feitos à base de produtos biodegradáveis, e que “podem promover junto das crianças a consciência de um país mais sustentável e saudável”. Esses produtos ecológicos e reciclados, “que vão fazer as maravilhas da pequenada”, estão disponíveis no espaço, e em breve podem ser adquiridos através de encomenda online nas redes sociais do projeto (https://www.facebook.com/Casa-da-Coruja).
“O nosso objetivo também passa por incutir desde cedo nos miúdos a consciencialização para as vertentes ambientais, ecológicas e sociais”, frisou Mónica Marques, adiantando que “nada melhor do que os produtos didáticos e ecológicos”. Esta possibilidade será “uma das grandes apostas” da “Casa da Coruja”, agora para o período natalício, permitindo que “os pais ou familiares possam encomendar os produtos online, sem terem que sair do sofá”.
Os produtos da marca Binabo são compostos por biomaterial Arboblend, que é cem por cento feito de recursos renováveis (açúcar, resinas e fibras de madeira), sendo uma alternativa ecológica ao plástico, e igualmente adequado para brincar em ambientes internos e externos.
Além destes serviços, a casa também está disponível para a organização de eventos, festas de aniversários e workshops, e tem aulas de yoga e meditação aos sábados de manhã.
Futuramente, a “Casa da Coruja” pretende transformar o sótão da habitação num “espaço mágico, onde se podem realizar, por exemplo, aquelas antigas festas de aniversário em que juntávamos os amigos e dormíamos todos em colchões”.
Em relação ao nome, as responsáveis sublinharam que “escolhemos a “Casa da Coruja” por ser um animal que é o símbolo da sabedoria e depois porque é um animal que facilmente viveria aqui, e casa porque nós queremos mesmo que isto seja como se fosse a casa da avó, porque não havia sítio para ir depois da escola”.
O espaço, que atualmente conta apenas com uma das sócias a tempo inteiro, está aberto de segunda a sexta-feira, entre as 09h e as 19h.






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