No entanto, estes novos hábitos e comportamentos, não são de todo o nosso maior problema nesta nova realidade. A pandemia contribuiu para o deterioramento da saúde mental de milhões de pessoas, durante o longo período de quarentena e de isolamento todos nós tivemos de enfrentar as incertezas e os medos de um futuro negro, para muitos isso traduziu-se em danos à integridade psicológica, desde pequenos receios a grandes depressões, a pandemia foi responsável pela alteração do “status quo”, alterando a perspetiva de vida de uma grande parte da população.
Os medos são justificados, milhares de pessoas perderam os seus rendimentos de uma forma temporária ou até mesmo permanente. Empregos “estáveis e seguros” foram destruídos e quem se encontrava dependente destes, viu-se obrigado a dar um novo rumo à sua vida.
Concomitantemente, os jovens que concluem agora os seus estudos encontram-se numa situação inusitada, ligam a televisão e ouvem falar de uma “crise sem precedentes”, dia após dia percebem cada vez mais o que estão a enfrentar, os desafios que têm pela frente e as dificuldades para encontrar emprego, fruto de uma oferta que se revela escassa para uma desmesurada procura. Os jovens, que entraram nos seus cursos com elevadas espectativas de realizarem os seus sonhos, saem agora para o mercado de trabalho com as suas ambições e objetivos esmagados pelo vírus.
Esta situação de pandemia por COVID-19 é uma situação nunca antes vivida pela humanidade. Apesar do progressivo e exponencial desenvolvimento, da revolução das tecnologias e de um conhecimento sem precedentes, o ser humano nunca esteve preparado para uma situação igual à que vivemos nos tempos contemporâneos. Mental e psicologicamente, as consequências serão sentidas.
A atuação na área da saúde mental é necessária e imprescindível para que a sociedade portuguesa saia desta situação extraordinária com determinação, de modo a não incorrer numa “crise psicológica”, o que afetará a produtividade laboral ou mesmo o futuro das gerações presentes e vindouras, sublinhando ainda a resiliência necessária para a crise económica que se avizinha, neste “Mundo Novo”.




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