O programa irá permitir aos seniores partilharem as suas experiências e conhecimentos com “novos empresários ou direções de instituições do 3º setor no campo de gestão e da animação”, gerando-se assim um diálogo “inter-geracional, que possa contribuir para “melhorar as competências dos aprendentes e, por outro lado, reforçar o sentido de utilidade social dos mentores”. A “Bolsa de Mentores” foi apresentada no passado dia 13 pelo presidente do NRDC, João Sá Nogueira, na Galeria do Espaço de Turismo, no final de uma palestra onde se debateu e pensaram estratégias para um envelhecimento saudável e ativo. “O programa pretende beneficiar da experiência acumulada e insubstituível de pessoas seniores (empresários, peritos, técnicos, entre outros) disponíveis para a transmissão das suas experiências, competências e saberes”, explicou João Sá Nogueira. O projeto é desenvolvido em colaboração com outras entidades locais, como CLAS – Conselho Local de Ação Social, Banco de Voluntariado, Santa Casa da Misericórdia, ACCCRO- Associação Empresarial das Caldas da Rainha e Oeste,AIRO- Associação Empresarial da Região Oeste, Universidade Sénior Rainha Dona Leonor, Rotaract e Rotary Club das Caldas. O objetivo é agregar mentores que “disponham do seu tempo, conhecimento e experiência” para “orientarem e compartilharem o seu know-how”. Os mentores têm como caraterística fundamental o facto de serem voluntários e não terem remuneração. Podem ser vistos como conselheiros experientes comportando-se como um amigo disposto a auxiliar o mentorando. É, segundo o presidente, “um contributo para os novos empreendedores em guiar, aconselhar, ensinar e ajudar no desenvolvimento e crescimento da ideia de negócio e do projeto empresarial”. “O objetivo é partilhar conhecimentos práticos sobre gestão e área do negócio”, salientou João Sá Nogueira. Quanto às instituições do 3º setor, será um contributo para a “sustentabilidade, aconselhamento na gestão, colaboração na animação, atividades lúdicas, trabalhos manuais, passeios e visitas, promoção artística, cultural, desportiva e social e presença de e com afeto”. O presidente do NRDC apela aos seniores a inscreverem-se neste programa porque “um homem e uma mulher nunca são velhos quando continuam a ter e a fazer projetos de vida a envolver-se na comunidade a trabalhar pelos e com os outros”. Para a inscrição, enviar um e-mail para jjsanogueira@gmail.com.
Afinal há vida para além da reforma
O NRDC atento à importância de um envelhecimento ativo da população sénior integrou no seu ciclo de conferências “Janela para a Comunidade” uma conferência com testemunhos de práticas de envelhecimento ativo e exemplos de programas de empresas para a preparação dos seus colaboradores para a reforma. Os oradores convidados foram Conceição Zagalo e João Alves, sócios honorários da associação Grace – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, que partilharam a sua vida com as cerca de 50 pessoas presentes na sessão. Desafiaram o público presente, nomeadamente os seniores, a fazer voluntariado e aproveitar o potencial da “inovação digital para melhorarem a sua vida”. “Fazer o que amamos, amar o que fazemos, porque afinal há mesmo vida para além da reforma”, disse Conceição Zagalo. Depois de quase 40 anos na IBM Portugal, Conceição Zagalo aos 57 anos pediu a pré-reforma para abraçar o voluntariado. Nasceu a 13 de outubro de 1952, é casada e tem duas filhas. A comunicação e a cidadania sempre foram o seu fascínio e foi aí que residiu a sua escolha na hora de encetar um novo ciclo de vida. Considerando-se uma voluntária compulsiva, dedica os seus dias à gestão associativa, a atividades docentes, à consultoria em organizações do terceiro setor, às causas, aos temas do género, ao empreendedorismo social, à gestão autárquica, e aos netos. Entre abril e maio de 2010, fez voluntariado internacional no Vietname, em Can-Tho – Delta Mekong. Esteve a trabalhar para uma empresa de aquacultura que precisava de um sistema de gestão de certificações de qualidade e de uma estratégia de marketing para exportar o peixe que produzia perto do rio Mekong, um dos rios mais poluídos do planeta. Atualmente com 67 anos, é vereadora da Câmara Municipal de Lisboa e faz parte da Associação Ser+Dar – Terapeutas Sem Fronteiras, onde continua a fazer trabalho voluntário em Cabo Verde e Moçambique. Conceição Zagalo considera que a reforma “pode ser um período de grande realização e dinamismo”. Sente com o voluntariado empresarial uma enorme “compensação” e anima-lhe os dias sentindo-se “viva, útil e uma melhor pessoa”. No entanto, alertou que para ser voluntário tem que se ter “atitude, liderança e resiliência” e que apesar de ser trabalho voluntário tem que ser feito com “profissionalismo e dedicação”.
Reforma ativa sem tédio e sem stress
João Alves, licenciado em economia e experiência profissional de 38 anos nas áreas de estudos de mercado, marketing, comunicação institucional, e responsabilidade social em agência de publicidade e empresa multinacional, acredita numa reforma “ativa, sem tédio e sem stress”. O orador, que faz voluntariado nas áreas do microcrédito e da responsabilidade social empresarial, defende o papel das empresas na preparação da reforma dos seus colaboradores. “Algumas empresas procuram minimizar os efeitos dessas saídas promovendo cursos de preparação para a reforma, que visam dotar os colaboradores de ferramentas para essa fase da vida”, indicou. João Alves referiu que questões como a “rutura com a empresa, sensação de perda, problema ou oportunidade, ocupação de (muito) tempo livre, a par de aspetos legais relacionados com acesso à reforma, são abordados nesses módulos”. O orador referiu que os três pilares da nova vida são a vida pessoal, vida familiar e vida social. Falou ainda da geração entre os 50 e os 65 anos, que é muitas vezes chamada a “geração sandwich”. “Por muito livres e tranquilos que achemos estarem, são pessoas que muitas vezes estão “presas” entre duas outras gerações: os filhos e os pais”. De um lado da “sandwich” estão os pais. “Em vez de ajudarem, os pais agora passam a ser motivo de trabalhos e preocupações logísticas, médicas e, sobretudo emocionais”, apontou, acrescentando que “não deve ser fácil ver os nossos pais a precisarem de nós quando sempre foram eles a quem recorremos numa necessidade”. Para João Alves, envelhecimento ativo é “escolher o caminho harmonizando a vida pessoa, familiar e social, reservando tempo livre, mantendo espaço para aprender, saber dizer não e dar (trabalho, apoio, conselhos, formação) e receber reconhecimento”.




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