ACruz Vermelha Portuguesaé hoje um agente importante na proteção e segurança das pessoas, participando em vários teatros de operações. São também os voluntários do CHLON que fazem o transporte de emergência de vítimas de violência doméstica e que atuam em situações de socorro, trabalhando por vezes em conjunto com os Bombeiros, Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e os demais agentes de proteção civil, as diferentes autarquias, instituições e organizações de apoio social. Os voluntários não recebem salário, mas não se importam com isso. O que fazem, fazem por gosto, em prol dos outros. “É uma forma de vida”, disse Carlos Cravide, diretor do CHLON, acrescentando que “quem faz um trabalho voluntário ganha muito em bem-estar e felicidade”.
Socorro está na génese da Cruz Vermelha
O socorro está na génese da Cruz Vermelha, sendo uma prioridade e um compromisso humanitário. Carlos Cravide é também o coordenador local de emergência e é um apaixonado pelo trabalhoque realiza, zelando pela segurança e bem-estar das pessoas. A equipa de Socorro e Transporte da EOE – Estrutura Operacional de Emergência do CHLON é constituída por dez voluntários operacionais. É esta equipa que todos os dias responde aos mais variados serviços, transporte de medicamentos, transferências inter-hospitalares, entre outros, Ainda no âmbito da EOE, há a prestação do apoio médico sanitário em eventos públicos, de caráter desportivo e cultural, por exemplo maratonas, jogos de futebol, concertos, peregrinações, festas populares e atos sociais. “Temos um protocolo com o CEIA– Centro Equestre Internacional de Alfeizerão, onde estamos sempre presentes em grandes provas, mas também temos estado em vários eventos nas Caldas como em festas escolares, Corrida P’la Vida, Frutos, entre outros de grande dimensão”, indicou o diretor do CHLON. Têm ao longo dos anos dado assistência a centenas de pessoas. Na Corrida P’la Vida, que decorreu a 7 de dezembro, “tivemos que socorrer uma jovem que desmaiou”, referiu o responsável por esta organização humanitária, revelando que têm uma “ambulância tipo B, que é viatura que faz o transporte para o hospital das pessoas que durante um evento sofrem algum incidente”. O CHLON tem também uma carrinha (furgão) que está ao serviço do apoio social e também de emergência, onde faz de posto móvel. “Temos ainda a emergência social, onde trabalhamos com a linha 144 e fazemos, entre outras tarefas, o transporte das vítimas de violência doméstica”, explicou o responsável, acrescentando que “são transportes confidenciais onde as vítimas são levadas para os Centros de Acolhimento”. Todas as pessoas que fazem parte da Cruz Vermelha têm formação. Existe a formação institucional dada a todos os membros e depois há formações específicas. As EOE são “constituídas por pessoal devidamente preparado e com formação técnico-profissional adequada para o cumprimento das missões que lhes são concedidas, quer seja na assistência e tratamento de doentes e feridos, quer no apoio médico-sanitário de eventos”, contou Carlos Cravide. “Os operacionais têm o curso de Suporte Básico de Vida e de Tripulante de Ambulância de Transporte”.
Apoio a refugiados
Na sede do CHLON trabalha Filipe Vinhinha. É o único colaborador que recebe salário. Durante o dia faz o seu trabalho administrativo e de apoio aos refugiados e no seu tempo livre é também voluntário. Filipe Vinhinha é igualmente o coordenador do programa de apoio ao refugiado. Neste momento está a dar apoio a dois cidadãos paquistaneses que estão a viver nas Caldas desde novembro de 2018. “O programa tem 18 meses e neste período tem um acompanhamento constante da nossa parte para facilitar o processo de integração”, explicou. A Cruz Vermelha Portuguesa acabou de lançar “Faruk reencontra o Verão”, um livro infantil que educa para a cidadania e o acolhimento de refugiados. Conta a história de Faruk, um menino sírio que foge de Damasco com a sua família quando vê a cidade ser bombardeada. Este livro, escrito por Benedita Vaz Pinto, com ilustrações da Carolina Castro Almeida, pretende, segundo Filipe Vinhinha, “promover a aproximação entre as comunidades de acolhimento e os refugiados”. “Vamos agora às escolas sensibilizar as crianças e reforçar o conhecimento sobre migrações forçadas e interculturalidade”, contou.
Teleassistência a idosos
O CHLON está a dar apoio a idosos isolados dos concelhos que abrange, através de um projeto de teleassistência. A teleassistência funciona através de um aparelho colocado numa pulseira, que pode ser ativado pelo idoso através do toque, estabelecendo, dessa forma, uma chamada telefónica para um centro de atendimento que está disponível 24 horas por dia, durante todos os dias do ano. Filipe Vinhinha é o técnico responsável pelo serviço de teleassistência e revelou ao JORNAL DAS CALDAS que o CHLON já montou 150 equipamentos, estando neste momento a apoiar igual número de pessoas. “Só este ano montámos 50 aparelhos que têm um botão de emergência que ao ser pressionado fornece a sua localização por GPS/LBS e estabelece contacto com a Cruz Vermelha”. “Rapidamente os técnicos fazem depois os contactos para ativar a resposta mais adequada, que pode ser a família, a polícia ou a emergência, caso seja uma questão de saúde”, precisou Filipe Vinhinha. Este serviço destina-se a pessoas que se encontram em situação de dependência (por idade, doença prolongada, incapacidade ou isolamento) ou a pessoas autónomas, mas que desejam sentir-se mais seguras.
CHLON apoia 68 famílias
Na área de apoio social colaboram cerca de 10 voluntários, que apoiam 68 famílias, com alimentos, roupa, produtos de higiene e encaminhamento para outras instituições. Teresa Carvalho, coordenadora do serviço de apoio social, referiu que se nota uma redução no número de pessoas que recorrem à Cruz Vermelha. “Chegámos a apoiar 85 famílias, mas agora ajudamos 68, que vêm uma vez por mês buscar o cabaz de alimentos (mercearias) e todas as semanas às terças recebem os frescos”, relatou a responsável. O CHLON ajuda ainda estas famílias com entrega de roupa, produtos de higiene e encaminhamentos para outras instituições. No mês de dezembro o cabaz foi reforçado e no dia dos frescos as famílias receberam um bolo rei que foi oferecido pelo E.Leclerc. Teresa Carvalho disse que agora aparecem menos pessoas a pedir ajuda. No entanto, “continuamos a ter pessoas que tinham uma vida normal, mas que perderam o emprego e não conseguem fazer face às despesas diárias mais básicas que vêm pedir auxilio”. Avançou ainda que ultimamente tem sido dado auxílio a muitas famílias oriundas do Brasil.
Voluntários do CHLON
São os voluntários do CHLON que realizam mais de 90% do serviço humanitário. Quer colaborando na entrega de alimentos, auxiliando numa catástrofe natural, explicando aos mais jovens os perigos do abuso do álcool ou na prestação do apoio médico sanitário em eventos públicos. “É através do tempo, capacidade e empenho destas pessoas que podemos fazer coisas extraordinárias”, salientou, o diretor do CHLON. Carlos Cravide anunciou que vão abrir um recrutamento de voluntários ativos para aumentar os colaboradores desta organização humanitária. O CHLON temapostadono apoio psicológico, tendo duas psicólogas que dão consultas a um preço reduzido. Todos os novos voluntários do CHLON vão ter que assumir o seu “compromisso de honra”, jurando dedicação à causa humanitária. O diretor do CHLON destacou os seis princípios dos voluntários da Cruz Vermelha: “Humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, unidade e universalidade”. O responsável revelou ainda que em 2020 vão reativar a juventude da Cruz Vermelha do CHLON. Mas para isso precisam no mínimo de dez jovens. O CHLON vai estar a fazer o apoio médico sanitário nos dias de festa da passagem de ano da Nazaré. “No dia 29, vamos fazer de unidade saúde familiar e na noite do fim de ano vamos fazer o socorro ao grande festejo com enfermeiros, médicos e os nossos operacionais”, contou.








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