Foi há 10 anos, no dia 21 de novembro, no Céu de Vidro do Parque D. Carlos I, que o MVC deu início aos debates mensais “21 às 21”, que acabaram por “se tornarem no sucesso que foi, é e sempre será”. “Foi um projeto ambicioso, uma longa e gratificante caminhada, que nasceu através da inquietação provocada pela conjuntura política e social, em que infelizmente nos continuamos a ver envolvidos”, explicou Teresa Serrenho, adiantando que “era preciso fazer alguma coisa para despertar as consciências daqueles que nos rodeiam, daqueles que podem efetivamente trazer mais ideias e inquietações à sociedade portuguesa”. Pelas mais de cem palestras realizadas inicialmente em diversos sítios do concelho, como a Biblioteca Municipal, Esplanada do Parque, Quinta da Foz, auditório da Câmara Municipal, sede da Associação do MVC, e ultimamente de forma mais regular, a sala da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e Gregório, passaram milhares de pessoas para ouvir muitos e variados temas abordados pelos mais de cem palestrantes. Apesar de umas terem sido mais movimentadas do que outras, Maria Teresa Serrenho referiu que foi “gratificante contribuir mensalmente para a cidadania ativa”. “Este ciclo de intervenção cívica regular, que foi o meu contributo para a sociedade, por agora termina aqui”, anunciou a responsável, que já tinha esta ideia há algum tempo. Explicou ainda que “é preciso saber quando alguma coisa chega ao fim e de terminar quando as coisas estão vivas, de modo, a não corrermos o risco de o desgaste tirar o sentido, o entusiasmo e alegria que motivaram a ação inicial”. O ciclo de conversas mensais terminou mas o MVC garante que “irá continuar a promover debates, noutro formato e sem a periocidade que o 21 às 21 obrigava”. Entre os convidados do encontro estavam antigos palestrantes como foi o caso de João Paulo Batalha, que destacou que “o 21 às 21 foram verdadeiros encontros da democracia em ação, onde se criou cidadania e se encontraram soluções para diversos problemas”. Já Paulo de Morais referiu que o “21 às 21 foi uma exceção e um oásis num meio de um deserto onde falta discussão”. Além disso foi “um dos raros exemplos de discussão ou debate no país, onde conseguimos pensar um pouco melhor, neste contexto de asfixia do pensamento público”. Presente também esteve o presidente da União de Freguesias Nª Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, Vítor Marques, que considerou que a iniciativa “trouxe pessoas que ajudaram a pensar e alertar a nossa mente para muitas realidades. Agora cabe-nos continuar a promover atos de cidadania”.
“Hoje assistimos a uma crise profunda da ética”
Para encerrar um ciclo de dez anos de debates do “21 às 21” foi convidado o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, para falar sobre “Os Deveres da Ética”. Perante uma sala cheia de espetadores e de convidados, o defensor de iniciativas cívicas e de liberdade começou por afirmar que “hoje estamos pior” relativamente à ética, pois “vivemos numa sociedade em que, infelizmente, os fins que nos são anunciados parecem justificar todos os meios para lá chegar”. Não retirando a quota de responsabilidade que cabe à política nesse assunto, Rui Moreira arriscou mesmo a dizer que atualmente “assistimos a uma crise profunda da ética, que começou provavelmente na política”. Esse problema, segundo o autarca, tem de ser combatido através de “uma maior exigência cívica” e da “obrigação de confrontar os outros, principalmente quando estes são ofensivos e intolerantes”. De outra maneira, “arriscamo-nos seriamente a transformarmo-nos naqueles que assistem passivamente à destruição do tecido social”.




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