“Num mundo de tecnologia, que obviamente deu à medicina uma nova dimensão e uma nova possibilidade de atuação e cura, sem dúvida achámos importante voltar ao doente, à criança, à história ao estetoscópio, ao martelo e aos exames básicos”, disse, Luísa Preto, presidente das jornadas e chefe do Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), unidade das Caldas da Rainha. “Quiçá também à relação médico-doente, hoje a perder-se entre os milhares de cliques que nos são exigidos, atrás de um computador que mal nos deixa olhar o doente nos olhos”, salientou a médica, revelando que é importante voltar a “encontrar o ponto de equilíbrio”. “Numa era em que o diagnóstico é muito sofisticado porque dispomos de muitas tecnologias, não nos podemos esquecer que o principal é olhar para o doente e ouvi-lo”, referiu a responsável, acrescentando que “só olhando, ouvindo e explorando o doente conseguimos chegar ao diagnóstico sem estar a submeter a exames que são desnecessários, dispendiosos e às vezes agressivos para doente”. “Os exames são auxiliares de diagnóstico e quando os pedimos temos que ter um diagnóstico na cabeça que vem do doente e da sua história clinica”, apontou a médica pediatra, revelando que “nós ao olharmos para a forma que o doente entra na sala de consulta já tirámos 50% da informação”. Para Luísa Preto, a “humanização é muito importante” e hoje em dia temos alguma “dificuldade de ceder a ela porque estamos muito dependentes dos computadores, cliques e passamos quase mais tempo a fazer isso do que a olhar para o doente, a conversar com ele e esta relação de proximidade é fundamental”. O CHO tem 14 pediatras (dois estão fora em formação) e segundo a chefe do Serviço de Pediatria “há falta de médicos com esta especialidade” e só se consegue colmatar os constrangimentos porque estes “médicos fazem as 24 horas de urgência apesar de já não lhes pertencer esse serviço”. As jornadas reuniram 225 profissionais de saúde. Além da intervenção de Luísa Preto, a sessão de abertura contou com a presidente do conselho de administração do centro hospitalar, Elsa Baião, o presidente do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), Licínio Carvalho, o diretor do Serviço de Pediatria do CHL, Bilhota Xavier, e o presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira.



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