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Quinta da Foz

Requalificação de unidade hoteleira de turismo de habitação na Foz do Arelho agrada visitantes

Francisco Gomes

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A Quinta da Foz, na Foz do Arelho, foi alvo de um projeto de requalificação que modernizou as instalações sem desvirtuar a identidade ligada à criação da quinta no século XVI.
Os anfitriões da Quinta da Foz, Daniela Calado e Francisco Paiva Calado

Desde que reabriu, em finais de maio deste ano, as críticas dos turistas têm sido muito positivas, fazendo aumentar a cotação desta unidade de turismo de habitação na conceituada plataforma online de reservas de alojamento Booking, que é uma referência.

Os quatro amplos e confortáveis quartos duplos da Quinta da Foz, decorados com mobiliário histórico e confortável, possuem algumas singularidades, a começar por terem nomes inspirados na história da Quinta e da família Paiva Calado, proprietária da unidade. Estão equipados com peças de mobília distintas, com narrativas diferenciadas.

O Quarto D. Maria, por exemplo, com área de 38 metros quadrados, tem cama de casal e mobiliário genuíno D. Maria, do século XVIII. Para além de lareira interior e piso em tijoleira Santa Catarina, o terraço privativo sobre o Horto do Manjerico (o burrinho da Quinta da Foz) e entrada autónoma a partir do Pátio dos Plátanos são duas caraterísticas distintivas.

O Quarto Império, com 37 metros quadrados, é equipado com mobiliário datado do século XIX. As colunas individuais de capitel, o piso em madeira natural, as janelas com vista para a Lagoa de Óbidos, são alguns dos traços marcantes.

Por sua vez, o Quarto dos Arcos, com 33 metros quadrados, tem nicho e pia em pedra. Este quarto tem duas camas single.

Por último, o Quarto das Colunas, com 30 metros quadrados e duas camas single, tem colunas de capitel. As janelas, o piso e casas de banho têm caraterísticas comuns nestes últimos três quartos. Destaque para as banheiras rebaixadas e escavadas o pavimento, fazendo lembrar os tempos romanos. O arquiteto Jorge Sousa Santos assina as obras realizadas.

A taxa de ocupação tem sido de cerca de 60% – quer de turistas nacionais quer estrangeiros. Com a entrada em agosto estima-se que a lotação fique próxima de esgotar.

“As instalações bem decoradas, os espaços muito confortáveis. A capela lindíssima, os salões imponentes, cruzando arquitetura contemporânea com antiga, tudo criado com muito bom gosto”, comentou uma cliente na Booking.

“A quinta é um charme, cheia de história, muito bem preservada, com um espaço exterior muito agradável. O quarto espaçoso e bem decorado, tem todas as comodidades necessárias”, manifestou outra cliente.

Os pequenos-almoços são também elogiados e inesquecíveis: bolo de maçã com noz e canela, crumble com frutos da época, tarte de ameixa, folhados de queijo e doce ou carnes frias, são apenas algumas das iguarias.

Na Quinta da Foz há muito para viver e apreciar, desde espetáculos com aves de rapina, atividades de apicultura nas colmeias e degustação de mel, workshops de tiro com arco, piqueniques românticos gourmet na natureza, roteiros vínicos, provas de chás biológicos e bolinhos regionais, e outras experiências, envolvendo vários parceiros da região.

Em redor estão doze hectares de zonas naturais para passear, dois hectares de plantas aromáticas em modo de produção biológica, várias charcas e um picadeiro coberto.

As ervas aromáticas de produção biológica da Quinta da Foz estão a ser comercializadas em embalagens de marca própria, chegando não só aos hóspedes como em estabelecimentos fora da quinta, nomeadamente a mercearias.

Ocupam dois hectares de terreno que anteriormente eram mato sem exploração agrícola. Depois de colhidas passam por uma fase de secagem em armazém, antes de serem embaladas, cada qual com as suas caraterísticas – lúcia lima, hortelã vulgar, hortelã pimenta, tomilho limão, erva príncipe e erva cidreira.

Por exemplo, a infusão de hortelã vulgar da Quinta da Foz tem uma tonalidade dourada brilhante e apresenta um agradável aroma a flores, onde se destacam os travos a jasmim e a persistência mentolada. É estimulante e diurética, ajudando a tratar a febre, dores de cabeça e eventuais questões digestivas.

Experiência turística diferente

Pretende-se criar uma narrativa turística para visitantes e hóspedes, independentemente da marcação ou não de dormida.

História e natureza juntas para proporcionar uma experiência turística diferente é a aposta desta quinta, que está dedicada ao turismo de habitação desde 1990. No ano passado começou a implementar um conceito ligado à vertente do alojamento com interesse patrimonial e histórico conjugado com experiências turísticas ambientais a dois, com amigos ou em grupo.

“São experiências com ligação com o espaço. Podiam ser feitas em qualquer sítio, mas no contexto deste espaço, a experiência ganha um contorno diferente, com pessoas interessadas em natureza e história, sendo muito transversal em termos de faixas etárias”, aponta Francisco Paiva Calado, filho do proprietário, que tem o mesmo nome do pai.

“Procuramos complementar a estadia e que as atividades sejam um atrativo para a própria permanência, dando outra dinâmica à quinta”, adianta, sublinhando que “pretendemos ser um símbolo turístico, cultural e histórico na Foz do Arelho”.

O cenário em redor é encantado por pavões, rãs, imensos pássaros, cavalos, abelhas, gansos e patos, grilos, lagartixas, joaninhas, pirilampos, um burro e muitos outros animais. No interior, respira-se história, que se funde com a da povoação da Foz do Arelho.

António Vaz Bernardes, cavaleiro da casa real, adquiriu em 1568 a Quinta da Foz, que ao longo dos tempos foi palco da estadia de vários reis (D. Sebastião, D. João V e D. Carlos I). Em 1581, o rei Filipe I instituiu o morgadio na propriedade (que também era conhecida como Quinta de Nossa Senhora de Guadalupe, santa cuja imagem se encontra na capela particular da quinta), a única construção no lugar que se viria a denominar Foz do Arelho, ou seja, a povoação desenvolveu-se em torno da quinta, que possuía bastantes terras à sua volta, ocupadas inicialmente para cultivo por agricultores e posteriormente para a construção de habitações. Num morgadio, como era usual na época, esta cedência era feita sob a forma de pagamento de foros.

A propriedade passou de geração em geração, até chegar ao proprietário atual, Francisco Paiva Calado, cujos filhos estão apostados em dar um impulso a este espaço.

Aproveitando a história da casa com 450 anos, o meio envolvente natural, a praia e o mar, procurou-se reestruturar e aumentar a capacidade de alojamento e melhorar as condições atuais de conforto, alojamento e privacidade, sem perder a identidade que a carateriza. As obras representam um investimento superior a 200 mil euros, dos quais cerca de cem mil euros comparticipados pelo Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo e ao Emprego.

A segunda fase da requalificação incidirá sobre um bloco de apartamentos, ficando a unidade com capacidade total de 16 pessoas.

Enquanto que os apartamentos serão um espaço mais convidativo para grupos, os quartos no edifício principal possibilitam o convívio com a família Calado, que reside no imóvel histórico, onde a decoração está repleta de peças, móveis e documentos antigos, e onde há três salões enormes e lareiras aconchegantes.

A terceira fase envolverá a criação de uma loja de produtos regionais.

Na Quinta da Foz está um charriot (carruagem) que transportou o general Junot, responsável por comandar as tropas francesas que no século XIX invadiram Portugal.

A unidade hoteleira é um estabelecimento “pet allow”, isto é, são autorizados animais de estimação. Ali funciona também o Foz dos Orelhas, um consultório veterinário.

Os clientes têm acesso a honesty bar com vinhos da marca Manz Wine, disponível na Sala da Abóbada.

Duas telenovelas – “Água de Mar” (RTP) e “A Única Mulher” (TVI) – tiveram episódios gravados neste espaço.

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