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Caldas da Rainha e a Biodiversidade

Rui Calisto

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Hoje, 22 de maio, é o Dia Internacional da Biodiversidade. Qual a sua importância? Esta data é um alerta à Humanidade, para que saiba como é fundamental a conservação da diversidade biológica do nosso planeta.

Quando cito diversidade, naturalmente, refiro-me à variedade de todos os seres vivos de todas as proveniências (terrestres, marinhas, etc.). Essa multiplicidade é a consequência da fertilidade da Natureza – sem nenhum cunho de interferência do ser humano – sendo fruto de inúmeras latitudes ecológicas (e assim deveria permanecer).

Toda a vida do planeta em que habitamos (vida que diverge da humana) tem a sua própria carga genética e um número infinito de populações e castas, divididas por micro-organismos, fauna, flora e fungos microscópicos, e deveria permanecer incólume, tendo de enfrentar apenas os da sua própria espécie. Infelizmente, não é o que acontece. A Humanidade teima em apoderar-se dessa riqueza, devastando-a. Assim, de modo egoísta, caminhamos para o fim do planeta Terra.

Nas Caldas da Rainha também persiste uma enorme desconexão entre a população e a biodiversidade, declaradamente visível numa determinada época do ano, em que o Parque D. Carlos I é utilizado para devaneios urbanos, recheados de entretenimento e consumo desmedido, com uma excessiva pegada ecológica.

Se analisarmos, cuidadosamente, o ecossistema do Parque D. Carlos I (e da Mata Rainha D. Leonor), percebemos, ali, a existência de uma fonte da juventude. Um manancial interligado ao mecanismo natural, que pode regular o clima da região, purificar o oxigénio que respiramos, proteger a rica bacia termal do subsolo e, naturalmente, controlar possíveis pragas, nocivas à população.

A ferocidade da ação humana no Parque D. Carlos I tem vindo a afetar a sua fauna e a sua flora. É notório o desgaste do local, e a perda de espécies raras nesses dois planos. Se o reflexo disso é visível a olho nu, no final de cada “acontecimento”, nem imaginam o que ocorre naquilo que só se pode ver microscopicamente.

A destruição dos habitats – invisíveis para nós humanos – vai fragilizando todo o ecossistema desse local, de modo irreversível. Com menor diversidade de espécies nessa ínsula ecológica toda a cidade torna-se menos sustentável, logo menos salubre para a população.

O Parque D. Carlos I deveria ser alvo de um programa de proteção ambiental, devido à riqueza das suas espécies, sendo protegido pela Convenção sobre a Diversidade Biológica (Convenção da Biodiversidade) – tratado que entrou em vigor em 29 de dezembro de 1993, durante a Eco-92, no Rio de Janeiro – fazendo parte da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade, pretendendo, “assim, contribuir para se alcançar um ambiente propício à saúde humana e bem-estar das pessoas e ao desenvolvimento social e cultural das comunidades, bem como à melhoria da qualidade de vida”.

Protegendo as espécies (fauna e flora) existentes no Parque D. Carlos I, estaremos automaticamente a “assegurar o desempenho das condições dos processos ecológicos” de toda a região e, por tabela, a melhorar a saúde de todos os caldenses.

Falta, nas Caldas da Rainha, a definição dos contornos da Estrutura Ecológica Municipal, dentro de um Plano Municipal de Ordenamento do Território. Falta, também, mais amor pelas suas maiores riquezas, os dois grandes pulmões do concelho. Mesmo assim: Feliz Dia Internacional da Biodiversidade!

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