Considerando-se uma especialista em lidar com situações de vida consideradas difíceis, pois para além de ser portadora de nanismo, Filomena Mourinho descobriu que sofria de fibromialgia (doença crónica invisível, que provoca dores intensas no corpo), a professora de inglês, que atualmente vive no Alentejo, soube adaptar-se à sua nova vida, sem recorrer apenas à medicação que existe para o tratamento.
Segundo a docente, “quando fui diagnosticada com fibromialgia decidi ler o único livro que existia em Portugal sobre a doença, o Viver com Fibromialgia, da jornalista Maria Elisa”. Contudo, confessou que “preferia não ter lido”, e por isso optou por “escrever algo completamente oposto daquilo que ela escreveu”.
Mas antes de enveredar pelo caminho da escrita, a docente admitiu que recorreu a uma profissional para a ajudar no “redesenhar da carreira”. Além de ter vontade de fazer algo mais do que apenas dar aulas, Filomena tinha o desejo de ajudar os outros que sofriam do mesmo.
De acordo com a docente, “as pessoas que vivem com fibromialgia enfrentam desafios diários com esta doença e necessitam de apoio para conhecer outras formas de lidar com a doença, sem ser a medicação”, sendo que a doença em Portugal é tratada com medicamentos para tirar as dores e antidepressivos. Face a isso, a autora optou por experimentar outras coisas, que “todos nós sabemos” como dormir bem, boa alimentação, exercício físico, comportamentos sociais, entre outros, de modo, a que “não seja necessário recorrer a medicação, que está cientificamente provada que tem mais efeitos colaterais e negativos do que positivos”.
Além disso, os medicamentos provocam vontade de fazer nada e “não foi isso que quis para mim”, sublinhou a autora, adiantando que “o meu propósito de vida não era ficar entre uma cama, uma cadeira e o meu local de trabalho”. Por isso, “procurei redesenhar a minha vida para poder viver bem e feliz”.
Esta aventura, segundo a autora, demorou cerca de um ano a ser escrita. “Não é um receituário, mas sim um guia que ensina os doentes a viver bem e felizes com a doença”, indicou. Além disso, é mais do que uma compilação de factos e soluções para as dores da doença, pois retrata a história de vida da autora.
A professora também sublinhou que a doença é “algo incapacitante, que pode ser vivida de forma positiva”, e por isso, as constantes aprendizagens que faz no âmbito dos estudos em psicologia positiva tornaram-se uma “mais-valia em todo este processo”. E são todas essas informações e experiências que autora quis partilhar ao escrever esta obra, pois acredita que pode ajudar a mudar a forma de encarar e viver a vida dos doentes, e não só. Ou seja, o “Abraço da Dor é uma espécie de manual de vida”.
A doença obrigou-a a trabalhar mais e a alterar hábitos de vida e “hoje em dia sou mais ativa do que era antes da doença”.
A autora, que foi convidada pelo Clube Soroptimist International de Caldas da Rainha para vir apresentar o livro, já se encontra a escrever “uma segunda aventura”, mas desta vez relacionada com os seus alunos.




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