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SEF detém agentes de futebol que promoviam tráfico humano e imigração ilegal

Francisco Gomes

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O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve na passada quarta-feira, em Leiria, dois agentes de futebol sul-americanos, responsáveis pela entrada e permanência ilegal em Portugal de cerca de duas dezenas de jovens atletas, ligados ao Grupo Desportivo “Os Nazarenos”, clube da Nazaré. Os arguidos estão indiciados pela prática dos crimes de tráfico de seres humanos, auxílio à imigração ilegal e falsificação de documentos.

A ação, coordenada pelo Ministério Público, englobou buscas domiciliárias às residências dos suspeitos, a viaturas e ao clube desportivo da Nazaré, entidade que veio a ser constituída arguida, tal como o presidente da direção. Em resultado das buscas realizadas foi apreendida documentação relacionada com o esquema de angariação de futebolistas, assim como material informático e de comunicações.

Esta operação constituiu o desfecho de meses de investigações iniciadas pelo SEF em finais de 2018. Na altura, uma outra ação do SEF levou à identificação de cerca de duas dezenas de estrangeiros, a maioria brasileiros, em situação irregular, jovens futebolistas que se encontravam alojados em áreas afetas à associação desportiva em condições indignas, vivendo com extremas dificuldades económicas.

Comprovou-se que teriam vindo para território nacional, angariados através de um esquema que envolvia vários intervenientes, e no qual os dois agentes desportivos agora detidos desempenhavam um papel crucial.

Aos atletas, todos sul-americanos, era prometida a legalização em território nacional e a celebração de contratos profissionais como futebolistas, a troco de elevadas quantias monetárias, sendo que, em muitos casos, a vinda implicou o endividamento das respetivas famílias. Já em território nacional os atletas eram canalizados para o clube, mas sem que qualquer das promessas fosse cumprida.

Depois de inicialmente alojados pelos empresários em apartamentos, acabaram por ser progressivamente abandonados por estes, tendo terminado alojados, sem quaisquer condições, nas instalações onde foram identificados pelo SEF, muitas vezes sem alimentação adequada e desprovidos de contrapartidas financeiras pela atividade desportiva desenvolvida.

Alguns dos atletas acabaram, entretanto, por abandonar o país e outros, inclusive com o apoio do SEF e dentro do quadro legal vigente de proteção a vítimas de tráfico de seres humanos e de ações de auxílio à imigração ilegal, aguardam a regularização em território nacional, uma vez que a validade dos seus vistos turísticos expirou.

A operação, designada por “Fair Play”, contou com a participação de 17 operacionais do SEF. A situação provocou outro problema ao clube da Nazaré, que viu reduzido o plantel sénior que lidera a 1ª Divisão da Associação de Futebol de Leiria, Série B.

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