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“É preciso construir um novo contrato social na União Europeia”

Marlene Sousa

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Margarida Marques, do Bombarral, quarta candidata na lista do PS às eleições para o Parlamento Europeu, definiu na passada quarta-feira, nas Caldas da Rainha, que as próximas eleições são muito importantes, dado o contexto europeu e mundial atual, pela “necessidade de termos uma maioria no Parlamento Europeu que permita construir um novo contrato social na União Europeia (UE)”.
Margarida Marques, candidata na lista do PS às eleições para o Parlamento Europeu, esteve no Café Central, numa sessão organizada pelo PS das Caldas

Numa conferência no Café Central, organizada pelo PS das Caldas da Rainha, para discutir a Europa, Margarida Marques afirmou que as eleições europeias a 26 de maio têm dois desafios fundamentais que é ter “um Parlamento Europeu com o número de deputados maioritário ligados a partidos democráticos e ter um pilar forte de socialistas e progressistas, trabalhistas de esquerda e centro esquerda europeu”.

“O que nós propormos é que haja um maior equilíbrio entre os objetivos orçamentos e os objetivos sociais, ou seja, que o pilar europeu dos direitos sociais passe a ser parte integrante do chamado semestre de todo o processo europeu”, salientou a candidata. “Para que a prosperidade possa existir numa perspetiva de convergência entre os estados membros, é necessário que haja determinadas políticas que os socialistas defendem para a União Europeia e a primeira é completar a União Económica e Monetária”, apontou.

Destacou a necessidade de haver “uma antecipação e partilha do risco para que em situações de dificuldade como nós vivemos em 2011, haja um mecanismo que possa apoiar os países nessa situação”. Mas também para que a “área da UE seja um espaço de convergência é fundamental que exista um orçamento para a zona euro”, salientou.

“Só com um orçamento para a zona euro, a partilha do risco e um mecanismo que proteja o investimento é que nós podemos completar a União Económica Monetária no sentido que o Euro seja um instrumento de convergência e não de divergência”, acrescentou.

Margarida Marques revelou ainda que para proteger as democracias europeias é urgente combater as “fake news” (notícias falsas), sobretudo em ano de eleições europeias. “A UE já está a trabalhar nesse sentido, o Conselho Europeu em outubro passado pediu à Comissão Europeia que fizesse um plano de ataque às fake news, e a comissão negociou com o twittter, Facebook e google, e há já aprovado um plano de conduta com estas três plataformas e algumas questões foram resolvidas, mas há ainda um caminho muito longo a fazer”.

Para a deputada, que já viveu em Bruxelas como funcionária da Comissão Europeia, a crise financeira, o Brexit, refugiados e terrorismo criaram alguma fragilidade na UE.

Apesar de haver “pela primeira vez um país que quer sair da UE, abalando a sua rigidez e solidez”, Margarida Marques disse o que interessa destacar é que os “27 membros mantiveram-se unidos neste processo de negociação, e aqui está um caso concreto em que nós verificámos que a UE funcionou”.

“Na altura do Brexit havia a ideia que podia haver um efeito dominó, ou seja, países que vinham imediatamente a seguir ao Reino Unido a quererem sair, como por exemplo, a Dinamarca e Holanda, e as sondagens que foram feitas a seguir neste países reforçaram a ideia de pertença”, adiantou.

Quanto ao facto de Jeremy Corbyn ter anunciado que apoia a realização de um segundo referendo sobre o “Brexit”, a candidata do PS às eleições europeias acredita que há uma “esperança remota para um segundo referendo que pode interverter a situação do Reino Unido que é muito complexa”.

“Nós queremos uma UE onde haja liberdade, onde cidadãos se sintam protegido e onde há prosperidade”, concluiu a candidata.

José Ribeiro, presidente da concelhia do PS das Caldas da Rainha, destacou a importância desta conversa sobre a Europa, nomeadamente a “pouco mais de dois meses das eleições europeias, pela ameaça que os partidos de extrema direita representam para o futuro da União Europeia”.

Considera que “faltam líderes forte na UE” e que é preciso prevenir “os movimentos antieuropeístas” e perceber “porque é que têm surgido os coletes amarelos e a contestação”.

A sessão gerou um debate interessante à volta da Europa com o público a fazer várias questões a Margarida Marques.

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