O especialista, com investigação feita na área da Sociologia da Família e da Educação, foi o orador convidado pelo Rotary Club das Caldas, no passado dia 12, para falar sobre a temática da paz.
No Café Concerto do CCC cativou o público presente com a sua sabedoria e facilidade de comunicação.
António da Silva Mendes iniciou a sua intervenção falando do filme norte-americano de 1983 “The Day After”, que é sobre os moradores de uma pequena cidade de Kansas, que enfrentam a devastação e o horror após terem sofrido um ataque nuclear. Com o passar do tempo os recursos acabam e os poucos sobreviventes passam fome e contraem doenças devido à exposição da radiação. Para este psicólogo social, o filme “transmite a mensagem que sortudos são aqueles que após uma guerra nuclear morrem logo porque os que ficam para o dia depois, vão ter vida desgraçada”.
O também docente universitário afirmou que a “construção da paz não se faz com armas”. Para o orador o grande objetivo da humanidade é a “construção da paz e compreensão mundial”. A paz é um assunto importantíssimo de ser tratado num mundo competitivo, globalizado e individualista”, adiantou o especialista.
Na palestra que proferiu, o psicólogo social destacou que contra a violência da guerra, do terrorismo, da criminalidade geral, recorre-se cada vez mais à segurança. “Os políticos e os governantes em nome da segurança impõem muitas vezes um poder autocrático sobre as pessoas, olvidando as transformações políticas, económicas e sociais mais adequadas”, referiu.
De acordo com o orador, “o homem nasce humano, mas não nasce humanizado”, o que deve ser feito através “da educação e da formação”. “É preciso estudar os conflitos, aprender a geri-los, dando a primazia à paz sobre a violência”, disse, considerando necessário a “diplomacia e diálogo inter-religioso”. Lembrou que na Religião Cristã Católica Vaticano II e em diversos documentos publicados pelos últimos papas tem sido apelado aos diálogos inter-religiosos como um compromisso que é necessário assumir em nome da paz mundial”, do que destaca “Diálogo e Missão (1984) e “Diálogo e Anúncio” (1991).
Na sua intervenção referiu ainda que fora das religiões há “vozes que clamam no deserto” pela “construção da paz”, dando os exemplos de John Lennon, Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Dalai Lama.
Para o investigador os meios de comunicação social têm que “deixar de ser alimentados dos conflitos fomentadores de uma cultura de guerra e tornarem-se agentes de paz”.
Esta sociedade, já caraterizada como uma “sociedade da informação ou de conhecimento”, também é, segundo o orador, considerada por alguns analistas como uma “sociedade do risco” (Beck, 1986) ou como a “era do vazio” (Lipovetsky, 1988).
O sociólogo considera que é necessário “reforçar os poderes reguladores das instâncias internacionais multilaterais consagradas na Carta das Nações Unidas e que as escolas de todos os níveis e os centros de investigação têm que debruçar-se profundamente no estudo e na divulgação das respostas mais adequadas à prevenção e gestão de conflitos, fomentando uma cultura de paz”.
Salientou que é necessário que “as crianças e jovens sejam educados na família e na escola para uma cultura de não-violência”, defendendo que “cada povo, cada raça e cada religião deve ter em relação aos outros um dever de tolerância, respeito e inclusive de profunda estima”.
“Estamos a criar uma sociedade altamente competitiva em que as crianças são pressionadas para só terem boas notas”, sublinhou, realçando que “essas expetativas geram frustrações que está a levar a elevados níveis de depressão e tentativas de suicídio”.
António da Silva Mendes salientou que Charles Darwin com a sua teoria da evolução, mostra que as “espécies que venceram não foram as mais competitivas, mas as que cooperaram mais e conseguiram adaptar-se”.
“O homem atual, talvez mais que nunca, terá que aprender a entender os problemas e as crises da sociedade em que vive para sobreviver à profunda instabilidade que o rodeia, terá que aprender a navegar no caos sem perder de vista os objetivos que pretende alcançar”, adiantou.
Na próxima sexta-feira terá lugar no auditório da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro a entrega de prémios aos melhores alunos, iniciativa realizada todos os anos pelo Rotary Club das Caldas.




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