A cidade das Caldas da Rainha acolheu o primeiro encontro dos Grandes Hospitais, organizado pela Associação Portuguesa de EngenhariaeGestão da Saúde (Apegsaúde).
Ainda que o evento não se relacionasse com o Centro Hospitalar do Oeste (CHO), a sessão contou com alguns convidados como Ana Harfouche, presidente do Conselho de Administração do CHO (que brevemente será substituída por Elsa Banza), vereadores e deputados municipais das Caldas.
O anfitrião do encontro foi o presidente da autarquia, Tinta Ferreira, que falou da cedência do Hospital e património termal para a Câmara.
Em declarações à imprensa, o presidente da Apegsaúde, Carlos Tomás, disse que decidiram organizar o evento nas Caldas porque foi um desafio que o presidente do Município “agarrou com muita alma e nos facilitou este magnífico CCC, que tem condições excecionais”.
“O mundo está em permanente mudança e estes hospitais portugueses estão a sofrer as consequências dessas mudanças e têm a necessidade de trocar impressões uns com os outros e saber o que é que uns andam a fazer e o que pensam”, salientou, acrescentando que “os hospitais aqui reunidos têm cerca de três mil milhões de euros por ano de orçamento para a saúde”.
Este responsável considera que um dos grandes problemas destes hospitais é a falta de recursos humanos, nomeadamente, assistentes operacionais. O responsável revelou que o presidente do Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra referiu o facto de quererem aumentar o número de cirurgias, “mas a limitação em contratação de assistentes operacionais condiciona o funcionamento de alguns blocos cirúrgicos”.
Hospital das Caldas tem que ser repensado
O presidente da Apegsaúde é natural das Caldas da Rainha, mas desde os seus quinze anos que foi viver para Lisboa. Hoje reside entre Madrid e Cascais. Questionado sobre os desafios do CHO, como caldense lamentou que a assistência hospitalar das Caldas “não seja melhor”. “Passados estes anos todos, não houve uma avaliação efetiva do que se perdeu ou ganhou, também o perfil regional tem vindo a alterar e portanto era altura de repensar o posicionamento da rede hospitalar das Caldas”, apontou, acrescentando que “era fundamental refletir sobre como esta região podia melhorar a assistência sanitária”.
Para Carlos Tomás, mais importante que discutir a necessidade de haver um hospital novo é “repensar que tipo de hospital devíamos ter nas Caldas”.
Segundo este responsável, a tendência no mundo é para haver menos hospitais, e aquilo que deveria ser debatido, é “exatamente que tipo de hospital devíamos ter nas Caldas, de acordo com aquilo que é a evolução provável e de acordo com as suas necessidades”.
Quando à passagem do CHO para entidade pública empresarial (EPE), o presidente da Apegsaúde disse que este modelo pode vir a ter vantagens do ponto de vista de liberdade contratual e negociação, mas o orçamento que é substituído por um contrato de programa, “devia de ser acompanhado pelas entidades locais”. Carlos Tomás considera que a comunidade local devia de acompanhar “muito de perto e ter a sua palavra na negociação desse pacote financeiro para a saúde porque se não intervir pode acontecer que a dotação baixe ainda mais”.
“O CHO necessita de um pacote de investimento, porque neste momento começa a “estar fora daquilo que é o nível médio português”, salientou.
A sessão contou um debate sobre a escala dos hospitais versus a sua complexidade. Os problemas de gestão e dos recursos humanos também foram debatidos.
“Tendências Internacionais” foi o tema de um dos painéis, que teve como orador José Soto, diretor gerente do Hospital Clínico San Carlos e presidente da Organização Espanhola de Hospitais e Serviços. Este responsável falou da inteligência artificial. Deu o exemplo do robôDa Vinci, que introduziram há cerca de dez anos no hospital de Espanha a fazer operações. “Eles supunham que esse robô duraria quinze anos, mas depois de cinco anos estava obsoleto”, referiu Carlos Tomás, acrescentando que “estão a fazer o upgrade desses robôs porque há uma necessidade muito grande da inteligência artificial, que vai evoluir muito a forma como os médicos praticam a medicina e que vai implicar recursos muito grandes nessa área”.





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